Está provado que os suplementos de taurina aumentam a longevidade?
No TikTok alega-se que “a taurina aumenta a longevidade”. O autor de um dos vídeos partilhados na plataforma sugere que “um estudo de revisão publicado na Science observou que a suplementação com taurina retardou o aparecimento de marcadores-chave no envelhecimento”. É isso que diz o estudo? Está comprovado que a taurina aumenta a longevidade?
A toma de taurina aumenta a longevidade?
Em esclarecimentos ao Viral, o nutricionista Ricardo Cotovio adianta que, até ao momento, não existe evidência científica que comprove que a suplementação de taurina aumenta a longevidade.
Segundo o nutricionista, o estudo citado nos posts partilhados no TikTok “verificou apenas este efeito em animais e não em humanos”.
Aliás, no estudo, destaca-se que “a deficiência de taurina pode ser um fator determinante do envelhecimento, já que a sua inversão aumenta a duração da saúde em vermes, roedores e primatas e a duração da vida em vermes e roedores”.
Estes resultados, adiantam os investigadores, parecem justificar “a realização de ensaios clínicos em seres humanos para testar se a deficiência de taurina pode conduzir ao envelhecimento nos seres humanos”.
Assim, salienta Ricardo Cotovio, “não se pode extrapolar para o ser humano os resultados obtidos em animais, devido às características biológicas diferentes”. Aliás, recorda o nutricionista, “os próprios investigadores do estudo deixam essa nota”.
Por isso, na perspetiva do nutricionista, “ainda é muito cedo” para afirmar que os suplementos de taurina têm algum impacto na longevidade dos humanos.
O que é a taurina? Faz sentido suplementar?
Ricardo Cotovio explica que “a taurina é aminoácido não essencial produzido pelo nosso organismo”.
Segundo o nutricionista, a taurina está presente em “algumas ações importantes, a nível fisiológico, antioxidante e anti-inflamatório, e também tem alguma influência na estabilização celular, na homeostase do cálcio, na produção energética e na neuromodulação”.
Apesar disto, “não parece haver benefícios extra na sua ingestão [sob a forma de suplementos], porque o corpo já produz uma quantidade suficiente”.
Por isso, à partida, “e não havendo uma condição” que exija a toma de taurina, “não é necessário fazer suplementação ou preocuparmo-nos propriamente com a ingestão deste aminoácido”, realça.
Pelo contrário, de acordo com um texto da Universidade de Rochester, não se deve fazer a suplementação de apenas um aminoácido durante muito tempo.
Esta prática “pode levar a um balanço negativo de nitrogénio” no organismo, comprometendo “o funcionamento do metabolismo” e “fazendo com que os rins trabalhem mais”, escreve-se.
Nas crianças, “os suplementos de aminoácidos simples podem causar problemas de crescimento” e as grávidas e lactantes “não devem tomar suplementos de taurina”, acrescenta-se.
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