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Está provado que a terapia com veneno de abelha cura a doença de Lyme?

11 Mai 2026 - 08:15
falso

Está provado que a terapia com veneno de abelha cura a doença de Lyme?

No TikTok, sugere-se que a terapia com veneno de abelha (apiterapia) cura a doença de Lyme. Segundo os vídeos partilhados, “o veneno de abelha contém uma substância chamada melitina, que rompe os biofilmes que envolvem a bactéria da doença de Lyme”. 

Além disso, sugere-se, o veneno possui propriedades que diminuem “a velocidade a que a bactéria da doença de Lyme consegue alterar a sua estrutura, permitindo assim que o sistema imunitário a combata mais eficazmente”. Mas há evidência robusta a comprovar a eficácia da terapia com veneno de abelha no tratamento ou cura da doença de Lyme?

É verdade que a terapia com veneno de abelha cura a doença de Lyme?

Em declarações ao Viral, Vítor Duque, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), adianta que “não existem” estudos robustos que comprovem que a terapia com veneno de abelha trata ou cura a doença de Lyme.

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“A apiterapia consiste na utilização de componentes de produtos produzidos pelas abelhas, nomeadamente contidos no mel ou no veneno (sob a forma injetada ou pela picada natural e repetida) da abelha produtora de mel”, explica o médico.

Tal como se esclarece num documento da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla inglesa), o veneno das abelhas “é uma mistura complexa de proteínas e aminoácidos, enzimas, açúcares e lípidos”. 

A melitina (um componente proteico) é um dos principais constituintes do veneno “e, nos seres humanos, tem o efeito de estimular o córtex adrenal (parte da glândula adrenal) a libertar cortisol, uma hormona associada à redução da inflamação e às respostas de cicatrização”, lê-se no mesmo documento.

Isto pode também explicar, em parte, “o aparente sucesso do veneno no alívio de doenças inflamatórias”. 

No entanto, lembra o professor da FMUC, esta terapia “não é suportada por ensaios clínicos bem conduzidos, embora existam estudos, mais de índole laboratorial, que demonstrem alguns efeitos potencialmente benéficos a nível anti-inflamatório e antimicrobiano” (ver aqui, aqui, aqui e aqui).

Como os estudos disponíveis que sugerem potenciais benefícios foram feitos em laboratório, não se podem extrapolar os resultados, ou seja, não é possível garantir que os efeitos em humanos seriam os mesmos.

Nesse sentido, aponta Vítor Duque, é necessária “demonstração relativamente ao seu benefício clínico no ser humano”.

Apesar disso, “o veneno de abelha tem sido utilizado fora do âmbito da medicina, nas situações em que as manifestações clínicas – como a dor (articular ou não articular) – persistem após tratamento antibiótico e anti-inflamatório.

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Mas, mesmo nessas situações, a medicina consegue dar resposta. Além disso, salienta o médico, “existem riscos associados a este procedimento nomeadamente em relação à segurança do produto”.

As possíveis complicações variam desde “formas ligeiras a moderadas, como a dor e a inflamação, até formas graves ameaçadoras da vida, como as reações de hipersensibilidade ou anafiláticas”, alerta.

O que é a doença de Lyme? Como se trata?

“A doença de Lyme é uma doença causada por bactérias do complexo Borrelia burgdorferi”, sendo que “existem várias espécies em circulação na natureza com distribuição geográfica variável”, avança Vítor Duque.

É considerada “uma doença dos animais, cujo reservatório principal são os roedores, e pode ser transmitida ao homem através da picada de uma carraça infetada” (ver também aqui, aqui e aqui). 

Segundo o professor da FMUC, a doença de Lyme “é um problema importante de saúde pública, especialmente na América do Norte (costa leste), no continente europeu (região central e norte) e também no continente asiático”. Contudo, “em Portugal, em termos de patologia humana, é uma situação rara”.

A doença “manifesta-se na forma precoce por um quadro febril associado a lesões cutâneas características que desaparecem espontaneamente sem tratamento”. 

O diagnóstico e tratamento precoces são muito importantes, caso contrário “pode evoluir para formas tardias que se manifestam meses ou anos após a infeção inicial sob a forma de doença crónica” (ver também aqui e aqui).

Quando isto acontece, verificam-se “manifestações clínicas a nível cardíaco, neurológico, musculoesquelético e sob a forma de síndrome pós-doença de Lyme, que corresponde a um conjunto de sinais e sintomas inespecíficos e indistinguíveis da síndrome da fadiga crónica e da fibromialgia”.

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Na maioria dos casos, a doença de Lyme tem cura, quando tratada “com antibióticos associados (ou não) a anti-inflamatórios”. 

“Em 10% dos doentes não tratados pode haver desenvolvimento de dor articular (artrite)”, refere Vítor Duque.

Nessas situações, explica-se num texto dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla inglesa), devem ser utilizados medicamentos para tratar a artrite e, caso persista, o doente deve ser encaminhado para um reumatologista.

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11 Mai 2026 - 08:15

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