Esta notícia que confirma que a Pfizer já está a produzir uma nova “vacina contra o hantavírus” é verdadeira?
Está a circular nas redes sociais um “print” de uma alegada notícia com o seguinte título: “Pfizer apresenta resultados promissores da sua nova vacina de mRNA contra o hantavírus.” O suposto artigo terá sido publicado a 2 de maio na secção «Saúde e ciência» de um meio de comunicação não identificado e é assinado por “Paco Merlo”. As publicações surgem numa semana marcada por um surto de hantavírus a bordo do cruzeiro MV Hondius, no Atlântico. Há até quem já antecipe uma nova pandemia e alerte, por isso, para a produção desta suposta vacina. Será assim?
Não. Contactada pelo jornal de fact-checking espanhol “Newtral“, a Pfizer Europa confirmou que as afirmações são “incorretas”e remeteu para a sua ferramenta online, onde é possível consultar todas as vacinas que a empresa tem atualmente em desenvolvimento. São dez — e nenhuma está relacionada com o hantavírus.

Não há, aliás, sinais de que o título tenha chegado aos meios de comunicação. A imagem foi manipulada a partir de uma peça do jornal espanhol “Expansión”, publicada em novembro de 2025 por Marga Castillo (e não por Paco Merlo), com o título: “Pfizer apresenta resultados promissores da sua nova vacina de ARNm contra a gripe”. A palavra “gripe” foi, assim, substituída por “hantavírus” e a manipulação foi feita utilizando a mesma tipografia.
A inexistência de uma vacina contra o hantavírus é também confirmada pelos Centros Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças, pela Organização Mundial da Saúde, pela FDA norte-americana, pelo Ministério da Saúde espanhol e pela Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido.

Assim sendo… é falso que a Pfizer já tenha produzido, e até “lançado”, uma nova vacina contra o hantavírus. Trata-se de uma manipulação. Recorde-se que os hantavírus já são conhecidos desde há décadas (na década de 1950, em plena Guerra da Coreia, por exemplo, registou-se um surto que infectou cerca de 3.000 soldados norte-americanos destacados e resultou em 190 mortes) e sabe-se que não se transmitem entre seres humanos, ao contrário do que sucedia com os coronavírus.
De acordo com informação divulgada pelos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, os animais roedores são os principais hospedeiros que transmitem a doença aos seres humanos, através de “urina, fezes, saliva e, menos frequentemente, através da mordida de um hospedeiro infetado”.
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