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Espinafres e couves. “A maioria das plantas não são boas” para a saúde por serem ricas em oxalatos?

10 Mar 2025 - 09:55
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Espinafres e couves. “A maioria das plantas não são boas” para a saúde por serem ricas em oxalatos?

Num vídeo partilhado no Instagram sugere-se que “a maioria das plantas não são boas” para a saúde porque são ricas em oxalatos.

Segundo o autor do vídeo, o “oxalato, que é um composto vegetal” presente em muitas plantas, como “espinafres”, “couves” e “beterraba”, “é uma causa comum de IBD” (doença inflamatória intestinal) e é responsável por “70% das pedras nos rins”. Será mesmo assim? É verdade que as plantas ricas em oxalatos são prejudiciais para a saúde?

As plantas ricas em oxalatos fazem mal à saúde?

Em declarações ao Viral, Cláudia Marques, nutricionista, investigadora e professora da NOVA Medical School (NMS), começa por adiantar que “não é por um alimento ser rico em oxalatos que é prejudicial para a saúde”.

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A nutricionista explica que “o oxalato é um composto que as plantas produzem para se protegerem contra agressões do meio ambiente”. 

Além disso, prossegue, “o oxalato também pode ser produzido pelo nosso corpo como resultado do metabolismo da vitamina C (ascorbato) e de alguns aminoácidos”.

Os oxalatos – tal como os fitatos, as lectinas, os glicosinolatos, os taninos e as saponinas – são considerados “antinutrientes”, uma vez que “inibem a absorção de nutrientes (minerais e vitaminas)”. 

Segundo um e-book da Associação Portuguesa de Nutrição (APN), os oxalatos, em específico, “induzem a diminuição da absorção de cálcio”.

Além dos alimentos mencionados no vídeo em análise, como os espinafres, a beterraba e as amêndoas, “as batatas, o trigo e o bulgur [grão de trigo integral] também são alimentos com elevado teor de oxalatos”, refere Cláudia Marques (ver também aqui e aqui).

No entanto, o facto de um alimento ser rico em oxalatos não o torna “mau” para a saúde. “Pelo contrário, esses alimentos têm muitos outros benefícios nutricionais, como elevado teor de ácido fólico, fibra, vitamina C”, sustenta a nutricionista. 

Assim, na perspetiva da professora da NMS, “não devemos deixar de consumir um alimento só por ter oxalatos”. 

No vídeo partilhado no Instagram alega-se que o oxalato “é uma causa comum” de doença inflamatória intestinal e que é responsável por “70% das pedras nos rins”. No entanto, sublinha Cláudia Marques, estas afirmações são falsas.

Os cálculos renais (pedras nos rins) “podem ter composições diferentes, mas em 70% dos casos são formados por oxalatos de cálcio”. Contudo, isto não significa que “70% das pedras nos rins são causadas pela ingestão de oxalatos”, explica.

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De facto, “ter elevadas concentrações de oxalato na urina (hiperoxalúria) pode levar à formação de pedras nos rins” e “a hiperoxalúria pode, em alguns casos, ser causada por uma ingestão de grandes quantidades de alimentos ricos em oxalatos”, esclarece a nutricionista.

No entanto, tal como se explica num texto informativo do Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais dos Estados Unidos (NIDDK, na sigla inglesa), existem outros fatores que aumentam o risco de uma pessoa desenvolver pedras nos rins. Por exemplo, ser homem, ter um histórico familiar de pedras no rins, beber poucos líquidos e ter certas doenças são fatores que podem determinar o risco.

No que diz respeito à doença inflamatória intestinal, “ao contrário do que se diz no vídeo, não são os oxalatos que estão nas plantas que causam doença inflamatória intestinal”, aponta a nutricionista. Esta doença é que “pode levar ao desenvolvimento de pedras nos rins por aumentar a absorção de oxalatos”.

Há pessoas que devem ter cuidado com o consumo de alimentos ricos em oxalatos?

Sim, sobretudo as pessoas que têm pedras nos rins (ou tendência para as desenvolver) devem ter alguns cuidados com a alimentação “para prevenir a recorrência da formação de pedras de oxalato de cálcio”, explica Cláudia Marques.

Nestes casos, recomenda-se “não utilizar suplementos de cálcio por rotina” e “garantir a ingestão adequada de cálcio através de alimentos”, refere.

Além disso, estas pessoas são aconselhadas a “reduzir a ingestão de proteína de origem animal, uma vez que o oxalato pode ser produzido a partir de aminoácidos existentes em maior abundância nestas fontes alimentares”.

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Por outro lado, é importante “não utilizar suplementos de elevadas doses de vitamina C”, porque “o oxalato também pode ser produzido a partir do ascorbato (tipo de vitamina C)”, prossegue.

Por último, doentes com propensão para desenvolver pedras nos rins devem “limitar a ingestão de sacarose, frutose e alimentos muito ricos em oxalatos”.

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Contudo, a nutricionista deixa um alerta: “Limitar a ingestão destes alimentos, como os espinafres e a beterraba, não quer dizer deixar de consumir hortícolas e fruta e deixar de ter uma alimentação de base vegetal (como a dieta mediterrânica), protetora para muitas outras doenças”.

O que está recomendado, para a população geral, é uma alimentação variada e equilibrada, rica em frutas e vegetais. No caso das pessoas com pedras nos rins é apenas necessário ter cuidados extra no que toca a alimentos ricos em oxalatos e à ingestão adequada de cálcio.

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10 Mar 2025 - 09:55

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