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Bolor

Encontrou bolor na comida? É mais prudente rejeitar todo o alimento, mas há exceções

Quando um alimento tem um pouco de bolor, é seguro retirar essa parte e comer o resto do alimento? Por uma questão de prevenção, não deve fazê-lo. Nesses alimentos pode existir fungos que não consegue ver, filamentos ou até toxinas que são prejudiciais à saúde. No entanto, há exceções e em alguns alimentos é possível salvar uma porção!

9 Ago 2022 - 04:32

Bolor

Encontrou bolor na comida? É mais prudente rejeitar todo o alimento, mas há exceções

Quando um alimento tem um pouco de bolor, é seguro retirar essa parte e comer o resto do alimento? Por uma questão de prevenção, não deve fazê-lo. Nesses alimentos pode existir fungos que não consegue ver, filamentos ou até toxinas que são prejudiciais à saúde. No entanto, há exceções e em alguns alimentos é possível salvar uma porção!

O cenário pode ser-lhe familiar: chegar à cozinha para preparar a sua refeição e reparar que alguns legumes têm um pouco de bolor a aparecer; ou então quando pega num pão para fazer uma sandes, numa parte do pão está um bolor. O que é mais seguro de fazer nesta situação? Um alimento com bolor é ou não seguro de comer? Para evitar o desperdício, há quem opte por retirar a parte de bolor e que inferir o alimento na mesma. Mas, na verdade, esta prática pode conter riscos para a saúde.

“Por regra, será muito mais cauteloso rejeitar todo e qualquer alimento que tenha bolor visível”, explica ao Viral, José Camolas, vice-presidente da Ordem dos Nutricionistas e professor na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e no Instituto Egas Moniz. Porquê? “Porque o facto de o bolor não estar visível não significa que não esteja lá”, responde o nutricionista.

Também João Pedro Lima, nutricionista e professor na Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra, destaca que “há bolores que proliferam pelo facto de o alimento estar ao ar” e que contêm “filamentos que não são visíveis à superfície”. Por isso, o nutricionista alerta que é preciso “ter muito cuidado com o bolor”: se houver bolor numa determinada zona, é possível que “também possa estar no restante” alimento e, “por uma questão de segurança, devemos evitar o consumo e rejeitar todo o alimento”.

Por outro lado, existem também bolores que são utilizados na confeção de determinados alimentos, principalmente queijos. Nesses casos não existe risco para a saúde: “Em alimentos que têm naturalmente bolores na sua confeção – alguns queijos usam determinados fungos na sua fermentação –, aqueles fungos e bolores que são usados foram selecionados ao longo do tempo e sabemos que não são tóxicos, que podem ser consumidos com segurança”, explica o vice-presidente da Ordem dos Nutricionistas.

Estima-se que existam mais de 300 mil tipos de fungos, sendo uns mais prejudiciais para a saúde que outros. Segundo o Serviço norte-americano de Inspeção de Segurança Alimentar, “alguns bolores causam reações alérgicas e problemas respiratórios” – não sendo aconselhável cheirar os fungos – enquanto outros, “nas condições certas, produzem ‘micotoxinas’, substâncias venenosas que podem pô-lo doente”. A variante mais conhecida são asaflatoxinas.

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Ambos os nutricionistas contactados pelo Viral destacaram as aflatoxinas como sendo perigosas para a saúde. Esta toxina pode provocar toxinfeções, problemas gastrointestinais ligeiros e, quando ingeridas em grandes quantidades, podem também causar problemas ao nível do fígado ou até potenciar o desenvolvimento de cancro.

Estima-se que existam mais de 300 mil tipos de fungos, sendo uns mais prejudiciais para a saúde que outros.

A dispersão dos bolores e das toxinas é “facilitada se houver água”. Quer isto dizer que em alimentos com textura moles ou que tenham uma grande quantidade de água, existe maior risco de todo o alimento estar contaminado. Por outro lado, nos alimentos mais secos e de consistência mais rija, há uma menor propagação das toxinas, podendo aproveitar-se uma parte do alimento.

José Camolas compara, como exemplo, o procedimento que se deve seguir quando se tem uma laranja com bolor versus uma maçã: “Na laranja, quando percebemos que há uma zona que está, como costumamos dizer na gíria popular, tocada é mais potencialmente perigoso consumir essa fruta. Numa maçã, eu consigo seccionar aquela metade onde está lá o bolor e se a outra metade não tem nenhum sinal de bolor, sendo uma fruta mais rija eu posso rejeitar essa porção onde está o bolor, com uma margem de segurança entre dois e três centímetros e será relativamente seguro de ser consumida.”

No caso do pão, por exemplo, se sentir o cheiro a mofo – característico da presença de bolores – não é aconselhável ingerir o alimento, mesmo que este não apresente sinais de bolor, porque “há probabilidade de haver bolores que não são visíveis e de haver toxinas”.

O bolor cresce mais facilmente em ambientes quentes e húmidos. Porém, é também possível que estes fungos surjam no interior do frigorífico, onde as temperaturas são mais baixas.

O mesmo se passa nos queijos: quando o bolor aparece num queijo de consistência dura, é possível retirar a parte com bolor – dando sempre uma margem de distância de dois a três centímetros para garantir que não há filamentos; por outro lado, se o queijo de textura mole ou pastosa, deve-se rejeitar todo o alimento. Também os iogurtes, as geleias, os pães ou os alimentos cozinhados em que houver sinais de bolor devem-se ser descartados.

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O bolor cresce mais facilmente em ambientes quentes e húmidos. Porém, é também possível que estes fungos surjam no interior do frigorífico, onde as temperaturas são mais baixas. Uma vez que estes fungos existem em todo o lado – incluindo no ar – poderá evitar que estes surjam seguindo alguns conselhos: mantenha os alimentos em recipientes fechados, utilize película aderente para manter alimentos, frutas ou saladas seguros, use recipientes herméticos para guardar os alimentos no frigorífico e não deixe alimentos no frigorífico mais de três a quatro dias.

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9 Ago 2022 - 04:32

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