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É verdade que o hantavírus é “um novo vírus”?

7 Mai 2026 - 08:15
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É verdade que o hantavírus é “um novo vírus”?

Um surto de hantavírus num navio de cruzeiro no Atlântico que, até à data, terá causado a morte de três pessoas, está a gerar preocupação nas redes sociais. Em alguns vídeos, compara-se este surto com os que deram origem à pandemia de Covid-19 e, em muitos posts, fala-se do hantavírus como se fosse “um novo vírus” perigoso e mortal. Mas é verdade que este vírus é novo?

Confirma-se que o hantavírus “é um novo vírus”?

Ao contrário do que se sugere em várias publicações partilhadas nas redes sociais, o hantavírus não é um novo vírus. Trata-se de um grupo de vírus descobertos no século passado. 

Numa revisão sobre “a ecologia, a epidemiologia e a doença causada pelo hantavírus”, explica-se que houve dois surtos que deram origem à descoberta dos vírus. 

“O primeiro surto ocorreu durante a Guerra da Coreia (1950 a 1953), durante a qual mais de 3000 soldados das Nações Unidas adoeceram com a febre hemorrágica coreana”, atualmente designada por febre hemorrágica com síndrome renal (HFRS).

O segundo ocorreu “na região de Four Corners, nos Estados Unidos, em 1993”. Segundo um texto dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla inglesa), foi precisamente nessa altura que “teve início a vigilância da doença causada pelo hantavírus nos Estados Unidos”.

Nos EUA, “a síndrome pulmonar por hantavírus (HPS) tornou-se uma doença de notificação obrigatória a nível nacional em 1995 e é agora notificada através do Sistema Nacional de Vigilância de Doenças de Notificação Obrigatória” (NNDSS, na sigla inglesa).

Tal como o Viral já esclareceu, num artigo anterior, os hantavírus são transmitidos sobretudo por roedores, que podem causar infeções graves em humanos e até levar à morte.

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No site da Organização Mundial da Saúde (OMS), explica-se que “a infeção por hantavírus em humanos é adquirida sobretudo através do contacto com a urina, fezes ou saliva de roedores infetados ou ao tocar em superfícies contaminadas”.

As principais complicações dos hantavírus são a HPS (síndrome pulmonar por hantavírus) e a HFRS (febre hemorrágica com síndrome renal), ambas potencialmente fatais

A primeira afeta sobretudo os pulmões e manifesta-se através de febre, fadiga e dores musculares. Numa fase mais avançada, pode surgir tosse e dificuldade em respirar, devido à acumulação de líquido nos pulmões. 

Já a HFRS afeta principalmente os rins. Os sintomas incluem “dores de cabeça intensas, dores nas costas e no abdómen, febre e calafrios, náuseas e visão turva”, refere-se no texto dos CDC. Mais tarde, podem ainda surgir sintomas como: baixa pressão arterial, hemorragias internas e insuficiência renal aguda.

Segundo a OMS, “as infeções por hantavírus são relativamente raras a nível global”, mas estão associadas a uma taxa de letalidade entre menos de 1% a 15 % na Ásia e na Europa e de “até 50% nas Américas”. 

A nível mundial, “estima-se que ocorram entre 10 mil e mais de 100 mil infeções por ano, sendo a carga mais elevada registada na Ásia e na Europa” (ver também aqui, aqui e aqui).

Na Ásia Oriental, “particularmente na China e na República da Coreia, a HFRS continua a ser responsável por muitos milhares de casos anualmente, embora a incidência tenha diminuído nas últimas décadas”, adianta a OMS.

Na Europa, são notificados vários milhares de casos por ano, sobretudo nas regiões do norte e do centro, e “nas Américas, a HCPS é muito mais rara, com centenas de casos notificados anualmente em todo o continente”. 

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Os EUA registam menos de mil casos, enquanto países da América do Sul, como a Argentina, o Brasil, o Chile e o Paraguai, registam um número reduzido de casos todos os anos. 

Noutro texto, a OMS explica que “fatores ambientais e ecológicos que afetam as populações de roedores podem influenciar as tendências da doença sazonalmente”. 

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Embora seja pouco comum, “foi relatada uma transmissão limitada de pessoa para pessoa da HPS devido ao vírus Andes [um tipo de hantavírus] em contextos comunitários que envolvem contacto próximo e prolongado”.

Até à data, a OMS considera que o risco que os hantavírus representam para a população mundial “é baixo” e sublinha que a organização “continuará a acompanhar a situação epidemiológica e a atualizar a avaliação de risco à medida que forem surgindo novas informações”.

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Virologia

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Hantavírus

7 Mai 2026 - 08:15

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