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Doença inflamatória do intestino é um fator de risco para cancro colorretal?

18 Fev 2026 - 02:00
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Doença inflamatória do intestino é um fator de risco para cancro colorretal?

O risco de desenvolver cancro colorretal depende de muitos fatores, como a idade, a genética e o estilo de vida. Será que ter doença inflamatória do intestino (DII), como doença de Crohn ou colite ulcerosa, é um fator de risco para desenvolver este tipo de cancro?

Ter uma doença inflamatória do intestino é um fator de risco para cancro colorretal?

Sim, as pessoas com DII, como a doença de Crohn ou a colite ulcerosa, têm maior risco de desenvolver cancro colorretal (ver aqui, aqui, aqui e aqui).

Segundo um texto da Canadian Cancer Society, “a colite ulcerosa aumenta o risco de cancro colorretal mais do que a doença de Crohn”. 

O risco associado a ambas as doenças também depende de outros fatores. No caso da colite ulcerosa, uma doença que “afeta o revestimento do intestino grosso (também chamado cólon)”, o risco de cancro depende, sobretudo, do “período de tempo decorrido desde o início da doença” e da “porção de cólon que está afetada pela doença”, explica-se num texto da Associação Portuguesa da Doença Inflamatória do Intestino (APDI).

A evidência mostra que o risco de cancro associado à DII só “começa a aumentar de 8 a 10 anos após o início dos sintomas, e não a partir da data do diagnóstico da doença, sendo que esta última pode ser determinada muito mais tarde”, refere-se.

Depois deste período, “o risco de desenvolvimento de cancro é mais elevado, caso a doença afete todo o cólon (designada colite extensa, total ou pancolite), mesmo que manifeste poucos sintomas”.

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Se o lado esquerdo do cólon foi a única parte afetada, “o risco de desenvolver cancro é menor, em comparação com os doentes que apresentam colite total”. Se a doença afetar apenas o reto, “o risco é baixo ou igual ao da maioria da população”, sublinha-se no mesmo texto.

Noutro plano, a doença de Crohn “pode afetar qualquer parte do tubo digestivo desde a boca até ao ânus”, mas, “se a doença de Crohn afetar a totalidade ou a maior parte do seu intestino grosso, por vezes designada por colite de Crohn”, o risco de desenvolvimento de cancro é semelhante ao da colite ulcerosa total.

Caso a doença de Crohn afete apenas o intestino delgado, “o risco de desenvolvimento de cancro é baixo”, à luz da evidência disponível.

É possível reduzir o risco de cancro associado à DII?

Perante o risco de cancro colorretal associado à DII, recomenda-se que as pessoas com doença de Crohn ou colite ulcerosa façam “exames de rastreio do cancro colorretal” desde que são jovens e “com mais frequência”, refere-se num texto da American Cancer Society.

O rastreio consiste, sobretudo, na realização de colonoscopias, exames que permitem inspecionar “o interior de todo o intestino grosso” através de “um tubo fino e flexível com uma câmara”, esclarece-se no site do Cancer Research UK.

Segundo a APDI, “a realização de colonoscopias regulares permite aos especialistas detetar alterações precoces no cólon antes que o cancro se desenvolva”.

Além disso, a prática de exercício físico regular e uma alimentação saudável rica em fibras são medidas que ajudam a prevenir o cancro associado à DII.

“Por outro lado, uma dieta rica em gorduras saturadas e carne vermelha pode aumentar o risco de cancro do cólon, por isso, é aconselhável ingerir menos destes últimos alimentos”, salienta-se no texto da APDI.

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Este artigo foi desenvolvido no âmbito do “Vital”, um projeto editorial do Viral Check e do Polígrafo que conta com o apoio da Fundação Champalimaud.

A Fundação Champalimaud não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores da iniciativa.

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18 Fev 2026 - 02:00

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