Dieta rica em proteína e sem hidratos de carbono cura a doença de Crohn?
Num vídeo partilhado no TikTok, sugere-se que é possível curar a doença de Crohn com uma dieta rica em proteína e sem hidratos de carbono. Segundo o autor do post, comer “só carne, ovos, frutas e fermentados” leva à “remissão total” da doença. “Sem médico, sem remédio, sem desculpas”, acrescenta. Será mesmo assim? É possível curar a doença de Crohn só com mudanças na alimentação?
Confirma-se que uma alimentação rica em proteína e sem hidratos cura a doença de Crohn?
Não. Em primeiro lugar, não existe cura para a doença de Crohn (ver aqui, aqui e aqui). As doenças inflamatórias do intestino (DII) são condições crónicas que causam inflamação no trato gastrointestinal. As duas principais formas de DII são a doença de Crohn e a colite ulcerosa.
Tal como se explica num texto do MedlinePlus (um site norte-americano de informação sobre saúde), a doença de Crohn “pode afetar qualquer parte do trato digestivo, que vai da boca ao ânus”, mas “geralmente afeta o intestino delgado e o início do intestino grosso”.
“Não existe uma prova inequívoca de que algum alimento ou aditivo alimentar cause ou trate a doença de Crohn”, sublinha-se num documento da Associação Portuguesa da Doença Inflamatória do Intestino (APDI)
A doença de Crohn pode dificultar a absorção de nutrientes dos alimentos pelo organismo, por isso, é importante ter uma alimentação saudável. Contudo, “não há evidências claras de que uma dieta especial ou alimentos específicos ajudem a controlar a doença de Crohn”, lê-se, também, num texto do Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS, na sigla inglesa).
O que acontece é que, em algumas pessoas com a doença, certos alimentos desencadeiam ou agravam os sintomas. Por exemplo, refere-se no documento da APDI, “pode ajudar se ajustar a quantidade de fibra que ingere” ou se restringir o trigo, produtos condimentados ou laticínios.
Mas, para garantir uma alimentação saudável e equilibrada, “é importante aconselhar-se junto do seu médico ou nutricionista antes de fazer quaisquer mudanças significativas”, recomenda-se.
Também é comum as pessoas com doença de Crohn terem propensão para défice de vitaminas e minerais, como ferro, vitamina B12 e vitamina D, sobretudo “se tiverem dificuldade em absorver nutrientes devido à inflamação no intestino delgado”.
Daí a importância de uma alimentação adequada, sem restrições desnecessárias, que podem, eventualmente, levar a défices nutricionais.
Como se trata a doença de Crohn?
Apesar de não haver cura para a doença de Crohn, há tratamentos que “podem diminuir a inflamação no intestino, aliviar os sintomas e prevenir complicações”, explica-se no texto do MedlinePlus.
No entanto, “não existe um tratamento único que funcione para todos”. Segundo um texto da Associação Crohn/Colite Portugal, os tratamentos incluem: “medicamentos anti-inflamatórios, como corticosteroides e aminosalicilatos”; “imunossupressores para reduzir a resposta imunológica”; “biológicos, terapias mais recentes que atuam em proteínas específicas envolvidas na inflamação”; e “antibióticos, em alguns casos, para tratar infeções associadas”.
Também podem ser necessárias algumas mudanças na alimentação que deve ser, acima de tudo, equilibrada e saudável.
Em casos mais graves, pode ser preciso fazer cirurgia, “para remover partes do intestino danificado”, refere-se no mesmo texto.
Para alguns doentes, “a cirurgia é necessária devido a complicações”. Pode ser necessária “se a vida de uma pessoa tiver sido afetada, mesmo com tratamento médico ou se os efeitos colaterais dos medicamentos causem problemas”, lê-se.
Na doença de Crohn, a área do intestino mais afetada é o fundo do intestino delgado, onde se conecta ao cólon. Esta é também, por isso, a área que requer mais vezes “remoção por cirurgia”.
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