VITAL
Dieta macrobiótica cura cancro?
Em vários vídeos publicados no TikTok, mostram-se casos de pessoas com cancro, em estadios geralmente avançados, que, alegadamente, curaram a doença apenas recorrendo a uma dieta macrobiótica.
A dieta macrobiótica pode assumir várias formas, mas, regra geral, baseia-se no consumo de de arroz integral, vegetais e leguminosas, com ingestão moderada de frutas e sementes e evita carnes, laticínios, frutas tropicais, batatas e adoçantes processados.
Pode ser semelhante a regimes veganos ou vegetarianos, mas com outra base ideológica, já que o criador da dieta macrobiótica, o filósofo japonês George Ohsawa, acreditava que seguir esta dieta era viver em harmonia com a natureza e que através dela várias doenças podiam ser curadas.
Este regime foi criado na década de 1920 e continua a ter muitos seguidores. Mas será que é possível que cure cancro?
Seguir uma dieta macrobiótica cura cancro?
Não. “Não há evidência científica de que a dieta macrobiótica trate ou cure cancro”, lê-se num texto publicado no Cancer Research UK. Nenhuma dieta ou produto pode, por si só, tratar cancro. E abdicar de tratamentos comprovados pode ter efeitos muito nocivos para a saúde.
É comum, depois de um diagnóstico de cancro, o doente querer fazer algumas alterações de estilo de vida para se sentir melhor. “A dieta macrobiótica pode fazer isso, mas também pode ter efeitos nocivos”, alerta a instituição.
A dieta macrobiótica não dita apenas que alimentos comer, mas também as proporções e a forma. Os grãos integrais orgânicos, como arroz integral ou aveia, devem corresponder a metade da ingestão alimentar total; a fruta e os vegetais devem corresponder a até um quarto, assim como as sopas.
Só é indicado comer quando se tem fome e beber água quando se tem sede. Essa prática não é recomendável — como disse a nutricionista Inês Mazagão em declarações ao Viral, em 2023, beber água “é algo em que temos de ter alguma disciplina, como em tantas outras coisas, nomeadamente uma boa alimentação e exercício físico”. A sede é já um sinal de alerta de desidratação e não se deve esperar até esse momento para beber água.
Claro que, se um indivíduo que nunca comia fruta nem legumes passar a comer e se deixar de comer sal e açúcar, irá sentir-se melhor e mais saudável.
“Alguns estudos mostram que a dieta macrobiótica pode melhorar a saúde de algumas pessoas”, diz o Cancer Research UK, e, pelo mesmo motivo, baixar indiretamente o risco de certos tipos de cancro. Mas para isso não é preciso seguir uma dieta macrobiótica, apenas uma dieta e estilo de vida equilibrados.
Quando aplicada a crianças ou a pessoas doentes, esta dieta pode ter efeitos nocivos. “Se tem cancro pode já estar fraco e com pouco peso. Por isso, precisa de ingerir mais calorias do que o normal para lidar com a doença e com o tratamento”, sublinha a instituição britânica.
Uma dieta muito restritiva pode impedir a absorção da quantidade suficiente de nutrientes de que o corpo precisa para funcionar e também pode levar a grandes perdas de peso.
“Em algumas das dietas macrobióticas mais antigas e rigorosas, as pessoas só comiam cereais integrais. Isso causava desnutrição grave e, às vezes, até a morte”. Por todos estes motivos, antes de se experimentar qualquer dieta, é muito importante falar com um médico especialista, que poderá aconselhar e explicar quais as decisões mais conscientes a tomar.
Mudar de dieta pode ser positivo após um diagnóstico de cancro, mas mantendo sempre os tratamentos comprovados e com acompanhamento médico.
Este artigo foi desenvolvido no âmbito do “Vital”, um projeto editorial do Viral Check e do Polígrafo que conta com o apoio da Fundação Champalimaud.
A Fundação Champalimaud não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores da iniciativa.
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