VITAL
Dieta de Budwig cura ou previne o cancro?
Em alguns vídeos partilhados no TikTok expõem-se os supostos benefícios da dieta de Budwig que, alegadamente, cura e previne o cancro. Segundo a autora de um dos vídeos, “esta dieta foi criada por uma bioquímica alemã chamada Johanna Budwig” e baseia-se “na modificação das gorduras alimentares, utilizando óleo de linhaça em combinação com queijo cottage”.
O destaque que se dá às sementes de linhaça tem que ver com a sua composição em “fitoestrogénios, que são anticancerígenos e também ricos em ómega 3”. É uma espécie de “dieta vegetariana que não permite manteiga, café, açúcar refinado, grãos refinados”, e “inclui frutas, vegetais e nozes”, acrescenta-se no vídeo. Será mesmo assim? A dieta de Budwig cura ou previne o cancro?
Existe evidência científica de que a dieta de Budwig cura ou previne o cancro?
Não há estudos que provem que a dieta de Budwig cura ou previne a doença oncológica. Aliás, não existe nenhum alimento, bebida, suplemento ou dieta específica que, por si só, previne ou trata o cancro (ver aqui, aqui e aqui).
Tal como se explica num texto do Centro Oncológico MD Anderson da Universidade de Texas, a dieta Budwig foi desenvolvida na década de 1950 pela bioquímica Johanna Budwig e voltou a ganhar popularidade durante a pandemia da Covid-19.
Segundo a especialista, esta dieta “impede o crescimento de células doentes” e, durante algum tempo, foi considerada “um tratamento alternativo para o cancro – ou mesmo uma cura”, lê-se no mesmo texto.
A dieta de Budwig “restringe alimentos processados, açúcar e certas carnes” e incentiva o consumo de uma “combinação de óleo de linhaça e queijo cottage”.
Isto porque, explica-se, “esses alimentos são ricos em ácidos gordos ómega 3, que podem reduzir as substâncias químicas no corpo associadas ao crescimento do cancro”.
Budwig acreditava que comer mais alimentos ricos em ómega 3 e proteínas “ajudaria o corpo a absorver ómega-3 e impediria o crescimento das células cancerígenas”.
Além disso, a bioquímica sugeria ainda que os doentes “tomassem banhos de sol e fizessem caminhadas na natureza”, durante “20 minutos por dia”, refere-se num texto do Cancer Research UK.
Contudo, “não há evidências científicas de que a dieta Budwig trate ou cure o cancro em pessoas”, realça-se no mesmo texto.
Só existem trabalhos que estudam especificamente a linhaça, em que se sugere que há substâncias presentes nestas sementes que “podem ajudar a impedir o crescimento e a disseminação das células cancerígenas”. Mas esses estudos foram feitos apenas em células e em animais, ou seja, não se pode garantir que os resultados em humanos seriam os mesmos.
Existem riscos associados à dieta de Budwig?
Além de não haver evidência científica que comprove a eficácia da dieta de Budwig, existem alguns riscos associados a este tipo de alimentação.
Em primeiro lugar, comer grandes quantidades de sementes de linhaça pode causar efeitos secundários, como, “movimentos intestinais frequentes”, “inchaço”, “prisão de ventre”, “gases” e “dores de estômago”, refere-se no texto do Cancer Research UK.
As sementes de linhaça também “podem interagir com alguns medicamentos” e “impedir a absorção de alguns fármacos”.
Nesse sentido, a dieta de Budwig pode não ser indicada para pessoas com problemas intestinais, diabetes e distúrbios hemorrágicos.
Noutro plano, é comum os doentes com cancro estarem abaixo do peso recomendado devido à doença e aos efeitos secundários dos tratamentos. Assim, fazer uma dieta restritiva como a proposta por Budwig, pode ter mais riscos do que benefícios.
Este artigo foi desenvolvido no âmbito do “Vital”, um projeto editorial do Viral Check e do Polígrafo que conta com o apoio da Fundação Champalimaud.
A Fundação Champalimaud não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores da iniciativa.
Categorias:
Etiquetas: