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Dieta DASH ajuda a tratar a hipertensão arterial?

14 Out 2024 - 09:38
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Dieta DASH ajuda a tratar a hipertensão arterial?

Em várias publicações partilhadas nas redes sociais sugere-se que a dieta DASH ajuda a tratar a hipertensão arterial

Segundo a autora de um vídeo publicado no TikTok, esta dieta “rica em verduras, frutas, legumes, laticínios e baixo teor de gordura” foi a que “mostrou mais benefícios para o tratamento da hipertensão”.

Outro utilizador da mesma rede social refere ainda que seguir esta dieta também é uma forma “simples e eficaz de reduzir a gordura do fígado”. Mas será a dieta DASH uma aliada no tratamento da hipertensão arterial?

Seguir a dieta DASH ajuda no tratamento da hipertensão arterial?

Sim. Em esclarecimentos ao Viral, Heloísa Ribeiro, especialista em Medicina Interna e secretária-geral da Sociedade Portuguesa de Hipertensão, explica que “a dieta DASH consiste numa abordagem nutricional que tem vindo a ser estudada em diversas áreas e que mostrou reduzir a pressão arterial” (ver também aqui, aqui, aqui, aqui e aqui).

Aliás, o acrónimo “DASH” corresponde a “Dietary Approaches to Stop Hypertension”, o que, em português, quer dizer “abordagens dietéticas para combater a hipertensão” (tradução livre).

Heloísa Ribeiro salienta que “as recomendações dietéticas mais estabelecidas na descida da pressão arterial são a dieta DASH e a dieta mediterrânica, com a primeira associada a uma redução significativa da pressão arterial sistólica [máxima] e diastólica [mínima], tanto em indivíduos hipertensos como normotensos (pessoas com valores de pressão arterial normais)”.

Além disso, esta dieta também mostrou ser eficaz na redução de “glicemia, triglicerídeos e colesterol LDL”, tendo sido “associada a uma redução de incidência do cancro retal”, além de “ser benéfica em contexto de redução ou manutenção de peso”, acrescenta.

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De acordo com um texto informativo publicado no site da Fundação Nacional do Rim dos Estados Unidos, a dieta DASH também tem um impacto positivo na “doença cardíaca e na doença renal e pode retardar a progressão” destas patologias.

Contudo, se uma pessoa já tiver “uma doença renal crónica, deve falar com o seu médico e nutricionista antes de iniciar qualquer nova dieta, uma vez que pode ter restrições especiais a considerar”, alerta-se no mesmo texto. 

Por exemplo, acrescenta-se, “a dieta DASH não deve ser utilizada por pessoas em diálise”, porque estes doentes “têm necessidades dietéticas especiais”.

Segundo Heloísa Ribeiro, este plano alimentar surgiu “nos anos 90” e “promove o consumo de frutas, vegetais, cereais integrais, carne magra, laticínios magros, peixe, feijões, nozes e óleos vegetais, e micronutrientes através da ingestão de alimentos frescos ou minimamente processados”. 

Além disso, a dieta DASH “limita alimentos ricos em gordura saturada, doces, bebidas açucaradas” e “preconiza ainda um baixo consumo de sódio”.

Tal como explica a médica, “a adoção de um estilo de vida saudável é fundamental para prevenir ou atrasar o diagnóstico de hipertensão arterial, bem como para reduzir valores de pressão arterial elevada, sendo a dieta uma das principais medidas com eficácia demonstrada”. 

De acordo com as guidelines de 2023 da Sociedade Europeia de Hipertensão, “está recomendada uma dieta saudável, incluindo mais alimentos com origem vegetal e menos de origem animal, reduzir o consumo de sal e aumentar o consumo de potássio”, informa Heloísa Ribeiro.

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Na perspetiva da especialista, o plano alimentar DASH acaba por trazer “para a atualidade alguns princípios nutricionais antigos, proporcionando atingir os objetivos nutricionais diários e semanais”. 

Por isso, adianta, “todos os hipertensos são incentivados a adotar uma série de medidas de estilo de vida, tendo como objetivo reduzir a pressão arterial e o risco cardiovascular, com destaque para uma dieta que privilegie os princípios da dieta DASH”.

Que outras medidas são essenciais no tratamento da hipertensão arterial? 

“A dieta é uma parte fundamental de um estilo de vida saudável, em conjunto com outras medidas como a atividade física, abstinência tabágica e redução de consumo de sal”, avança Heloísa Ribeiro. 

Por esse motivo, todas as alterações de estilo de vida também têm um impacto significativo no tratamento da hipertensão arterial.

Segundo um texto publicado no site da Fundação do Coração e do AVC do Canadá, a modificação do estilo de vida “pode ser o único tratamento necessário nas pessoas com pressão arterial elevada ligeira”. 

Contudo, “muitas pessoas necessitam de medicação para controlar a pressão arterial”, salienta-se no mesmo texto. 

Nestes casos, refere Heloísa Ribeiro, estas medidas devem “ser um complemento à terapêutica farmacológica”.

Além de promoverem a “redução da pressão arterial”, por si só, as mudanças de estilo de vida podem potenciar “o efeito redutor da pressão arterial” proporcionado pelos fármacos. A toma da medicação, tal como a dose, “deve ser individualizada” e receitada “pelo médico, tendo em conta os valores de pressão arterial, comorbilidades, tolerância, alvo a atingir e tempo preconizado para ter o doente controlado”, sustenta.

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Este artigo foi desenvolvido no âmbito do European Media and Information Fund, uma iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian e do European University Institute.

The sole responsibility for any content supported by the European Media and Information Fund lies with the author(s) and it may not necessarily reflect the positions of the EMIF and the Fund Partners, the Calouste Gulbenkian Foundation and the European University Institute.

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