Diabetes aumenta o risco de desenvolver cataratas?
A diabetes, além de ser uma doença crónica e com um impacto significativo na qualidade de vida dos doentes, está associada a várias complicações, como doença renal crónica, acidente vascular cerebral, enfarte ou disfunção sexual. Mas será que a diabetes também aumenta o risco de desenvolver cataratas?
É verdade que ter diabetes aumenta o risco de desenvolver cataratas?
Sim. Uma pessoa com diabetes tem um risco aumentado de vir a desenvolver problemas de visão como cataratas (ver aqui, aqui, aqui e aqui).
Tal como se explica num texto do balcão digital do Serviço Nacional de Saúde (SNS 24), “a catarata ocular é uma alteração da transparência da lente natural do olho” (o cristalino).
No fundo, forma-se “uma área turva/opaca que dificulta a passagem da luz para o olho e que, consequentemente, prejudica a visão”, acrescenta-se.
Segundo o texto do SNS 24, o principal fator de risco para o desenvolvimento de cataratas é o avançar da idade, mas outros fatores, como a diabetes, o tabagismo, o alcoolismo e determinados fármacos também aumentam a probabilidade de uma pessoa ter esta doença ocular.
A razão por detrás desta relação entre a diabetes e as cataratas é o açúcar (glicose). Num texto da Academia Americana de Oftalmologia (AAO), adianta-se que “o cristalino do olho obtém os seus nutrientes do humor aquoso, o fluido que preenche a parte da frente do olho”.
Este fluido, o humor aquoso, “fornece oxigénio e glicose”. Quando não se tem um bom controlo dos níveis de glicose, “como acontece com a diabetes não controlada, os níveis de açúcar aumentam no humor aquoso e no cristalino”, esclarece-se.
Por consequência, “níveis elevados de glicose no cristalino provocam o seu inchaço, afetando a nitidez da visão”.
Por outro lado, “o cristalino também tem uma enzima que converte a glicose numa substância chamada sorbitol”, lê-se no mesmo texto.
No mesmo sentido, quando o sorbitol se acumula no cristalino, “pode afetar as células e as proteínas que ocorrem naturalmente, fazendo com que o cristalino se torne menos claro e mais opaco”. Estes fatores acabam por levar à formação de cataratas (ver também aqui).
Neste contexto, há duas medidas essenciais para prevenir o desenvolvimento de cataratas. Em primeiro lugar, é fundamental tratar a diabetes, tentando manter os níveis de açúcar no sangue adequados. Além disso, é importante cuidar da saúde dos olhos e fazer consultas de oftalmologia com a frequência recomendada pelo médico assistente.
Que outros problemas de visão podem estar associados à diabetes?
Além de a diabetes aumentar o risco de ter cataratas, esta doença também está associada a outros problemas oculares, como retinopatia diabética, edema macular, glaucoma e visão dupla.
A retinopatia diabética “ocorre quando os vasos sanguíneos da retina incham, extravasam ou fecham completamente”, ou ainda quando surgem “novos vasos sanguíneos anormais na superfície da retina”, explica-se noutro texto da AAO. Tal como acontece com as cataratas, isto deve-se aos níveis de açúcar no sangue.
Neste contexto, pode também ocorrer um edema macular, porque a mácula – “o centro da retina que proporciona uma visão nítida e direta” – pode “inchar devido à fuga de vasos sanguíneos causada pela diabetes”, resultando “numa visão desfocada ou distorcida”, adianta-se num texto informativo da Universidade de Johns Hopkins.
Por outro lado, os níveis elevados de açúcar “podem danificar os vasos sanguíneos da retina e resultar na criação de novos vasos anormais”, refere-se no mesmo texto.
Quando crescem novos vasos sanguíneos na íris do olho (a parte colorida do olho) pode ocorrer “um aumento da pressão ocular e glaucoma”.
A visão dupla em contexto de diabetes deve-se ao facto de a doença poder “danificar os nervos que movem os olhos e que os ajudam a trabalhar em conjunto”, sublinha-se no texto da AAO.
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