Devo colocar um objeto na boca de alguém que está a ter uma crise epiléptica?
Os episódios de convulsões são uma das principais manifestações de epilepsia, uma doença neurológica crónica caracterizada por descargas elétricas anormais no cérebro. A intensidade e a duração das crises epilépticas podem manifestar-se desde breves ausências até convulsões generalizadas com perda de consciência e contrações musculares involuntárias.
Saber como agir perante uma crise destas é fundamental para garantir a segurança da pessoa afetada e prevenir complicações. Nesse sentido, é comum a crença de que, perante uma convulsão, deve introduzir-se um objeto na boca do doente, de modo a impedi-lo de morder a língua ou engoli-la. Mas será esta uma prática recomendada?
É recomendado inserir um objeto na boca de alguém que está a ter uma crise epiléptica?
Não. Inserir um objeto na boca de alguém que está a ter uma crise convulsiva não é um procedimento recomendado. Aliás, várias organizações ligadas à saúde alertam para os perigos associados a esta prática.
Num texto publicado no site da Johns Hopkins Medicine, sublinha-se que “é fisicamente impossível engolir a própria língua” e que, além disso, colocar objetos na boca do doente “pode causar ferimentos”.
A mesma recomendação pode ser encontrada, por exemplo, nos sites do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos da América (CDC) e da Liga Portuguesa Contra a Epilepsia.
Em declarações anteriores ao Viral, também o neurologista e médico nas Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER) Rafael Dias lembrava, por exemplo, que “o objeto pode partir-se e torna-se um perigo” para o doente.
No mesmo sentido, também não é recomendado “oferecer água ou comida ao doente até que esteja totalmente consciente”. Além de ser desnecessário, pode fazer com que doente se engasgue.
Perante uma crise epiléptica, deve-se proteger a pessoa, amparando a queda ou colocando algo macio debaixo da cabeça, afastar objetos perigosos e não tentar conter os movimentos. É recomendado também colocar a pessoa em posição lateral de segurança para manter as vias aéreas desobstruídas e evitar aspiração de saliva, sangue ou vómito.
Além disso, é recomendado ligar para o 112 se for a primeira crise, se a convulsão durar mais de cinco minutos, houver traumatismo ou queda, crises sucessivas, ocorrer na água ou se o doente tiver doenças graves como cardíacas, diabetes ou estiver grávida.
Pode ler mais sobre o que fazer perante uma crise epiléptica neste artigo do Viral.