Défice de cálcio na gravidez aumenta o risco de pré-eclampsia?
Durante a gravidez existe um aumento da necessidade de alguns nutrientes particularmente importantes para a saúde da mulher e do bebé. Por esse motivo, nesta fase, recomenda-se a toma de três suplementos alimentares: iodo, ácido fólico e ferro. E o cálcio? É importante garantir os níveis adequados deste mineral? O défice de cálcio na gravidez aumenta o risco de pré-eclampsia?
É verdade que o défice de cálcio na gravidez aumenta o risco de pré-eclampsia?
Sim, o défice de cálcio durante a gravidez aumenta o risco de pré-eclampsia (ver aqui, aqui e aqui).
Tal como se explica num texto do Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS, na sigla inglesa), “a pré-eclampsia é uma condição que afeta algumas mulheres grávidas, geralmente durante a segunda metade da gravidez ou logo após o parto”. Os primeiros sinais são “pressão arterial elevada (hipertensão) e proteína na urina (proteinúria)”.
Embora a maioria dos casos de pré-eclampsia “não cause problemas e melhore logo após o parto, existe o risco de complicações graves que podem afetar tanto a mãe como o bebé”, explica-se.
O cálcio também é um nutriente essencial durante a gravidez, devido ao “seu papel na mineralização óssea, mas também por estar ainda envolvido em muitos processos metabólicos, incluindo a coagulação sanguínea, proteólise intracelular, síntese de óxido nítrico e desempenha um papel na regulação das contrações uterinas”, explica-se no manual de Alimentação e Nutrição na Gravidez da Direção-Geral da Saúde (DGS).
Assim sendo, a ingestão inadequada de cálcio, além de aumentar o risco de pré-eclampsia, “contribui para o desenvolvimento de osteopenia, parestesias, cãibras musculares” e potencia o risco de “restrição do crescimento intrauterino”, sublinha-se.
No entanto, se a alimentação for adequada, com boas fontes de cálcio, “graças à adaptação do organismo na gravidez, a ingestão de cálcio da mãe não deverá ser aumentada” nesta fase, nem durante a amamentação.
As recomendações são as mesmas que para mulheres não grávidas, ou seja, “950 mg ou 1000 mg diários, dependendo da idade da mãe” (ver também aqui).
De acordo com as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), a suplementação de cálcio na gravidez, para reduzir o risco de pré-eclampsia, só é recomendada “em populações com baixa ingestão de cálcio na dieta”, sobretudo quando se verifica um “maior risco de hipertensão gestacional”.
A evidência mostra que a alimentação pobre em cálcio verifica-se, principalmente, nos países de baixo rendimento (ver aqui). Neste contexto, recomenda-se a suplementação diária de 1,5 g a 2 g de cálcio.
Que alimentos são boas fontes de cálcio?
“Os laticínios, como o leite, o queijo e o iogurte, são uma ótima fonte de cálcio, portanto, deve incluí-los na sua alimentação”, sublinha-se no manual da DGS.
Se não consumir laticínios, o cálcio também pode ser encontrado noutros alimentos, como “vegetais de folhas verde-escuras (por exemplo: brócolos, agrião, espinafres, couve portuguesa), frutos secos (por exemplo: figos), produtos à base de soja enriquecidos com cálcio e leguminosas”, refere-se num texto do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS).
Destacam-se ainda “cereais de pequeno-almoço fortificados com cálcio”, “pescado enlatado (como sardinhas enlatadas)” e “frutos oleaginosos incluindo amêndoas, avelãs e sementes”, lê-se no manual da DGS.
Contudo, salienta-se no texto do PNPAS, é importante “não esquecer que o cálcio presente no leite e os seus derivados é o mais facilmente absorvível pelo organismo, ou seja, tem elevada biodisponibilidade, quando comparado ao cálcio presente noutros produtos, como, por exemplo, os vegetais de folha verde-escuras”.
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