Dar água aos cães quando eles estão a arfar pode ser perigoso?
Um vídeo que circula nas redes sociais mostra um cão de grande porte deitado no chão e a arfar. O aviso para os donos vem por escrito: “Não deixem o vosso cão engolir água quando está com uma respiração ofegante”.
Segundo a publicação, que está a ser partilhada no Instagram, beber água, nesse momento, poderá “aumentar o risco de dilatação [do estômago] – uma condição séria e potencialmente fatal”. Recomenda-se, por isso, “esperar” que o animal recupere a sua respiração normal para, depois, poder beber água “de forma segura”.
Mas será verdade que a ingestão de água quando o animal está ofegante é perigosa? Joana Costa Reis, professora de Nutrição e Alimentação Clínica e coordenadora da pós-graduação em Intervenções Assistidas por Animais da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Viana do Castelo, explica ao Viral quais os riscos desta prática
É perigoso dar água aos cães quando eles estão com uma respiração ofegante?
Joana Costa Reis afirma que é um “bom princípio” não deixar o cão ingerir “elevadas quantidades de água e alimento antes ou depois de realizar exercício físico intenso”. Contudo, ressalva a professora, “não é verdade que se deva impedir o acesso à água a todos os cães que estão a arfar”.
“Tudo depende da causa e do grau”, diz Joana Costa Reis. A respiração ofegante do cão é uma situação “normal e fisiológica” para “dissipar calor corporal” e pode ocorrer após prática de exercício físico intenso ou altas temperaturas – como golpe de calor.
Em raças de focinho achatado, pode estar associada “a dificuldades respiratórias, que dificultam muito a dissipação de calor”, esclarece.
Joana Costa Reis admite que a ingestão de comida ou água quando o cão está a arfar aumenta o risco de dilatação/torção gástrica em raças que tenham predisposição para tal condição. A dilatação/torção gástrica não é uma condição que afete todos os cães de igual modo.
“Nas raças de porte grande e com peito fundo, a ingestão de quantidades excessivas de alimento ou água perto de momentos de exercício físico pode fazer com que o estômago dilate e rode sobre si próprio”, alerta a especialista.
A contorção do estômago do cão pode bloquear a circulação sanguínea nos órgãos do sistema digestivo. Pode também provocar a torção do baço, bloqueando as veias que transportam sangue até ao coração do animal.
Trata-se de uma emergência veterinária, com uma “taxa de mortalidade elevada”, em que a “única solução é realizar uma cirurgia”, afirma Joana Costa Reis.
A dilatação/torção gástrica poderá acontecer na sequência de uma ingestão muito rápida de comida, comer uma quantidade comida muito grande ou realizar exercício logo após a refeição. A idade, o stress, o peso e o histórico familiar são também fatores de risco para a dilatação/torção gástrica.
São sintomas de dilatação/torção gástrica: inchaço abdominal (com a barriga distendida e dura), tentativa de vómito sem sucesso, baba excessiva, dor na região do estômago (ao toque) e respiração ofegante.
Nestas circunstâncias, é importante saber se o animal “comeu desenfreadamente” ou se “fez exercício físico muito intenso após a refeição” para ajudar no rápido diagnóstico e evitar “risco de morte por arritmia ou colapso cardiovascular”.
Se a causa da respiração ofegante for o exercício físico intenso, o dono “deve deixar o animal descansar em locais frescos para baixar a temperatura corporal”, dando “acesso a pequenas quantidades de água”. Em situações regulares, o animal “irá atingir o estado normal em cerca de 30 minutos”, tranquiliza Joana Costa Reis.
Se o arfar estiver associado a um golpe de calor – quando o animal é exposto a temperaturas excessivas – deverá levar o cão ao veterinário com urgência.
Em suma: em algumas raças, é possível que a ingestão de comida ou água em excesso quando o animal está ofegante (após a prática de exercício físico intenso) aumente o risco de dilatação/torção gástrica. Mas esta condição não acontece em todos os cães de igual forma, depende da raça e do porte do animal.
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