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Curcuma previne o cancro e ajuda no tratamento?

17 Fev 2026 - 08:15
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Curcuma previne o cancro e ajuda no tratamento?

Em vários vídeos partilhados no TikTok, sugere-se que a curcuma é um alimento “anticancro” com a capacidade de prevenir e ajudar no tratamento da doença oncológica. Mas será mesmo assim?

É verdade que a curcuma previne o cancro e ajuda no tratamento?

Não existe nenhum alimento, bebida ou suplemento que, por si só, previna ou trate o cancro (ver aqui, aqui e aqui). No mesmo sentido, não há evidência científica a comprovar que a curcuma tenha a capacidade de prevenir ou ajudar no tratamento da doença oncológica.

A curcuma (ou açafrão-da-terra) é uma planta utilizada há muitos anos na medicina tradicional asiática para tratar diversas condições (ver aqui). A substância de interesse, que também é o principal componente, é a curcumina.

Segundo um texto do Cancer Research UK, “vários estudos investigaram se a curcumina poderia ser um tratamento para o cancro” e “esses estudos tiveram alguns resultados promissores”.

Mas os estudos com efeitos promissores não foram feitos em humanos. Realizaram-se “estudos laboratoriais em células cancerígenas” em que se descobriu “que a curcumina retarda o seu crescimento”, e “alguns estudos em animais também demonstraram” que esta substância “retarda o crescimento e a propagação do cancro”, explica-se no site do Cancer Council.

Estão a ser desenvolvidos ensaios clínicos para descobrir se a curcumina também pode ajudar os seres humanos, “mas, até ao momento, não temos evidências suficientes do seu efeito” em pessoas.

Num texto do National Cancer Institute (NCI) dos Estados Unidos também se tira uma conclusão semelhante. “Os investigadores analisaram os produtos à base de curcumina para a prevenção e o tratamento de vários tipos de cancro, incluindo cancro colorretal, cancro oral e cancro do fígado”, mas, até à data, “não há evidências suficientes para saber se os produtos à base de curcumina podem prevenir ou tratar o cancro”, lê-se.

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Tal como se explica no texto do Cancer Research UK, “um problema destacado por vários estudos de revisão é que a curcumina não é facilmente absorvida” pelo organismo, quando é ingerida através da curcuma, por exemplo (ver também aqui). Isso faz com que não tenha o efeito esperado e observado nos estudos em células e em animais.

Há riscos associados ao consumo de curcuma para prevenção e tratamento do cancro?

Além de não haver estudos que comprovem a eficácia da curcuma na prevenção e no tratamento do cancro, não se sabe muito “sobre os efeitos secundários de consumi-la em grandes quantidades para tratar ou prevenir o cancro”, sublinha-se no site do Cancer Council. 

Sabe-se que é seguro usá-la em pequenas quantidades, como as que são utilizadas na culinária. No entanto, “são necessárias mais pesquisas para estabelecer a segurança da curcuma quando usada” em grandes doses.

Segundo o texto do Cancer Research UK, “algumas pessoas relataram dores de estômago ao consumir muita curcuma” e outras relataram “problemas de pele ao tomá-la durante muito tempo” (ver também aqui).


Este artigo foi desenvolvido no âmbito do “Vital”, um projeto editorial do Viral Check e do Polígrafo que conta com o apoio da Fundação Champalimaud.

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A Fundação Champalimaud não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores da iniciativa.

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17 Fev 2026 - 08:15

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