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Correr maratonas pode afetar a qualidade dos espermatozoides? É reversível?

29 Mai 2025 - 09:19

Correr maratonas pode afetar a qualidade dos espermatozoides? É reversível?

Nas redes sociais partilha-se o seguinte conselho: se procura um “potencial pai para o seu bebé” em clubes de corrida, é melhor aconselhá-lo a “pendurar as sapatilhas” pelo menos “uma ou duas semanas” antes de tentar engravidar.

Se os homens correrem maratonas “podem deitar fora o esperma da ejaculação periférica durante várias semanas”, afirma a interlocutora do vídeo, acrescentando que o “exercício físico é bom”, mas deverá ser realizado “com moderação”.

Mas será verdade que correr maratonas tem impacto na capacidade reprodutiva dos homens? E é uma situação reversível? Mário Pereira-Lourenço, urologista no IPO de Coimbra e na clínica Montes Claros, e Ana Meirinha, diretora do serviço de urologia do Hospital de Cascais e médica no Hospital Lusíadas, explicam ao Viral o que sabe a ciência sobre este tema.

Correr maratonas pode ter impacto na qualidade dos espermatozoides do atleta?

É verdade que correr maratonas ou realizar exercício físico de alta intensidade pode “afetar temporariamente alguns parâmetros da qualidade” dos espermatozoides, esclarece Mário Pereira-Lourenço. Contudo, ressalva o especialista, os efeitos “são reversíveis”.

“Os hábitos de saúde e de exercício físico são favoráveis à fertilidade masculina”, afirma o urologista, sublinhando que há estudos que mostram que “o exercício físico moderado regular melhora a capacidade fértil nos homens”. Contudo, uma maratona “não é um exercício físico moderado”, mas sim uma prova de esforço “bastante intensa”.

Com base em estudos científicos, o urologista acrescenta que “os esforços físicos intensos e prolongados, particularmente em atletas de resistência, podem causar alterações transitórias na concentração espermática, motilidade e morfologia, bem como um aumento do stress oxidativo nos testículos, que pode afetar a integridade do ADN espermático”.

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“Homens que treinam regularmente mais de 100 quilómetros por semana, sobretudo em regimes de longa duração e com recuperação inadequada, podem apresentar alterações mais persistentes na qualidade do sémen”, prossegue Mário Pereira-Lourenço.

O urologista explica ainda que a síndrome do exercício-hipogonadismo é uma condição que ocorre quando “a função hormonal e reprodutiva masculina se encontra comprometida por excesso de treino”.

No mesmo sentido, Ana Meirinha, refere que existem vários artigos científicos em que “se relaciona a prática de exercício físico intenso, ciclismo, exercício físico em altitude ou desportos de contacto (por traumatismo testicular) com a diminuição da fertilidade masculina”.

Também a temperatura testicular pode ser um fator que contribui para a diminuição temporária da fertilidade masculina: “O exercício físico leva a um aumento da temperatura na zona genital, o que faz com que os testículos reduzam a produção de espermatozoides”, diz a urologista.

Numa revisão sobre o impacto do exercício físico de alta intensidade na qualidade do sémen, publicada em 2017, sugere-se que a atividade física intensa poderá afetar a concentração de sémen, assim como o número de espermatozoides com motilidade e morfologia normal”. Os investigadores referem ainda que “treinar em alta intensidade ou com elevadas cargas parece estar associado a alterações mais profundas na qualidade do sémen”.

Noutro artigo, publicado em 2014, concluiu-se que o “exercício físico de alta carga parece ser capaz de impactar negativamente a fertilidade masculina, como observado através de alterações seminais e hormonais, que podem levar a subfertilidade ou infertilidade”. No entanto, muitos dos estudos considerados nesta revisão “mostram uma recuperação total após a cessação do estímulo do exercício”.

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Ambos os especialistas contactados pelo Viral garantem que o impacto do exercício físico na fertilidade é reversível. “O homem só se deve preocupar com a situação se, de facto, tiver critérios de infertilidade – que, por definição, correspondem a um ano sem capacidade de atingir uma gravidez com relações sexuais desprotegidas e sem métodos contracetivos”, afirma Mário Pereira-Lourenço.

Se o casal estiver com dificuldade em engravidar, é recomendado consultar um médico para “perceber se o exercício físico está a ter um impacto negativo na qualidade do esperma”, aconselha o urologista. Caso sejam identificadas alterações no espermograma, o homem poderá ter de reduzir a intensidade do exercício físico.

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Também Ana Meirinha lembra que as indicações para situações de critérios de infertilidade passam por reduzir as atividades que interferem com os parâmetros de fertilidade – como o exercício físico intenso, o tabaco ou o álcool – durante pelo menos três meses.

Em suma: é verdade que correr a maratona, à semelhança da prática de outros exercícios físicos de alta intensidade, poderá ter impacto negativo na fertilidade masculina. No entanto, este efeito é temporário e reversível. A prática de exercício físico moderado é aconselhada para melhorar a saúde fértil dos homens.

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Urologia

29 Mai 2025 - 09:19

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