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Comer lentilhas promove a obesidade porque contém lectinas?

28 Nov 2024 - 09:49
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Comer lentilhas promove a obesidade porque contém lectinas?

No Tik Tok, afirma-se que a ingestão de lentilhas está associada ao aumento de peso devido à presença de lectinas neste alimento

De facto, as lentilhas e outros tipos de leguminosas – como o feijão e a sojacontêm lectinas, uma proteína conhecida como um “antinutriente” por dificultar a absorção de alguns nutrientes.

Mas será verdade que incluir estes alimentos na dieta potencia o aumento de peso e promove a obesidade?

Comer lentilhas promove a obesidade?

A alegação feita no vídeo em análise trata-se de uma afirmação falsa e sem fundamento científico: “O consumo de lentilhas não se encontra associado ao risco de desenvolver obesidade”, garante ao Viral a nutricionista Lilibeth Teixeira. 

Pelo contrário, explica, as lentilhas podem ser alimento interessante “a ser incluído numa alimentação para perda ou controlo de peso”.

De facto, as lectinas são proteínas que existem em diversos alimentos de origem vegetal e que podem “causar algum desconforto gastrointestinal” quando ingeridos crus. Pensa-se que este composto foi desenvolvido pelas plantas para se protegerem contra os animais.

No entanto, a cozedura dos alimentos – neste caso, das lentilhas – permite que “se reduza de forma significativa a atividade das lectinas, contribuindo para os benefícios desta leguminosa”, sublinha a nutricionista.

A mesma informação é veiculada num artigo publicado na página da Escola de Saúde Pública de Harvard. No texto, explica-se que “é raro” comer-se alimentos com uma quantidade elevada de lectinas ativas por dois motivos: primeiro porque “as lectinas são mais potentes no seu estado cru” e, segundo, porque “a comida que as contém tipicamente não se come crua”.

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Cozinhar os alimentos – fervendo-os ou estufando-os – ou demolhá-los durante algumas horas permite “inativar a maioria das lectinas” existentes nas leguminosas e noutros legumes. Este composto é “solúvel em água” e encontra-se tipicamente na superfície do alimento.

Além disso, as lectinas têm também benefícios para a saúde, atuando como “antioxidantes, cujo objetivo é proteger as células dos danos causados pelos radicais livres”, sublinha Lilibeth Teixeira. 

Quanto às lentilhas como um todo, estes alimentos são “uma boa fonte de proteína e fibra”, pode ler-se no Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável. Integram a classe das leguminosas e são conhecidas pela “sua fácil confeção”, requerendo “muito pouco tempo de cozedura”.

Além da proteína e da fibra, Lilibeth Teixeira acrescenta que as lentilhas “promovem o aumento da sensação de saciedade, retardam a digestão e estabilizam os níveis de açúcar no sangue”.

O mito partilhado no vídeo em análise poderá ter origem num estudo, publicado em 1980, em que se analisou o comportamento das células de gordura ao estarem em contacto com lectinas. No entanto, este estudo foi realizado em laboratório e usando células de ratos, o que não mimetiza o ato de ingerir legumes com lectinas.

Por essa razão, as conclusões obtidas não podem ser transpostas para humanos e muito menos associadas a alimentos como as lentilhas.

Uma revisão, publicada em 2014, analisou os efeitos na saúde da ingestão de lectinas através de trigo e dos cereais e concluiu que existe evidência forte de que estes alimentos “têm efeitos benéficos para os indivíduos que não tenham predisposição genética para a doença celíaca, apesar do conteúdo de lectina na dieta”.

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Os investigadores não encontraram evidência de que as lectinas existentes no trigo causassem “danos intestinais e doença” e, por essa razão, afirmam não haver razão para que as populações saudáveis se abstenham de comer estes alimentos.

Quais os fatores que contribuem para a obesidade?

Lilibeth Teixeira sublinha que “nenhum alimento, de forma isolada, é responsável por promover a obesidade”. Trata-se de uma doença complexa e que está associada a vários fatores de risco, entre eles “o consumo de alimentos com elevada densidade calórica, ricos em açúcares e gordura; o sedentarismo; a genética; a presença de doenças; ou o ambiente socioeconómico”.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, em 2022, uma em cada oito pessoas no mundo vive com obesidade, o que totaliza perto de 890 milhões de pessoas. Em Portugal, a obesidade atinge cerca de 2,3 milhões de adultos e 107 mil crianças.

A obesidade é também um fator de risco para diversas doenças metabólicas, entre as quais diabetes tipo 2, aumento do ácido úrico e desenvolvimento de gota, doenças cardiovasculares, hipertensão e problemas ao nível da saúde renal.


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Este artigo foi desenvolvido no âmbito do European Media and Information Fund, uma iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian e do European University Institute.

The sole responsibility for any content supported by the European Media and Information Fund lies with the author(s) and it may not necessarily reflect the positions of the EMIF and the Fund Partners, the Calouste Gulbenkian Foundation and the European University Institute.

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Alimentação

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28 Nov 2024 - 09:49

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