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Comer alho cru cura a acne?

17 Dez 2024 - 08:41
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Comer alho cru cura a acne?

 

São vários os vídeos publicados na rede social Tik Tok nos quais se alega que comer alho cru diariamente será o melhor tratamento natural para quem se quer ver livre da acne.

Numa dessas publicações, assegura-se que engolir um alho inteiro descascado por dia ajudará a travar a inflamação na pele e no intestino, terá uma ação antibacteriana e será a solução para combater a acne

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“É, literalmente, o truque natural mais fácil para tratar da pele”, argumenta a autora da publicação, recomendando até que o alho não deve ser partido em pedaços para ser ingerido, caso contrário o hálito acabará por ter o odor desta planta perene bolbosa, muito utilizada na confeção de alimentos. Mas será mesmo assim? A solução para o tratamento da acne é tão simples como comer um alho cru por dia? 

O que diz a ciência sobre a ingestão de alho cru para tratar a acne?

Em declarações ao Viral, Gabriela Marques Pinto, dermatologista no Hospital de Santo António dos Capuchos – Unidade Local de Saúde de São José, é perentória: “Não existe qualquer evidência científica de que a ingestão de alho cru altere a evolução ou cure a acne”.

A especialista, que também pertence ao Portuguese Acne Advisory Board (PAAB), o grupo de dermatologistas portugueses que trabalhou as linhas de orientação para o tratamento da doença, explica ainda que, apesar de o alho cru ter um composto denominado de alicina, conhecido por ter propriedades antibacterianas e antioxidantes, “não está demonstrada a sua eficácia no tratamento da acne, nem qualquer alteração do mecanismo fisiopatológico envolvido no desencadear e na manutenção das lesões de acne”.

A ingestão de alho cru pode ter consequências?

As pessoas que seguem esta sugestão difundida pelas redes sociais, além de não conseguirem ter os resultados esperados no tratamento da acne, acabam por ingerir quantidades exageradas de alho e de forma indiscriminada, o que pode acarretar alguns riscos para a saúde.

Gabriela Marques Pinto esclarece que “a ingestão excessiva de alho cru, além de não trazer qualquer benefício, quer para a saúde em geral, quer para a acne em particular, pode ter efeitos secundários gastrointestinais, pela sua ação irritante nas mucosas, como o ardor na boca, no esófago e estômago, ou mesmo refluxo gastroesofágico, provocando náuseas e azia”.

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E existem alimentos que podem ajudar a combater a acne?

A especialista contactada pelo Viral admite que “não existe nenhuma evidência científica que comprove a relação direta entre a ingestão de qualquer alimento específico e a melhoria da acne”.

Afinal, acrescenta Gabriela Marques Pinto, “em termos gerais, não está comprovado cientificamente a relação entre a dieta e a acne”.

No entanto, a maior prevalência de acne nas sociedades ocidentais, em que se observa um maior consumo de produtos alimentares altamente processados e da chamada fast-food, “sugere a relação negativa [da acne] com a ingestão regular deste tipo de alimentos”, admite ainda a dermatologista.

Os produtos com elevado teor glicémico, “como o açúcar e os cereais refinados, também parecem agravar a acne, por desencadearem hiperinsulinemia [níveis excessivos de insulina a circular no sangue], com consequente ativação da cascata de fenómenos endócrinos implicados na origem da acne”, acrescenta também.

Nesse sentido, o recomendado pelos especialistas é optar por “uma dieta equilibrada, variada, do tipo mediterrânico, sobretudo no grupo etário em que a acne é mais prevalente”.

Importa recordar que, segundo a posição institucional da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia (SPDV) sobre a acne, esta é uma doença que “afeta até 85% dos adolescentes. No entanto, não é uma doença exclusiva desta fase da vida, já que estudos recentes revelam prevalências de até 40% em mulheres adultas”.

Eventualmente, e em alguns casos individuais, “quando o doente refere relação temporal direta, com crises de agravamento da acne, após ingestão de algum alimento específico, este deve ser temporariamente restringido, pode confirmar-se a eventual causalidade com a reintrodução do referido alimento numa fase posterior, após regressão das lesões de acne”, acrescenta a dermatologista.

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O que fazer para tratar a acne?

“A acne é uma doença inflamatória crónica dos folículos pilossebáceos, localizados sobretudo na face, região torácica anterior e médio dorsal, que é multifatorial, e na qual estão envolvidos fatores genéticos, raciais e ambientais”, explica Gabriela Marques Pinto.

As lesões de acne (também conhecidas como borbulhas ou espinhas), tão características desta doença, surgem por obstrução dos folículos pilossebáceos, que juntam o folículo onde nasce o pelo com a glândula sebácea anexa, “por produção excessiva de sebo e de queratina, seguida de sobreinfecção bacteriana pelo [microorganismo] Propionibacterium acnes e consequente resposta inflamatória e imunológica”.

 

A acne surge, regra geral, na adolescência e pode persistir durante a idade adulta, sobretudo quando existe alguma desregulação hormonal subjacente, e tem um “forte impacto no doente no plano psicológico, das atividades quotidianas e relações sociais”, lê-se na posição da SPDV.

Atualmente, já estão disponíveis vários medicamentos, orais ou de aplicação tópica, considerados eficazes e com indicações precisas para cada tipo de acne, “que devem ser selecionados e prescritos por dermatologistas, tendo em conta a intensidade, localização, duração e tipo clínico da acne”, sublinha Gabriela Marques Pinto.

O tratamento deve ser o mais precoce possível, de modo a evitar cicatrizes e minimizar o impacto negativo da doença, que pode, em casos mais graves, ser desfigurante.


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Este artigo foi desenvolvido no âmbito do European Media and Information Fund, uma iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian e do European University Institute.

The sole responsibility for any content supported by the European Media and Information Fund lies with the author(s) and it may not necessarily reflect the positions of the EMIF and the Fund Partners, the Calouste Gulbenkian Foundation and the European University Institute.

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Alimentação

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17 Dez 2024 - 08:41

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