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Comer 2 a 4 peças de fruta por dia enfraquece a capacidade digestiva?

19 Jul 2024 - 10:35
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Comer 2 a 4 peças de fruta por dia enfraquece a capacidade digestiva?

Numa publicação do Tik Tok, defende-se que está “totalmente errado” comer 2 a 4 frutas por dia, ao contrário do que é recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O autor do vídeo refere que em medicina oriental toda a saúde “começa no sistema digestivo” e que um dos nomes que se dá ao sistema digestivo é “fogo digestivo”.

De seguida, diz que o sistema digestivo é como uma “chama que está constantemente a arder”. Nesse sentido, alega que se for colocada “água ou coisas frias” em cima, como a fruta, a capacidade digestiva “vai baixar muito”.

Por isso, reforça o autor do vídeo, comer 2 a 4 peças de fruta por dia “não faz sentido” porque vai “enfraquecer muito” a capacidade digestiva. Mas será mesmo assim? Mas será mesmo assim?

Comer 2 a 4 peças de fruta por dia enfraquece a capacidade digestiva?

Em declarações ao Viral, Ana Célia Caetano, gastroenterologista no Hospital de Braga, professora da Escola de Medicina da Universidade do Minho e investigadora no Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS) da Universidade do Minho, diz que a tese de que comer de 2 a 4 frutas por dia enfraquece a capacidade digestiva “não é correta”.

Também Armando Peixoto, gastroenterologista dos hospitais Trofa Saúde Boa Nova e da Maia, diz que “não há evidências científicas robustas” que sustentem a alegação partilhada no vídeo. Pelo contrário, esclarece o médico, a fruta “promove a saúde digestiva e geral”, por ser rica em fibras, vitaminas, minerais e antioxidantes.

A fibra, em particular, ajuda na  digestão, prevenindo a obstipação e promovendo um microbioma intestinal saudável, reforça.

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Ao Viral, o médico da Trofa Saúde diz que também “não há evidência científica” que suporte a ideia de que beber água fria ou consumir alimentos frios enfraquece a capacidade digestiva, ou seja, a eficiência do sistema digestivo em decompor alimentos e absorver nutrientes).

“O sistema digestivo humano é bastante robusto e capaz de lidar com alimentos e bebidas em diferentes temperaturas sem comprometer a sua eficiência”, explica.

Quantas porções de fruta devemos comer por dia?

A Organização Mundial de Saúde recomenda a ingestão de, pelo menos, 400 gramas de fruta e hortícolas (cinco porções no total) por dia. Armando Peixoto explica que isto se traduz em cerca de 2 a 3 porções de fruta.

Este consumo “está associado” à redução do risco de doenças crónicas, como doenças cardíacas, AVC e certos tipos de cancro, melhorias da saúde digestiva e manutenção de um peso saudável, acrescenta o médico. As frutas contêm ainda “prebióticos que promovem um microbioma intestinal saudável”, ou seja, que favorecem o crescimento e a atividade de bactérias benéficas no intestino, contribuindo para a saúde digestiva e geral.

De acordo com a Direção-Geral da Saúde (DGS), a roda dos alimentos mediterrânica recomenda a ingestão de 3 a 5 frutas diariamente.

Na mesma linha, também a Fundação Portuguesa de Cardiologia refere, num texto informativo assinado pelo nutricionista Bruno Sousa, que é recomendada a ingestão de 3 a 5 peças de fruta por dia.

A Associação Portuguesa de Nutrição refere que a fruta pode ser ingerida ao almoço e ao jantar ou em refeições intercalares. Sugere, por exemplo, que seja incluída nas entradas ou misturada em saladas ou ingerida como sobremesa.

Para “maximizar” os benefícios, devem ser ingeridas frutas de cores diferentes ao longo do dia, assinala a Associação Portuguesa de Nutrição.

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Em suma, diz Armando Peixoto, comer 2 a 4 frutas por dia é “benéfico para a maioria das pessoas” e não enfraquece a capacidade digestiva.

As recomendações dietéticas devem ser “fundamentadas em evidências científicas robustas” que resultam do consenso de várias sociedades científicas, explica o mesmo médico. 

O gastroenterologista acrescenta que há uma “tendência crescente”do recurso à chamada medicina oriental, o que o médico considera que pode ser “preocupante”. A prática pode ser “perigosa”, porque muitas vezes resulta na disseminação de “conceitos errados e sem fundamento científico” nas redes sociais.

Noutro plano, Ana Célia Caetano, professora da Escola de Medicina da Universidade do Minho, adianta que o consumo de fruta em excesso pode ter “impacto negativo” no controlo metabólico, em caso de excesso de peso e diabetes, e, em alguns casos, “aumentar a distensão e ar abdominal por maior fermentação”.

Na mesma linha, Armando Peixoto reforça que o consumo excessivo pode originar “problemas”, como desconforto gastrointestinal e diarreia, devido ao “alto teor de fibras e açúcares naturais”.

Pessoas com condições específicas, como síndrome do intestino irritável, podem precisar de moderar a ingestão de frutas que causam desconforto, conclui o médico gastroenterologista.

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Este artigo foi desenvolvido no âmbito do European Media and Information Fund, uma iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian e do European University Institute.

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