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Novo colírio pode substituir os óculos para ver ao perto? Médico esclarece

8 Out 2025 - 08:45

Novo colírio pode substituir os óculos para ver ao perto? Médico esclarece

No TikTok, alega-se que a FDA, a agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, aprovou um novo colírio, chamado “Vizz”, que “pode substituir os óculos de perto”. 

Segundo os vídeos partilhados, este medicamento trata a presbiopia, também conhecida como “vista cansada”. Supostamente, “ao longo do dia, o paciente consegue ficar livre dos óculos”, porque o efeito do colírio dura até 10 horas. Mas é verdade que foi aprovado um colírio para tratar a presbiopia? Este fármaco substitui os óculos para ver ao perto?

O que é o “Vizz”? Como funciona?

Em declarações ao Viral, Rufino Silva, oftalmologista e professor na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), explica que “o Vizz é um medicamento, sob a forma de gotas oculares, que atua melhorando a visão de perto”. 

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A aceclidina, “a substância ativa deste medicamento”, “contrai a pupila”, o que “cria um efeito chamado ‘buraco estenopeico’”, permitindo “melhorar a visão de perto sem a utilização de óculos, em pessoas com presbiopia”, prossegue o oftalmologista.

A presbiopia, também conhecida por “vista cansada”, é uma condição comum associada ao envelhecimento. Mesmo “as pessoas que têm boa visão ao longe e ao perto, até aos 40 ou 45 anos, sem óculos, passam a ver mal ao perto a partir desta idade”, refere (ver também aqui).

Por norma, as pessoas que desenvolvem presbiopia “primeiro queixam-se que há pouca luz, depois começam a afastar os objetos para focar melhor”. 

Isto acontece devido a mudanças progressivas no cristalino, a lente transparente que está atrás da íris. Tal como se explica num texto informativo da Academia Americana de Oftalmologia (AAO), o cristalino “muda de forma para focar a luz na retina, permitindo que veja” e, quando se é jovem, esta lente “é macia e flexível, mudando de forma com facilidade”.

Após os 40 anos, o cristalino “torna-se mais rígido” e “não consegue mudar de forma tão facilmente”. Isso dificulta a realização de “tarefas que exigem foco próximo”, como ler ou enfiar uma linha numa agulha.

Apesar de não ser possível prevenir a presbiopia, esta condição “pode ser corrigida com óculos, lentes de contacto, medicamentos ou cirurgia”, lê-se no mesmo texto.

O Vizz surge como medicamento que, em certos contextos, corrige temporariamente a “vista cansada”.

Segundo Rufino Silva, já existe evidência científica “a suportar a utilização” deste colírio. Aliás, esses estudos permitiram a aprovação do fármaco pela FDA (ver aqui, aqui e aqui).

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Apesar disso, “ainda não existe aprovação deste medicamento pela EMA, a Agência Europeia de Medicamentos”, sublinha.

Este novo colírio substitui os óculos para ver ao perto?

O colírio melhora a presbiopia “nos primeiros 30 a 60 minutos após aplicar as gotas e dura até 10 horas”, mas “não substitui os óculos totalmente”, até porque “os óculos permitem uma visão mais estável e mais previsível”, salienta Rufino Silva.

Apesar de “melhorar a visão de perto para muitas tarefas, tem uma ação pequena sobre a acomodação”, por isso, “tende a reduzir a necessidade de óculos em períodos do dia, sem os substituir para todas as condições”, esclarece.

O colírio tem limitações. “O efeito é menor com ambientes pouco iluminados, em pessoas mais idosas e em ambientes em que é necessário adaptar-se a variações de iluminação: a pupila deixa de dilatar-se com pouca luz, permanecendo sempre contraída”, adianta o especialista.

Quais os possíveis efeitos adversos associados a este fármaco?

“Como qualquer medicamento”, o Vizz também “pode ter efeitos adversos”, aponta Rufino Silva. Segundo o oftalmologista, os mais frequentes são: “irritação ocular, olho vermelho, visão menos nítida, dores de cabeça, e dificuldade marcada em adaptar-se quando muda de ambientes com pouca luz para ambientes com muita luz e vice-versa”. 

O professor da FMUC refere ainda que “conduzir à noite sob o efeito das gotas deve ser evitado”, precisamente devido ao facto de a pouca luminosidade alterar a ação do colírio. Conduzir sob o efeito do colírio “será como conduzir à noite com óculos de sol”, esclarece.

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Além disso, há “um risco raro de descolamento da retina, sendo recomendada uma avaliação retiniana antes de iniciar o tratamento”, aconselha o médico.

O Vizz também “não deve ser usado por pessoas com hipersensibilidade à aceclidina, nem por pessoas com condições que exijam uma boa visão noturna”, conclui.

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Visão

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Colírio | Óculos | Presbiopia | visão

8 Out 2025 - 08:45

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