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Uma lata de cola zero corresponde a cinco latas da normal?

11 Jul 2024 - 09:27
falso

Uma lata de cola zero corresponde a cinco latas da normal?

Circula nas redes sociais um vídeo em que se alega que beber uma lata de cola zero corresponde a cinco latas da normal. O vídeo foi publicado inicialmente no Tik Tok, mas chegou rapidamente a outras plataformas.

O autor desta afirmação defende que tanto a Coca-Cola original como a Coca-Cola Zero são um “veneno” para o organismo, mas que a Coca-Cola normal “é cinco vezes menos” prejudicial do que a versão sem açúcar.

Apesar de conter açúcar – “um dos piores alimentos do mundo” –, a Coca-Cola normal “tem apenas 15% dos xenobióticos” existentes na versão zero, alega-se ainda no vídeo.

Os xenobióticos são substâncias químicas estranhas ao organismo, produzidas de forma industrial ou através de fontes naturais e que podem ser prejudiciais à saúde quando consumidas em doses elevadas.

Mas será verdade que beber uma lata de Coca-Cola Zero equivale a beber cinco Coca-Colas normais? Existem mais xenobióticos na versão zero? E é seguro beber este refrigerante?

Beber uma cola zero é igual a beber cinco colas normais?

Não, uma lata de Coca-Cola Zero não corresponde a cinco das normais. Em declarações ao Viral, a nutricionista Lilibeth Teixeira explica que a comparação feita é “errónea” e “indevida”, uma vez que confunde a “quantidade de açúcar adicionado com a de adoçantes artificiais”.

“Ao comparar a composição nutricional das versões normal e zero da Coca-Cola, vemos que a versão normal contém 139 kcal (quilocalorias) e 35g de açúcares por 330 ml, enquanto a versão zero apresenta apenas 0,66 kcal e 0g de açúcares”, esclarece a nutricionista.

Lilibeth Teixeira afirma ainda que “a principal diferença” entre as duas versões “reside na substituição do açúcar por adoçantes artificiais, como o ciclamato de sódio, o acessulfame K e o aspartame”.

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De facto, os adoçantes artificiais são considerados xenobióticos, mas as doses utilizadas “são reguladas para garantir a segurança do seu consumo”.

“A segurança dos adoçantes, como os utilizados na Coca-Cola Zero, é rigorosamente avaliada pela European Food Safety Authority (EFSA)”, lembra Lilibeth Teixeira. 

Este regulador europeu realiza “avaliações contínuas e monitoriza as evidências científicas regularmente”, garantindo que “as diretrizes de segurança estejam sempre atualizadas”.

Além da avaliação à segurança, cada produto químico utilizado na alimentação tem um nível de ingestão diária aceitável (ADI, na sigla inglesa) determinado pela EFSA, que garante “margens de segurança consideráveis”.

A ADI do aspartame – um dos adoçantes usados para substituir o açúcar em vários refrigerantes – é de “40mg/kg de peso corporal por dia”, o que significa que, “para um adulto de 70 kg, isso equivale a 2800 mg por dia”.

“Considerando que uma lata de Coca-Cola Zero contém cerca de 125 mg de aspartame, um indivíduo precisaria de consumir cerca de 22 latas para alcançar a ADI”, afirma Lilibeth Teixeira.

A opção pela cola zero está, muitas vezes, relacionada com a intenção de perda ou manutenção do peso e da gordura corporal. Pode também ser uma escolha preferencial para quem sofre de diabetes, obesidade ou outras doenças em que os níveis de açúcar devem ser controlados.

Apesar de haver estudos com resultados contraditórios, uma revisão sistemática e meta-análise, publicada em 2022, identificou uma redução significativa no peso corporal, no índice de massa corporal e na percentagem de gordura corporal quando se troca bebidas açucaradas por bebidas adoçadas e com baixo valor calórico.

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Lilibeth Teixeira reconhece que, “para quem procura emagrecer, a Coca-Cola Zero parece ser a melhor escolha”, visto que oferece “um baixo conteúdo calórico, ao contrário da Coca-Cola normal”. Contudo, a nutricionista realça que “a escolha preferencial será sempre água em detrimento de todas as outras bebidas”.

Em conclusão, não existe evidência de que beber uma lata de Coca-Cola Zero corresponda a beber cinco latas de Coca-Cola normal. 

A versão zero apresenta um menor valor calórico do que a normal e não tem açúcar. A quantidade de adoçantes utilizada na produção destes refrigerantes é regulada e a segurança é avaliada regularmente pelas entidades competentes.

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Este artigo foi desenvolvido no âmbito do European Media and Information Fund, uma iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian e do European University Institute.

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Alimentação

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11 Jul 2024 - 09:27

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