China declara estado de emergência devido a “novo vírus contagioso”?
Alega-se, em várias publicações nas redes sociais, que a China terá declarado estado de emergência devido ao aumento do número de casos de metapneumovírus humano (HMPV) registados no país.
Num vídeo publicado no TikTok, diz-se que “a China enfrenta um alerta grave devido ao surto de um novo vírus contagioso, conhecido como metapneumovírus humano, HMPV”.
“Quão triste é que a China declare estado de emergência devido a um novo vírus chamado HMPV?”, questiona-se no mesmo vídeo.
Mas estas alegações são verdadeiras? A China declarou estado de emergência devido ao aumento no número de casos de metapneumovírus humano? E o HMPV é um vírus “novo”?
É verdade que a China declarou estado de emergência devido a um “novo vírus contagioso”?
Não, nem a China declarou estado de emergência devido ao aumento do número de casos de metapneumovírus humano no país, nem o HMPV é um “novo vírus”.
Em primeiro lugar, não há nenhum comunicado oficial das autoridades chinesas, nem nenhuma notícia publicada num órgão de comunicação credível a anunciar a suposta declaração de estado de emergência na China.
No mesmo sentido, também a Organização Mundial de Saúde (OMS) esclarece que, segundo a informação que lhe foi reportada pelas autoridades chinesas, “não foram acionadas quaisquer declarações ou respostas de emergência”.
Numa atualização sobre “tendências das infeções respiratórias agudas, incluindo o metapneumovírus humano, no Hemisfério Norte”, publicada a 7 de janeiro, a OMS informa que, com base nos dados publicados pela China (que abrangem o período até 29 de dezembro de 2024), as infeções respiratórias agudas e as deteções de alguns vírus respiratórios (entre os quais o HMPV) aumentaram, nas últimas semanas.
No entanto, sublinha a OMS, “o aumento observado nas deteções de agentes patogénicos respiratórios está dentro do intervalo esperado para esta época do ano durante o inverno do hemisfério norte”.
A OMS assegura que “está em contacto com as autoridades sanitárias chinesas” e que “não recebeu quaisquer relatos de padrões de surto invulgares”.
“As autoridades chinesas informam que o sistema de saúde não está sobrecarregado e que não foram acionadas quaisquer declarações ou respostas de emergência”, adianta a OMS.
O HMPV não é um “novo vírus contagioso”
Noutro plano, é também falsa a alegação de que o HMPV é “um novo vírus”.
Tal como o virologista Celso Cunha explicou neste artigo do Viral, o metapneumovírus humano “foi identificado pela primeira vez no início deste século, em 2001, na Holanda”, embora já circule há mais tempo entre a população, estimando-se que a maior parte das pessoas já tenha tido contacto com o vírus.
À data, Celso Cunha adiantava ainda que o HMPV “pode causar infeções respiratórias, sobretudo do trato superior” e, menos frequentemente, pode ter complicações graves, como “pneumonia ou bronquites”.
No mesmo artigo, o virologista Paulo Paixão esclarecia que o risco de complicações mais graves é maior em “crianças muito pequeninas, idosos, pessoas com problemas de imunidade, transplantados, ou pessoas com problemas cardíacos”. No entanto, ressalvava, “a maioria das infeções são banais”.
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