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Cebola é “um dos melhores remédios” para ajudar a tratar a diabetes?

17 Jul 2024 - 10:08
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Cebola é “um dos melhores remédios” para ajudar a tratar a diabetes?

A cebola é apresentada, em vários vídeos das redes sociais, como um “um dos melhores remédios do mundo” para ajudar no tratamento da diabetes.

Num destes vídeos, um dos intervenientes alega que a cebola possui uma substância chamada “glucoquinina”, que é “similar à insulina”, ou seja, que “queima o açúcar circulante”.

Para conseguir este suposto efeito, o autor destas declarações recomenda que consuma meia cebola picada, quinze minutos antes do almoço. Mas será esta mezinha eficaz? A cebola pode ser considerada um remédio para auxiliar no tratamento da diabetes?

Cebola ajuda no tratamento da diabetes?

Em declarações ao Viral, Liliana Fonseca, endocrinologista do grupo Trofa Saúde, refere que a “evidência científica é escassa” em relação a um possível efeito hipoglicemiante da cebola. Ou seja, atualmente, “não existem dados suficientes” que demonstrem que a cebola possa ter um efeito significativo na redução dos níveis de açúcar no sangue e no tratamento da diabetes.

Ainda assim, a especialista reconhece que a cebola é um “alimento saudável”, dado que apresenta um baixo índice glicémico (é composta por açúcares absorvidos de forma mais lenta), tem compostos com “propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias” e contém fibra.

Liliana Fonseca explica que os alimentos com baixo índice glicémico e fibra são “na generalidade benéficos” para as pessoas com diabetes, porque contribuem para que os níveis de açúcar (glicose) no sangue subam mais devagar.

“Todos os alimentos que contribuem para uma menor ou mais lenta elevação da glicose no sangue contribuem para melhorar os níveis de açúcar e, portanto, podem ser considerados benéficos, mas não podem ser considerados remédios”, esclarece a especialista em endocrinologia.

Diabetes: O que é? Quais as consequências da doença?

A endocrinologista consultada pelo Viral explica que a diabetes é uma doença crónica que se caracteriza por níveis elevados de glicose – a principal fonte de energia do organismo, que provém dos hidratos de carbono – no sangue.

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A diabetes ocorre quando a insulina (uma hormona produzida pelo pâncreas e que permite que a glicose seja utilizada pelas células) produzida “não é suficiente ou existe uma resistência à sua atuação, por norma, por excesso de peso/obesidade”.

A diabetes mellitus tipo 2 é a forma mais comum. Corresponde a cerca de 90% dos casos, informa a Sociedade Portuguesa de Endocrinologia Diabetes e Metabolismo (SPEDM).

Neste sentido, um estilo de vida saudável, com uma alimentação equilibrada e redução do tempo de sedentarismo são medidas que podem ajudar a prevenir o desenvolvimento da diabetes mellitus tipo 2.

A que sinais deve estar alerta? Os níveis altos de glicose no sangue, quando não tratados, podem causar, por exemplo, desidratação, sede excessiva, necessidade frequente de urinar, fome exagerada, perda de peso, visão turva, dificuldade na cicatrização das feridas, formigueiros, infeções urinárias, nos órgãos genitais ou pele, enumera a endocrinologista consultada pelo Viral.

Com o tempo de evolução e mau controlo da doença, aumenta o risco de complicações, como o desenvolvimento de doença renal, mau funcionamento dos rins, retinopatia (problemas de visão) com risco de cegueira, neuropatia, perda de sensibilidade nos pés e mãos, feridas nos pés que podem originar “situações muito graves com risco de amputação”, doença cerebrovascular, aumento do risco de acidente vascular cerebral (AVC) e doença cardiovascular, aponta a médica.

A endocrinologista explica que existem vários tipos de diabetes. Os tratamentos são “individualizados” de acordo com cada tipo e podem passar por alterações do estilo de vida e tratamento farmacológico. O doente deve ser sempre acompanhado pelo médico, conclui.

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Este artigo foi desenvolvido no âmbito do European Media and Information Fund, uma iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian e do European University Institute.

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