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Comer cascas de ovos previne doenças dos ossos?

17 Set 2025 - 08:45
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Comer cascas de ovos previne doenças dos ossos?

Em vídeos partilhados nas redes sociais alega-se que comer cascas de ovos protege a saúde dos ossos e previne doenças ósseas. Estes supostos benefícios dever-se-iam ao facto de as cascas de ovos serem ricas em cálcio. Mas será mesmo assim?

É verdade que as cascas de ovos protegem a saúde óssea e previne doenças dos ossos?

Em declarações ao Viral, Rodrigo Rei, médico interno de reumatologia na Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve e membro da Sociedade Portuguesa de Reumatologia (SPR), adianta que “não existem ensaios clínicos que comprovem que consumir casca de ovo, por si só, previne osteoporose ou fraturas” ósseas.

De facto, “a casca de ovo é rica em cálcio (cerca de 35-40% da sua massa)” com uma “biodisponibilidade semelhante à de suplementos de carbonato de cálcio”, explica o médico. 

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No entanto, a absorção do cálcio pelo organismo “depende de fatores como ter os níveis adequados de vitamina D e a saúde gastrointestinal”.

Apesar de haver “alguns estudos que sugerem que o pó da casca de ovo pode aumentar os níveis de cálcio no sangue e ter algum impacto na saúde óssea”, a evidência “é limitada e pouco robusta” (ver aqui e aqui).

Na prática clínica, e em contextos em que é necessário, Rodrigo Rei “considera ser mais benéfico e seguro o uso de suplementos regulados pela Infarmed, sobretudo suplementos com cálcio e vitamina D em associação, que estão disponíveis a custos acessíveis e em doses padrão seguras”. 

Até porque o consumo indiscriminado de cascas de ovos pode ter riscos para a saúde. “O principal risco é a contaminação bacteriana (como a salmonella), se as cascas não forem bem higienizadas e esterilizadas”, sublinha.

Além disso, ter o hábito de comer cascas de ovos com frequência pode fazer com que se ultrapasse facilmente “a dose diária recomendada de cálcio”, o que também tem riscos para a saúde.

Por exemplo, refere o médico, “a casca de um ovo médio pesa em média 5/6 g, dos quais 35 a 40% são carbonato de cálcio, o que equivale a aproximadamente 2000 mg de cálcio elementar por casca de ovo médio, sendo que a dose diária recomendada é de 1000 a 1200 mg”. 

Segundo Rodrigo Rei, “o excesso de cálcio resulta numa maior excreção renal do mesmo, o que, em determinadas situações, pode promover a formação de cálculos renais” (ver também aqui).

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O consumo de cálcio é suficiente para prevenir doenças ósseas?

Não. Tal como explica Rodrigo Rei, “o cálcio é apenas um dos fatores da equação”. A promoção de uma boa saúde óssea – e consequente prevenção de doenças dos ossos – inclui outros fatores (ver aqui, aqui e aqui).

“Na ausência destes fatores adicionais, o consumo de cálcio isoladamente terá pouco ou nenhum impacto na saúde óssea”, defende o médico.

Além de se recomendar a ingestão suficiente de cálcio “através da alimentação (laticínios, bebidas vegetais fortificadas, vegetais verdes, leguminosas, frutos secos)”, é importante garantir os níveis adequados de vitamina D, pois esta vitamina tem um papel fundamental “na absorção gastrointestinal do cálcio e na sua fixação óssea”, explica o especialista.

Para promover a saúde óssea e ajudar a prevenir doenças dos ossos, também é essencial praticar “atividade física regular”, garantir um “equilíbrio hormonal”, ter “uma dieta equilibrada”, “não fumar”, “evitar o álcool” e “prevenir e tratar precocemente doenças crónicas que afetam o metabolismo ósseo (como, doenças inflamatórias imunomediadas, renais e endócrinas)”, acrescenta.

A suplementação de cálcio só está recomendada em “doentes a realizar terapêuticas para a osteoporose” ou em caso de défice (que não é comum).

“Num indivíduo com uma função renal e hormonal normal, é muito improvável ocorrer défice de cálcio passível de identificação em análises clínicas”, sublinha Rodrigo Rei.

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Contudo, um défice de cálcio pode, de facto, pôr em risco a saúde óssea. 

“Se o aporte nutricional de cálcio for deficiente, o nosso organismo ativa mecanismos de regulação para manter os níveis sanguíneos de cálcio dentro da normalidade, mecanismos esses que resultam na degradação óssea, o que contribui para a perda progressiva de massa óssea e consequente risco de osteoporose e fraturas”, esclarece.

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17 Set 2025 - 08:45

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