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Cartilagem de tubarão cura cancro?

11 Out 2025 - 08:45
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Cartilagem de tubarão cura cancro?

Em vários vídeos nas redes sociais, alega-se que a cartilagem de tubarão pode curar o cancro.

Essa crença ganhou popularidade, nos anos 90, com o livro “Sharks Don’t Get Cancer”, de William Lane. A Cancer Research UK esclarece que é falso que os tubarões sejam imunes a esta doença, os tubarões podem, sim, ter cancro, apesar de durante muitos anos se ter pensado o contrário.

No livro, o autor afirmava que os tubarões raramente tinham cancro e que extratos da sua cartilagem tinham propriedades antiangiogénicas — ou seja, poderiam impedir a formação de vasos sanguíneos que alimentam os tumores.

Até hoje, a cartilagem de tubarão é vendida como suplemento alimentar. Ou seja, este tipo de produto pode ser encontrado em várias lojas. Mas nas embalagens não se diz que cura doenças — essa é uma alegação que circula nas redes sociais.

Mas será verdade? A evidência confirma o que Lane propunha?

É possível curar cancro com cartilagem de tubarão?

A cartilagem de tubarão é um tecido rijo mas flexível e que não tem circulação sanguínea — é precisamente essa a característica que tem “interessado investigadores pela cartilagem como potencial tratamento para cancro”, de acordo com a Cancer Research UK.

E, de facto, “alguns estudos laboratoriais demonstraram que certos compostos presentes na cartilagem de tubarão podem bloquear o crescimento dos vasos sanguíneos”. Esses estudos serviram para sustentar a hipótese de que o mesmo se poderia verificar em seres humanos. Mas, conclui a organização, “nenhuma investigação demonstrou que isso seja possível”.

A ideia de usar cartilagem de tubarão como tratamento para o cancro foi testada em alguns ensaios clínicos. 

Um estudo publicado em 2005 na revista científica Cancer. Doentes com cancro da mama ou colorretal foram divididos em dois grupos: um recebeu pó de cartilagem de tubarão, o outro um placebo. Depois de analisar os 84 doentes, não houve diferença significativa na sobrevivência ou na qualidade de vida entre os dois grupos.

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Alguns estudos relatam que a administração de cartilagem de tubarão em várias formas, tem efeitos secundários como náuseas, vómitos, fadiga e alterações nos níveis de cálcio no sangue.

Outro composto, o AE-941 (Neovastat) — um extrato purificado desenvolvido a partir de cartilagem de tubarão — também foi estudado. Em 2010, foram divulgados os resultados de um ensaio clínico controlado por placebo, que teve como objetivo avaliar o efeito da adição de AE-941 à quimioterapia e à radioterapia. No total, 379 doentes fizeram parte deste ensaio.

Não foi observada diferença estatisticamente significativa na sobrevida global entre o grupo que foi tratado com quimioterapia e radioterapia, com adição de 120 mililitros de AE-941, administrados por via oral duas vezes ao dia, e o grupo que recebeu quimioterapia e radioterapia e um placebo. 

Neste composto não se verificaram efeitos secundários: “É seguro, mas não aumentou o tempo de vida das pessoas”, diz a Cancer Research UK.

“Não há evidência científica ou médica que mostre que a cartilagem de tubarão trate ou cure cancro”, diz a instituição. Além disso, existe o risco de o doente abandonar tratamentos comprovados e confiar apenas em “curas naturais”

Um estudo publicado na JAMA Oncology em 2018 acompanhou 1290 pacientes com cancro da mama, próstata, pulmão e colorretal. Os investigadores concluíram que os que optaram exclusivamente por terapias alternativas — rejeitando cirurgia, quimioterapia ou radioterapia — tiveram uma taxa de mortalidade significativamente superior. No caso do cancro da mama, a mortalidade foi quase seis vezes maior do que entre os doentes que seguiram os tratamentos convencionais.


Este artigo foi desenvolvido no âmbito do “Vital”, um projeto editorial do Viral Check e do Polígrafo que conta com o apoio da Fundação Champalimaud.

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A Fundação Champalimaud não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores da iniciativa.

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11 Out 2025 - 08:45

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