VITAL
Carne processada e tabaco estão classificados no mesmo nível de risco de cancro?
Uma publicação no Facebook, datada de 22 de janeiro, apresenta uma imagem de produtos de carnes processadas à venda num supermercado e destaca a seguinte mensagem: “Carnes processadas passam a integrar a mesma categoria de risco de cancro que os cigarros.” Esta alegação tem fundamento?

É verdade que a carne processada e o tabaco estão classificados no mesmo nível de risco de cancro?
Não. Em primeiro lugar, a categoria aqui mencionada refere-se à classificação de perigo definida pela Agência Internacional de Investigação em Cancro (IARC). Segundo, embora seja verdade que a carne processada esteja na mesma categoria que o tabaco (o “grupo 1”) esta classificação foi feita em 2015 e não é representativa do risco de desenvolver cancro.
A própria IARC é clara sobre este tema, explicitando que “esta classificação não indica o nível do risco associado a exposição” às diferentes substâncias. A classificação refere-se apenas à força das provas científicas de que uma determinada substância é carcinogénica para humanos.
Portanto, o “grupo 1” corresponde a substâncias garantidamente carcinogénicas para humanos, como é o caso de radiação solar e bebidas alcoólicas, enquanto no “grupo 2A” estão incluídas substâncias “provavelmente carcinogénicas”, ou seja, cuja evidência de carcinogenicidade em humanos é mais limitada, como a carne vermelha ou até mesmo o trabalho noturno.
Quanto à comparação entre carnes processadas e tabaco, a OMS reconhece a potencial confusão e clarifica: “Isto não significa que sejam igualmente perigosos.” Este é o motivo pelo qual tabaco está colocado no “grupo 1”, independentemente de ser fumado, aquecido ou consumido passivamente – apesar de o risco de desenvolver cancro ser completamente distinto entre as três formas de ingerir a substância.
Ainda que não seja incorreto dizer que estão na mesma categoria, é falacioso alegar que, por essa razão, tabaco e carnes processadas representam o mesmo risco de desenvolver cancro.
Este artigo foi desenvolvido no âmbito do “Vital”, um projeto editorial do Viral Check e do Polígrafo que conta com o apoio da Fundação Champalimaud.
A Fundação Champalimaud não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores da iniciativa.
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