
cancro
Três mitos e uma conspiração universal difícil de entender
É uma das doenças mais fatais do mundo - e também uma das que mais desinformação origina. Será que os telemóveis causam cancro? E o protetor solar, afinal em vez de o prevenir, potencia-o? Veja os mitos e descubra porque não deve acreditar em conspirações.
É uma das doenças mais fatais do mundo – e também uma das que mais desinformação origina. Será que os telemóveis causam cancro? E o protetor solar, afinal em vez de o prevenir, potencia-o? Veja os mitos e descubra porque não deve acreditar em conspirações.
OS MITOS:
- A RADIAÇÃO PRODUZIDA PELO TELEMÓVEL E PELO WI-FI CAUSA CANCRO
Quem nunca ouviu esta ideia? Quantos de nós nunca pensaram que talvez fosse boa ideiaafastar o telemóvel do ouvido quando o utilizamos? O rumor De que as ondas magnéticas podem ter consequências de natureza oncológica massificou-se e hoje é verdade absolutapara milhões de pessoas em todo o mundo.
O que nos diz a ciência? Que não há qualquer evidência que ligue a utilização do telemóvel ou o convívio e ambientes com Wi-Fi ao surgimento do cancro.
Um estudo levado a cabo pela Agência Internacional para a Investigação do Cancro, realizado com uma amostra de 5000 pessoas de 13 países debruçou-se sobre os reflexos da utilização do telemóvel em vários tipos de cancro. Os resultados revelaram que não era possível recolher evidência estatística relevante para sustentar a ligação entre as duas coisas.
Também o Instituto de Epidemiologia de Cancro de Copenhaga estudou o fenómeno e as conclusões, publicadas no British Medical Journal, foram inequívocos sobre a impossibilidade de relacionar a ocorrência de cancro com a utilização de telemóveis.
2. CONSUMIR COMIDA AQUECIDA NO MICRO-ONDAS PROVOCA PROBLEMAS ONCOLÓGICOS
Já ouviu falar deste? Embora seja menos conhecido do que o anterior, também está profundamente disseminado. Mas há ou não motivos para isso?

A narrativa da desinformação sugere que a radiação emitida pelos micro-ondas é absorvida pelos alimentos, provocando danos oncológicos posteriores. Ora, não é isso que diz a ciência. A Sociedade Americana do Cancro já explicou que os micro-ondas não utilizam radiação ionizante (raios gama, por exemplo, que são comprovadamente cancerígenos), nem fazem com que a comida fique “radioativa”.
3. O PROTETOR SOLAR É A VERDADEIRA CAUSA DO CANCRO DA PELE
Parece estranho, mas há muitas pessoas que acreditam que o produto especificamente produzido para impedir o cancro da pele seja, na realidade, a sua causa. É estranho e é falso.
Na verdade, os estudos dizem duas coisas:
1 – Que o cancro da pele é especialmente potenciado pela exposição excessiva aos raios ultravioleta. Esta é uma das muitas investigações que o comprova.
2 – Que a utilização de protetor solar diminui as probabilidades de ocorrência de cancro da pele nos adultos, como se demonstra neste estudo.
E AGORA A CONSPIRAÇÃO UNIVERSAL: Já existe cura para o cancro, mas os laboratórios farmacêuticos não a revelam porque querem continuar a lucrar milhões.
Num mundo em que já conseguimos medir a dimensão de um buraco negro parece inacreditável o facto de ainda não ter sido inventada uma cura para uma doença tão fatal – e tão disseminada. Esse é um bom ponto de partida para elaborar um argumento pejado de teses conspirativas – tão conspirativas que não tem razão de ser. Porquê? Veja três a seguir (mas podiam ser muitas mais):
- Não há “um cancro”; há mais de uma centena de enfermidades caracterizadas pelo crescimento anormal de determinadas células do corpo humano, que pode resultar da ação de raios ultra-violeta, como sucede com o melanoma, ou da ação de um vírus, como é o caso do Vírus do Papiloma Humano. Por isso, nunca pode falar-se da “cura” – serão necessárias muitas curas para eliminar a doença do planeta.
- Há centenas de grupos de cientistas ao mais alto nível que competem entre si pela descoberta de curas (no plural). Ninguém acredita que, tendo em conta o prestígio que uma grande descoberta lhes garantiria, não a tornassem pública.
- Qualquer laboratório que descobrisse “a cura” para o cancro ficaria multimilionário através do registo da patente respetiva. Não é crível que qualquer um deles prescindisse de faturar biliões só porque as concorrência tinha de continuar a prosperar.
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