VITAL
Banhos de gelo diminuem o crescimento dos tumores?
Os banhos de gelo estão por todo o lado nas redes sociais. Geralmente, são atletas que incluem essa prática na rotina, como forma de recuperação muscular. Mas há quem diga que os banhos de gelo podem diminuir o crescimento de tumores.
A ser verdade, significaria que essa prática podia ser uma forma de contenção de doenças oncológicas. Mas será mesmo assim? E os banhos de gelo podem ter algum efeito positivo para doentes oncológicos?
Está provado que banhos de gelo diminuem o crescimento de tumores?
“Não há estudos ou evidência científica nenhuma que apontem nesse sentido”, adianta Luísa Soares Miranda, oncologista no Hospital de Santo António, no Porto.
“Para um indivíduo com cancro, fazer banhos de gelo não vai, de forma alguma, implicar a diminuição da carga de doença”, sublinha a médica. O que realmente tem efeito, diz, “são os tratamentos aprovados e recomendados que felizmente se fazem no Serviço Nacional de Saúde”.
Para um tratamento ser aprovado tem de passar por muitas fases com critérios muito restritos: “São processos longos e com base científica muito forte”. Para os banhos de gelo, não há evidência que permita afirmar que podem fazer diminuir ou atrasar o crescimento de tumores.
Um estudo publicado na revista Nature em 2022 observou que ratos com cancro tiveram uma redução no crescimento dos tumores quando foram mantidos em ambiente frio (4 °C) em vez de quente (30 °C).
Os investigadores dizem que isso aconteceu porque o frio ativa o tecido adiposo castanho, que produz calor para manter a temperatura corporal.
Quando isso acontece, essa gordura passa a usar grande parte da glicose do corpo para gerar energia, deixando menos disponível para o tumor crescer.
Mas esse estudo foi feito em ratos, pelo que, apesar de servir para levantar hipóteses, não prova nada — muito menos que banhos de gelo diminuem o crescimento de tumores em seres humanos.
A oncologista diz que a evidência existente sobre o tema, ainda que “fraca”, indica que a crioterapia pode “ajudar a reduzir a toxicidade neurológica”, nomeadamente a neuropatia periférica (formigueiros, dormência, dor nas mãos e nos pés), que surge como efeito secundário de tratamentos como a quimioterapia.
Ou seja, usar luvas e meias frias poderá aliviar sintomas, embora a evidência não seja muito robusta. Esta utilização do frio não substitui nenhum tratamento, deve ser feita paralelamente ao tratamento comprovado e sempre com acompanhamento e recomendação do médico.
Este artigo foi desenvolvido no âmbito do “Vital”, um projeto editorial do Viral Check e do Polígrafo que conta com o apoio da Fundação Champalimaud.
A Fundação Champalimaud não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores da iniciativa.
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