As crianças podem ter artrite?
A artrite é uma doença que causa dor e inflamação nas articulações que normalmente se associa a pessoas idosas. Mas será que também afeta as crianças? A artrite pode surgir na infância?
É verdade que a artrite pode surgir na infância?
Sim. Apesar de a artrite ser uma doença muito associada aos idosos, também pode afetar as crianças (ver aqui, aqui, aqui e aqui). Aliás, na infância, a artrite pode manifestar-se de várias formas que fazem parte de um grupo chamado artrite idiopática juvenil (AIJ).
No entanto, até à data, não é conhecida uma causa exata para os vários tipos de AIJ.
Tal como se explica num texto informativo da John Hopkins Medicine, existem 5 principais tipos de AIJ. A sistémica “é o tipo mais comum” e “afeta uma ou mais articulações”. Neste contexto, é frequente surgir “febre alta e erupção cutânea”.
Esta forma de artrite na infância “também pode causar inflamação de órgãos internos, incluindo o coração, o fígado, o baço e os gânglios linfáticos.”, lê-se no mesmo texto.
Outra forma de artrite idiopática juvenil é a “oligoarticular”. Este tipo “afeta 1 a 4 articulações nos primeiros 6 meses da doença”.
Se nenhuma outra articulação for afetada depois de 6 meses chama-se AIJ oligoarticular persistente, e se forem afetadas mais articulações nesse período chama-se AIJ oligoarticular estendida.
Quando a artrite juvenil afeta “5 ou mais articulações nos primeiros 6 meses da doença” designa-se como “poliarticular”, explica-se no texto da John Hopkins Medicine (ver também aqui).
A criança também pode ter um tipo de artrite associado a entesite, uma “inflamação da zona de união dos tendões ao osso”, que é “mais comum nas grandes articulações dos membros inferiores (anca, joelhos, tornozelos)”, refere-se num documento da Associação Nacional dos Doentes com Artrites e Reumatismos da Infância (ANDAI).
O quinto tipo de artrite na infância é a “psoriática”, em que a criança também tem psoríase associada à artrite.
Além destes cinco tipos, pode-se diagnosticar uma “artrite indiferenciada”. Isto acontece quando a criança “apresenta sintomas de 2 ou mais dos tipos de AIJ” ou quando “os sintomas podem não corresponder a nenhum tipo de AIJ”, explica-se no texto da John Hopkins Medicine.
Chegar ao diagnóstico de uma artrite juvenil pode ser complicado, por isso, é importante ter atenção aos sinais de alerta.
Segundo o documento da ANDAI, na AIJ “qualquer articulação pode ser afetada, sendo que os joelhos são as articulações mais frequentemente envolvidas”.
Alguns sinais de alerta são: “dor, inchaço nas articulações, que podem (raramente) estar quentes” e “rigidez matinal (dificuldade em mexer de manhã ao acordar)”.
Importa salientar que “as articulações temporomandibulares (ATM), que permitem a mastigação, também podem estar atingidas e causar assimetrias faciais ou micrognatismo (alteração do crescimento da mandíbula) e mesmo dificuldade em mastigar”, explica-se no mesmo documento.
Existem ainda manifestações “extra-articulares” às quais se deve prestar atenção, como “a inflamação do olho, febre, manchas na pele e aumento de gânglios linfáticos”.
A artrite idiopática juvenil tem cura?
Não há cura para a artrite idiopática juvenil. Contudo, sublinha-se num texto da Arthritis Foundation (uma organização norte-americana), “com diagnóstico precoce e tratamento agressivo, é possível obter remissão (pouca ou nenhuma atividade da doença)”.
Segundo um texto da Sociedade Portuguesa de Reumatologia Pediátrica (SPRP), “o tratamento varia consoante a forma de AIJ, é bastante complexo e requer muitas vezes a cooperação de diferentes especialistas (reumatologista pediátrico, fisiatra, oftalmologista, entre outros)”.
A maioria dos casos de AIJ oligoarticular pode ser tratado “eficazmente apenas com anti-inflamatórios” e/ou “injeções nas articulações”, lê-se. Mas se a doença persistir “são iniciados fármacos modificadores de doença (DMARDs)”, que também são utilizados no tratamento da AIJ poliarticular.
Nas formas de AIJ sistémica “podem ser necessários corticoides na fase inicial e posteriormente DMARDs”, refere-se.
Nos casos de AIJ poliarticular e sistémica em que as queixas persistem, recorre-se a “terapêutica biotecnológica”.
Crianças que estejam bem e sem inflamação durante 2 anos, pode-se “iniciar a diminuição progressiva da medicação e, em alguns casos, suspender a medicação”. No entanto, sublinha-se, “cerca de metade dos doentes mantêm a doença ativa na idade adulta”.