Mulheres que amamentam podem ter menor risco de desenvolver cancro da mama?
Os benefícios do leite materno para a saúde do bebé já são conhecidos. Além de ser o alimento ideal nos primeiros meses de vida dos bebés, fornecendo toda a energia e nutrientes necessários, também ajuda a proteger contra várias doenças. Além disso, amamentar não é só benéfico para o bebé, mas também para a mãe. É verdade que as mulheres que amamentam têm menor risco de desenvolver cancro da mama?
Amamentar reduz o risco de cancro da mama?
Em declarações ao Viral, Madalena Silveira Machado, oncologista do IPO Lisboa, explica que “as mulheres que amamentam durante longos períodos apresentam um menor risco de vir a ter cancro da mama do que as mulheres que não o fazem”.
Nem todos os estudos “apontam para um benefício estatisticamente significativo, mas é um fator protetor”, sublinha a oncologista. Sendo que, quanto mais tempo a mulher “amamentar, maiores os benefícios para a mãe e para o bebé” (ver aqui, aqui e aqui).
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), amamentar, além de poder reduzir o risco de desenvolver cancro da mama, também pode reduzir o risco de cancro do ovário.
Madalena Silveira Machado esclarece que “os efeitos benéficos podem ser explicados pela redução do tempo de exposição da mãe às hormonas e pelas alterações na estrutura da mama”.
Durante a amamentação, “devido à produção de prolactina” (uma hormona essencial na produção de leite materno), “a mulher não ovula e fica em amenorreia [sem menstruação], o que diminui a exposição a estrogénio, progesterona e androgénio”.
Estas hormonas “promovem o crescimento celular” e, “quanto mais divisão celular, maior o risco de ocorrerem mutações que podem originar tumores malignos”. Como a amamentação diminui a exposição às hormonas, atua como fator protetor.
Em relação à estrutura da mama, “durante a amamentação, ocorre o desenvolvimento e a maturação das células mamárias, que se tornam menos suscetíveis à divisão celular”, explica a especialista.
No fim da amamentação, “através de um processo denominado morte celular programada, há eliminação de células com potenciais alterações/mutações no ADN, o que reduz o risco de cancro da mama”, prossegue.
Além disso, “a amamentação tem efeito epigenético”, ou seja, afeta a atividade de alguns genes, sem modificar a sequência do ADN.
Neste caso, há a promoção de “genes supressores de tumor” e a supressão de “oncogenes (genes alterados, que resultam num crescimento celular desregulado)”, justifica.
Ao que tudo indica, a redução deste risco também se deve às “propriedades anti-inflamatórias do leite materno, que contribuem para a morte de células tumorais”.
A amamentação também protege mulheres com mutações genéticas?
As mulheres com mutações genéticas, “nomeadamente nos genes BRCA1 e 2 (importantes na reparação do ADN alterado), correspondem a cerca de 5 a 10% dos casos de cancro de mama, pelo que é mais difícil obter evidência para esta população”, começa por explicar Madalena Silveira Machado.
Alguns estudos “mostraram uma redução de risco de 22% a 50% em mulheres com mutação BRCA1 que amamentaram mais de um ano”, sublinha.
No entanto, este benefício “não foi verificado em mulheres com mutação BRCA2”.
Em ambos os casos, “as medidas redutoras de risco” são muito importantes. Incluem “uma vigilância apertada, cirurgias profiláticas e a promoção de estilo de vida saudável”, acrescenta.
Que outros fatores podem reduzir o risco de cancro da mama?
Tal como a amamentação, outros fatores, como a “gravidez” – sobretudo “uma primeira gravidez antes dos 30 anos” -, também estão “associados a uma redução do risco de cancro de mama”, adianta Madalena Silveira Machado.
No mesmo sentido, “não consumir álcool” e ter uma “dieta equilibrada – com reduzido consumo de gorduras saturadas, açúcares, sal e alimentos ultraprocessados” – é importante para reduzir o risco.
O consumo de alimentos “ricos em fibra, fruta, hortícolas, alimentos ricos em vitamina A, C e E, teve um efeito protetor em alguns estudos”, acrescenta a oncologista.
Além disso, é essencial “manter um peso adequado”, já que “a obesidade, nas mulheres pós-menopáusicas aumenta o risco de cancro de mama 2 a 3 vezes”, sublinha.
Aconselha-se, ainda, praticar “atividade física regular, sendo recomendada atividade física de intensidade moderada pelo menos cerca de 150 minutos por semana ou 75 minutos se a atividade for mais intensa”, explica a especialista.
Por último, deve-se “evitar a utilização de terapia hormonal de substituição prolongada em mulheres pós-menopáusicas” (ver também aqui).
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