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Aloe vera previne o cancro e ajuda no tratamento?
Num vídeo partilhado no TikTok alega-se que a aloe vera é uma planta “anticancro”, capaz de “prevenir e ajudar no tratamento” de vários tipos de cancro, devido às suas características e compostos “antioxidantes” e “anti-inflamatórios”. Mas será mesmo assim?
É verdade que a aloe vera previne e ajuda a tratar o cancro?
Em declarações, Diana Picas Carvalho, nutricionista do grupo Trofa Saúde, adianta que “não existe evidência que comprove que a aloe vera previne ou trata o cancro”.
Aliás, tal como se sublinha nos sites de várias instituições de saúde internacionais – como o Cancer Council, o Cancer Research UK e o Instituto Nacional do Cancro dos Estados Unidos (NCI, na sigla inglesa) – não há nenhum alimento, suplemento ou bebida que tenha a capacidade de prevenir ou tratar a doença oncológica.
Em relação à aloe vera, de facto, esta planta “tem alguns compostos com efeito antioxidante e anti-inflamatório”, tal “como muitos alimentos presentes na roda dos alimentos da dieta mediterrânica”, informa Diana Picas de Carvalho.
Além disso, existem “algumas pesquisas in vitro [em células] e animais que sugerem que alguns compostos presentes na aloe vera podem ter propriedades anticancerígenas”, prossegue (ver aqui).
Num texto do Cancer Research UK, refere-se ainda que “vários estudos” analisaram um composto da aloe vera “chamado aloe emodin” e sugeriram que este composto pode “bloquear o crescimento de algumas células cancerígenas” (ver aqui e aqui). No entanto, são necessários mais estudos para obter conclusões robustas, porque estes resultados só se verificaram em células e animais.
Na perspetiva de Diana Picas Carvalho, tendo em conta a evidência científica atual, afirmar que a aloe vera consegue prevenir e ajudar a tratar o cancro “é enganoso” e “pode ter efeitos prejudiciais”.
Segundo a nutricionista, “são necessários ensaios clínicos em humanos, rigorosos e bem controlados, para confirmar qualquer benefício real”, não sendo possível afirmar que a aloe vera “é ‘anti-cancro’ só por ter estes compostos” com efeito antioxidante e anti-inflamatório.
O que se sabe é que a alimentação, num todo, pode ter um impacto positivo na prevenção e no tratamento do cancro. Diana Picas Carvalho salienta que “uma alimentação saudável tem um efeito importante na prevenção de vários tipos de cancro”.
Isto traduz-se, sobretudo, numa dieta rica em hortofrutícolas, cereais integrais, fontes de proteína saudáveis (como o frango, o peixe e as leguminosas) e pobre em álcool, carne vermelha e processada e alimentos ricos em gordura, açúcar e sal (ver aqui).
“Após o diagnóstico da doença, a alimentação auxilia no controlo dos sintomas, otimiza aportes de nutrientes vitais ao adequado funcionamento do organismo e coadjuva a eficácia da terapêutica anticancerígena em curso, além de contribuir para a melhoria da qualidade de vida”, esclarece Diana Picas Carvalho. No entanto, lembra, a alimentação “não é a cura”.
Quais os riscos associados à ingestão de aloe vera?
Além de não haver provas de que a aloe vera é eficaz na prevenção e no tratamento do cancro, o consumo desta planta “pode ter riscos para a saúde”, sublinha Diana Picas Carvalho.
Aliás, a Agência Internacional de Investigação do Cancro (IARC, na sigla inglesa) da Organização Mundial de Saúde classificou o extrato de folha inteira de aloe vera como possivelmente cancerígeno para os seres humanos, inserindo-o no grupo 2B do seu sistema de classificação (ver aqui).
No texto do Cancer Research UK refere-se que “a ingestão de aloe vera na forma líquida ou em cápsulas causa efeitos secundários em algumas pessoas”.
O consumo de aloe vera pode causar, sobretudo, “diarreia”, indisposição, “erupção cutânea” e “dores de estômago”, aponta-se no mesmo texto.
Além disso, há a possibilidade de esta planta causar efeitos secundários mais graves, como “inflamação do fígado (hepatite)”, “problemas de coagulação” e “níveis baixos de potássio no sangue”, acrescenta-se.
Nesse sentido, realça Diana Picas Carvalho, “qualquer pretensão de toma de suplementação, mesmo que seja de base ‘natural’”, durante o tratamento do cancro, “deverá ser comunicada ao médico oncologista”.
Além de o consumo de aloe vera poder causar efeitos adversos, como “diarreia, cólicas, e toxicidade hepática”, poderá “até interferir com a ação de alguns fármacos utilizados em oncologia”.
Este artigo foi desenvolvido no âmbito do “Vital”, um projeto editorial do Viral Check e do Polígrafo que conta com o apoio da Fundação Champalimaud.
A Fundação Champalimaud não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores da iniciativa.
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