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Comer alimentos picantes causa cancro do estômago?

24 Jun 2025 - 04:00
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Comer alimentos picantes causa cancro do estômago?

O impacto da alimentação na prevenção e no desenvolvimento do cancro, sobretudo do cancro do estômago, é um tema debatido com frequência nas redes sociais. Alerta-se, muitas vezes, para o facto de o consumo excessivo de sal aumentar o risco deste tipo de cancro. E os alimentos picantes? É verdade que causam cancro do estômago?

Os alimentos picantes causam cancro do estômago?

Paula Ravasco, médica, nutricionista e diretora do Programa de Pós-graduação Internacional “Nutrição e Metabolismo em Oncologia” da Universidade Católica Portuguesa (UCP), adianta que esta ideia é falsa e nem sequer “há nenhum estudo robusto que comprove uma associação” entre o consumo de alimentos picantes e o desenvolvimento de cancro do estômago.

Este mito pode nascer do facto de este tipo de alimentos estar associado “a uma sensação intensa de ardor” e de queimação, o que pode levar algumas pessoas a achar que o picante pode “ter o mesmo efeito a nível gástrico, mas não é verdade”, explica a nutricionista. 

Aliás, ao que tudo indica, estes alimentos podem ter mais benefícios do que malefícios para a saúde. Alguns estudos sugerem que têm “um efeito vasoconstritor e, de alguma forma, até anti-inflamatório”, salienta (ver também aqui e aqui).

O único contexto em que o consumo de alimentos picantes pode ser desaconselhado é em pessoas com certas doenças gastrointestinais, como gastrite e refluxo gastroesofágico

Por exemplo, não é recomendado comer este tipo de comida quando se tem “refluxo, azia ou indisposição”. Em causa está o facto de os alimentos picantes poderem “agravar esses sintomas”, aponta.

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No entanto, sublinha, “estar associado a sintomas gastrointestinais” não é o mesmo que “causar uma lesão no estômago”.

Nem sequer “existe uma associação entre os alimentos picantes e as lesões do estômago, muito menos que causem cancro do estômago”, lembra a médica.

No âmbito da alimentação, o que pode, de facto, aumentar o risco de ter cancro do estômago é “o consumo excessivo de sal”, realça (ver também aqui).

Por isso, em termos de prevenção, é importante perceber que “o elevado teor de sal na dieta – através do sal de adição” e com o consumo de alimentos ricos em sódio, como “enchidos, carnes processadas e alimentos curados” – pode aumentar o risco de desenvolver esta doença.

Por outro lado, refere-se num texto da Sociedade Americana do Cancro, uma alimentação rica em fruta e vegetais “parece diminuir o risco de cancro do estômago” (ver também aqui).

Abusar do picante durante o tratamento do cancro pode não ser o mais indicado

O cancro e os tratamentos desta doença podem causar problemas na alimentação dos doentes, sobretudo em contexto de cancro do estômago (ver aqui e aqui).

Tal como se sublinha num texto do Instituto Nacional do Cancro dos Estados Unidos (NCI, na sigla inglesa), sintomas como sensação de enfartamento, “perda de apetite”, “náuseas”, “vómitos”, “boca seca”, “aftas”, “dificuldade em engolir”, “dor de garganta” e “alteração do olfato” podem dificultar a alimentação de um doente com cancro e até levar a uma perda de peso excessiva.

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Paula Ravasco dá um exemplo: “Uma pessoa com cancro de estômago foi operada e foi-lhe retirada parte do estômago onde estava a lesão. Durante os tratamentos, e com as dificuldades inerentes à terapêutica, o mais natural é ter dificuldade em se alimentar e em tolerar alguns alimentos, porque tem mais alterações gastrointestinais”.

Neste contexto, consumir determinados alimentos pode ser contraproducente, porque, de facto, “os alimentos picantes agravam esse tipo de sintomas”, sublinha a médica. 

“Agravam sintomas como a diarreia, a flatulência, a azia (pirose), o ardor e outros”, acrescenta.

Por esse motivo, não faz sentido consumir algo “que pode exacerbar os sintomas” dos tratamentos, correndo o risco de a pessoa “alimentar-se mal”, defende.

Além dos alimentos picantes, outros, como “chocolate”, “citrinos”, “cafeína”, “pickles”, “bebidas com gás” e “álcool” também “podem causar indigestão”, sublinha-se num texto do Cancer Research UK.

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Este artigo foi desenvolvido no âmbito do “Vital”, um projeto editorial do Viral Check e do Polígrafo que conta com o apoio da Fundação Champalimaud.

A Fundação Champalimaud não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores da iniciativa.

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24 Jun 2025 - 04:00

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