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Alga do sushi “é um dos maiores e melhores emagrecedores”?

8 Jul 2024 - 09:56
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Alga do sushi “é um dos maiores e melhores emagrecedores”?

Num vídeo partilhado no TikTok, alega-se que a alga marinha comestível, como a utilizada no sushi, “é um dos maiores e melhores emagrecedores”. Isto porque, defende-se na mesma publicação, este alimento é rico em iodo, “um mineral extremamente necessário” para que a tiroide consiga “acelerar o metabolismo”.

Segundo o autor de outro vídeo publicado na mesma plataforma, “as algas marinhas são baixas em calorias e repletas de fibras, que proporcionam saciedade e ajudam a controlar o apetite”. Mas é verdade que a alga do sushi é um ótimo emagrecedor? Existem riscos associados ao consumo excessivo deste alimento?

É verdade que a alga do sushi “é um dos maiores e melhores emagrecedores”?

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Em esclarecimentos ao Viral, as endocrinologistas Maria João Matos e Maria Lopes Pereira adiantam que não há evidência científica que comprove que a alga do sushi seja um dos maiores ou melhores emagrecedores. 

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Maria João Matos começa por referir que as algas marinhas têm sido bastante utilizadas na alimentação ocidental nos últimos anos, “não apenas em dietas veganas ou vegetarianas, mas também noutros regimes alimentares”, devido à “sua composição nutricional, com particular ênfase na sua riqueza em iodo”.

No campo da perda de peso, as algas marinhas podem ser um alimento interessante, por terem poucas calorias e um “alto teor de fibra”, avança Maria Lopes Pereira, endocrinologista no Hospital de Braga.

Contudo, frisa Maria João Matos, “não há qualquer fundamento para o consumo destes alimentos para a perda de peso ou diminuição da gordura corporal”.

Existem “estudos in vitro [em células] e em modelos animais” que sugerem “que as algas marinhas reduzem a adipogénese e diminuem a gordura corporal”, aponta Maria Lopes Pereira.

No entanto, “estes resultados não podem ser extrapolados para os seres humanos”, defende. 

Também há “estudos clínicos publicados que apresentam evidência limitada nos efeitos das algas marinhas na redução do IMC [Índice de Massa Corporal] e na melhoria de alguns parâmetros metabólicos (glicemia, perfil lipídico)”.

Mas, mais uma vez, “são necessários mais estudos randomizados controlados” para provar esse possível efeito, acrescenta a médica. 

Por outro lado, nos vídeos do TikTok acima citados, alega-se que o iodo presente nas algas marinhas é o responsável pelo suposto efeito emagrecedor destes alimentos.

No entanto, informa a endocrinologista no Hospital de Braga, “as algas marinhas constituem as fontes alimentares mais ricas em iodo”, mas “o iodo em si não tem relação direta com o peso”. 

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Tal como explica a endocrinologista, “o iodo é um mineral essencial para a formação das hormonas tiroideias”. Por isso, “uma ingestão adequada” permite ajudar a regular o metabolismo.

Contudo, alerta Maria João Matos, o excesso de iodo pode provocar um “défice de hormonas tiroideias” (hipotiroidismo) ou um “excesso” (hipertiroidismo).

Por um lado, o hipotiroidismo “traduz-se numa lentificação do metabolismo, caracterizando-se por sintomas como fadiga, aumento de peso, intolerância ao frio, obstipação, queda de cabelo, unhas quebradiças e humor deprimido”.

Já o hipertiroidismo “traduz-se numa aceleração do metabolismo, caracterizando-se por perda de peso, diarreia, aumento dos batimentos cardíacos, arritmia e insuficiência cardíaca, podendo mesmo levar ao coma e morte, se não tratado”. 

Assim, o consumo ocasional de algas marinhas não faz mal, mas ingerir este alimento com o intuito de promover uma “aceleração do metabolismo” e consequente perda de peso poderá ter “consequências muito graves para a saúde”, salienta a endocrinologista.

Quais as recomendações diárias de ingestão de iodo?

Segundo Maria Lopes Pereira, “a recomendação diária de ingestão de Iodo é diferente consoante o grupo etário”.

Considera-se um consumo adequado de 90 microgramas (μg) para crianças entre 1 e 8 anos, de 120 μg para crianças entre 9 e 13 anos, 150 para adolescentes e adultos e 200 μg para grávidas (ver também aqui).

Nos adultos, refere Maria João Matos, “a ingestão de iodo a partir de 1100 microgramas por dia pode tornar-se prejudicial”.

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Ainda assim, salienta a médica, é importante perceber que “tanto um consumo excessivo como deficiente de iodo podem originar consequências adversas para a saúde”.

Segundo Maria Lopes Pereira, o défice de iodo, “nas crianças e adolescentes, está associado a bócio, hipotiroidismo e perturbação do desenvolvimento físico e mental”. 

Nos adultos, “está associado a bócio, hipotiroidismo e hipertiroidismo no idoso e perturbação da função mental”, acrescenta a médica.

As grávidas e as crianças são consideradas “particularmente vulneráveis” a este défice, destaca.

O défice de iodo no primeiro trimestre de gravidez, por exemplo, “quando moderado ou grave, é particularmente nefasto, pois o neurodesenvolvimento fetal depende das hormonas tiroideias maternas”. 

Por esse motivo, refere Maria João Matos, “a Direção-Geral da Saúde emitiu, em 2013, uma orientação clínica que recomenda a suplementação de iodo a mulheres em pré-conceção, grávidas ou a amamentar”, mediante decisão médica.

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Este artigo foi desenvolvido no âmbito do European Media and Information Fund, uma iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian e do European University Institute.

The sole responsibility for any content supported by the European Media and Information Fund lies with the author(s) and it may not necessarily reflect the positions of the EMIF and the Fund Partners, the Calouste Gulbenkian Foundation and the European University Institute.

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Alimentação

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8 Jul 2024 - 09:56

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