Nunca se deve suplementar com ácido fólico porque é tóxico para a saúde? Nutricionista esclarece
Em vários vídeos partilhados no TikTok sugere-se que o ácido fólico (uma forma de vitamina B9) é tóxico para a saúde. Num dos posts, alega-se “a vitamina B9 (folato) é muito importante e deve sim ser suplementada quando necessário, mas sempre na forma de metilfolato”. Segundo a autora do vídeo, “o ácido fólico é a forma sintética do folato e pode acumular-se e ser tóxico para seu organismo”. Mas será mesmo assim?
Não se deve suplementar com ácido fólico?
Não é correto afirmar que nunca se deve suplementar com ácido fólico e que este suplemento é tóxico para a saúde. Quem o adianta, em declarações ao Viral, é a nutricionista Catarina Paixão.
A nutricionista começa por explicar o que distingue as seguintes designações utilizadas nos vídeos do TikTok: vitamina B9, folato, metilfolato e ácido fólico.
“A vitamina B9 (ou folato) é a forma que está presente nos alimentos”, como, “por exemplo, leguminosas, vegetais de folha verde escura e algumas oleaginosas”, adianta Catarina Paixão.
Também está presente noutros alimentos fortificados com esta vitamina, como pães, massas e cereais (ver aqui).
Noutro plano, a designação “ácido fólico” corresponde “à forma tradicionalmente comercializada de suplementos” de vitamina B9.
Neste contexto, existem “duas opções”: suplementos de ácido fólico “na forma metabolicamente ativa” (o metilfolato) ou na forma não ativa.
Catarina Paixão explica que o ácido fólico (não ativo) “tem de passar pelo organismo e, sobretudo, pelo fígado para ser absorvido e metabolizado”.
Por outro lado, o metilfolato (ácido fólico na forma ativa) tem a vantagem de “já estar nessa forma ativa”, ou seja, é imediatamente absorvido pelo organismo.
Isto é particularmente vantajoso para determinadas pessoas. Tal como esclarece a nutricionista, sabe-se que “existe uma grande parte da população mundial com uma variante genética que faz com que a enzima que converte ácido fólico na forma ativa não funcione tão bem”.
Segundo um texto informativo dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla inglesa), estas pessoas têm uma quantidade média de folato no sangue “ligeiramente menor” do que as outras (ver também aqui).
No entanto, a evidência disponível sugere que tomar 400 mcg (microgramas) de ácido fólico (forma não ativa) diariamente “pode aumentar os níveis de folato no sangue, independentemente do genótipo”, acrescenta-se.
Regra geral, esclarece Catarina Paixão, o “que se faz, por defeito, é passar a forma ativa a todas as pessoas” que necessitam de suplementar com esta vitamina.
Assim, garante-se que “não existe acumulação nas pessoas que têm uma variante genética e garantimos que a vitamina é absorvida na quantidade adequada e proporciona todos os benefícios da suplementação”, defende.
“Para descobrirmos se a pessoa tem a mutação ou não, temos de fazer testes genéticos, e isso não faz sentido, em termos económicos e de logística”, justifica a nutricionista.
Desde que sejam respeitadas as quantidades recomendadas, a suplementação com ácido fólico é segura (ver aqui, aqui e aqui).
Qual a importância da vitamina B9 para a saúde?
Catarina Paixão explica que a vitamina B9 “é um nutriente muito importante para várias funções do organismo”.
Acima de tudo, ajuda o corpo “a produzir novas células (por exemplo, células sanguíneas, células cerebrais, pele, cabelo e unhas)”, ou seja, “cada nova célula do corpo precisa de folato”, explica-se noutro texto dos CDC.
Garantir o aporte necessário de folato é especialmente importante durante a gravidez. Aliás, salienta Catarina Paixão, “as entidades europeias e mundiais recomendam a suplementação de vitamina B9 na gravidez” (ver aqui, aqui, aqui, aqui e aqui).
Isto porque a suplementação com folato “previne defeitos do tubo neural” (que se torna o cérebro e a coluna vertebral) do bebé e ajuda no seu desenvolvimento.
O ideal é “começar a suplementar três meses antes de estar efetivamente grávida e continuar durante a gravidez”, acrescenta a nutricionista.
Sem ser na gravidez, a suplementação com vitamina B9 pode ser adequada em caso de défice reportado “por análises clínicas”.
Por isso, recomenda Catarina Paixão, como deve acontecer com todos os suplementos, a toma de folato em forma de suplemento só deve ser iniciada depois de haver um aconselhamento por parte de um profissional de saúde.
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