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A vitamina B3 cura a esquizofrenia?

14 Mar 2026 - 07:24
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A vitamina B3 cura a esquizofrenia?

No TikTok, sugere-se que é possível “curar a esquizofrenia só com vitamina B3” (ou niacina). Numa tentativa de defender esta alegação, o autor do vídeo partilhado refere que esta “descoberta” é da autoria de um médico canadiano chamado Abram Hoffer. Supostamente, este médico “curou” vários pacientes com esquizofrenia apenas com vitamina B3. Será mesmo assim? É possível curar a esquizofrenia com vitamina B3?

É verdade que a esquizofrenia pode ser curada com vitamina B3?

Não existe evidência” de que a vitamina B3 cure a esquizofrenia. Quem o diz, em declarações ao Viral, é João Palha, psiquiatra e diretor clínico da Casa de Saúde Santa Catarina (CSSC).

Aliás, a esquizofrenia não tem cura (ver aqui e aqui), “é uma das doenças mais complexas da psiquiatria” e afeta “cerca de 1% da população mundial”.

As pessoas com a doença sofrem “alterações da função cerebral” ao nível do “pensamento”, da “perceção”, do “comportamento”, das “emoções”, dos “afetos” e da “interação social”, explica-se num texto publicado no site do balcão digital do Serviço Nacional de Saúde (SNS 24).

Não existe uma “causa única” para a esquizofrenia. Sabe-se apenas que existem fatores que contribuem para o aparecimento da doença. São eles: “fatores genéticos”, “fatores relacionados com o neurodesenvolvimento” e “fatores ambientais, como a exposição ao stress ou a exposição a drogas, nomeadamente o consumo de canabinoides”.

Perante a complexidade da patologia, nem faz sentido, do ponto de vista médico e científico, afirmar que a suplementação com vitamina B3 cura a esquizofrenia.

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João Palha explica que, de facto, esta ideia surgiu de Abram Hoffer, que tinha “teorias no âmbito da chamada medicina ortomolecular”, em que “utilizava megadoses de vitamina B3” numa tentativa de tratar a esquizofrenia.

No entanto, os estudos que se fizeram neste contexto “são metodologicamente muito fracos”, com amostras reduzidas.

A vitamina B3, “pelo menos na medicina ocidental, nunca foi posta como uma questão importante a este nível”, sublinha o psiquiatra.

Na perspetiva de João Palha, substituir os tratamentos comprovadamente eficazes por este tipo de “soluções” partilhadas nas redes sociais tem riscos. “Um doente que deixa de tomar os antipsicóticos descompensa”, pondo em causa a sua qualidade de vida.

Em que consiste o tratamento da esquizofrenia?

Segundo um texto da Organização Mundial da Saúde (OMS), “existem várias opções eficazes de cuidados para pessoas com esquizofrenia, incluindo medicação, psicoeducação, intervenções familiares, terapia cognitivo-comportamental e reabilitação psicossocial”.

João Palha esclarece que o tratamento de primeira linha para a doença é a toma de antipsicóticos. Além destes fármacos, também pode ser necessário receitar outro tipo de medicamentos.

Por exemplo, “se o doente estiver deprimido, receitamos antidepressivos, e se o doente for muito instável pode ser necessário dar um estabilizador de humor”, refere.

A alimentação equilibrada e “as rotinas saudáveis” também ajudam na regulação da doença.

Além disso, salienta o especialista, “a intervenção psicoterapêutica e a psicoeducação, tanto em relação ao doente como à família, são muito importantes”. 

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“As pessoas têm de ser medicadas a vida toda, é verdade, mas hoje em dia, ao contrário do que acontecia antigamente, em muitos casos, as pessoas recuperam relativamente bem” e podem ter até uma vida integrada na sociedade.

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Esquizofrenia | Vitamina B3

14 Mar 2026 - 07:24

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