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A spirulina “é a comida com mais proteína”? Nutricionista responde

28 Fev 2026 - 08:15

A spirulina “é a comida com mais proteína”? Nutricionista responde

Num vídeo partilhado no TikTok sugere-se que a spirulina “é a comida que tem mais proteína”. Segundo o autor do post, este produto tem 57,5 gramas de proteína por 100 gramas de alimento. Será mesmo assim?

É verdade que a spirulina “é a comida com mais proteína”?

Em declarações ao Viral, Cláudia Marques, professora da NOVA Medical School (NMS), defende que, “no contexto de uma alimentação saudável, a spirulina está longe de ser a melhor fonte de proteína”. 

Aliás, sublinha, “nem sequer é o alimento com uma maior percentagem de proteína”. A gelatina neutra em pó, por exemplo, “tem 80% de proteína”, refere.

A investigadora explica que “a spirulina é um organismo aquático, unicelular que obtém energia a partir da fotossíntese”. Pertence “ao grupo das cianobactérias e é também designada como microalga”.

Regra geral, é utilizada como suplemento alimentar, em ou comprimidos. Como qualquer outro suplemento, a spirulina só deve ser utilizada com o conhecimento de um nutricionista ou de um médico.

“É um suplemento considerado seguro quando consumido entre 3 a 10 g por dia”, mas, “devido à sua riqueza em vitamina K, o seu consumo deve ser monitorizado nas pessoas que tomam anticoagulantes” (ver também aqui e aqui).

“Como não é consumida a ‘fresco’”, Cláudia Marques analisa a composição da spirulina em pó, “que tem naturalmente menos água e por isso os nutrientes estão mais concentrados”.

Além disso, quando se olha para a composição nutricional da spirulina, não se pode considerar apenas a composição por 100 g de alimento “dado que a porção habitual de consumo é de apenas 5 g, o equivalente a uma colher de chá de spirulina em pó”, sublinha.

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De acordo com a tabela, fornecida pela professora da NMS, “a porção que é habitualmente consumida é uma boa fonte de ferro e vitamina B1 e é rica em vitamina A e K”.

Em relação à proteína, “apesar da spirulina ter 60% de proteína, como a dose consumida habitualmente é de apenas 5 g, nessa dose temos apenas 3 g de proteína, o que corresponde apenas a cerca de 3% das necessidades diárias de um adulto médio”. 

Tal como tinha referido ao Viral a nutricionista Catarina Custódio, em declarações anteriores ao Viral, “a recomendação para suprimir as funções básicas” de proteína traduz-se em “0,8 gramas por quilograma” de peso corporal (ver também aqui).

“Um iogurte natural ou um ovo fornecem mais proteína”, exemplifica Cláudia Marques. “Um iogurte natural (125 g) fornece cerca de 5 g de proteína e um ovo (50 g) fornece cerca de 6 g de proteína”, adianta.

Outras fontes proteicas incluem: a carne, o pescado (peixe, marisco), leite e queijo (ver também aqui).

“A proteína destas fontes alimentares é completa, ou seja, tem todos os aminoácidos essenciais que precisamos”, explica a investigadora. 

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Além destas fontes de origem animal, “as leguminosas (grão, feijão, ervilhas) também são uma excelente fonte proteica (de origem vegetal) quando combinadas com os cereais (milho, trigo, arroz, etc)”, aponta.

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Alimentação

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Proteína | Spirulina

28 Fev 2026 - 08:15

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