A hepatite pode causar cirrose?
A causa mais comum de cirrose hepática, uma doença que leva à degradação do fígado, é a ingestão excessiva de bebidas alcoólicas. Mas não é a única. É verdade que a hepatite pode causar cirrose? Que tipos de hepatite podem evoluir para esta doença?
Confirma-se que a hepatite pode evoluir para cirrose?
Sim, a hepatite – sobretudo a hepatite C e/ou B provocadas por vírus – pode causar cirrose hepática (ver aqui, aqui, aqui e aqui).
Tal como se explica num texto do Instituto Nacional de Diabetes, Doenças Digestivas e Renais (NIDDK, na sigla inglesa), “a cirrose é uma doença em que o fígado apresenta cicatrizes e danos permanentes”.
“O tecido cicatricial substitui o tecido hepático saudável e impede que o fígado funcione normalmente” e, “à medida que a cirrose se agrava, o fígado começa a falhar”, acrescenta-se.
Esta degradação do fígado pode ter várias causas. Além da hepatite B e/ou C, pode ser provocada por “ingestão excessiva de bebidas alcoólicas”, “excesso de gordura no fígado” (sobretudo quando associada à obesidade e diabetes), “doenças autoimunes” (como cirrose biliar e hepatite autoimune) e “doenças metabólicas”, refere-se num texto do balcão digital do Serviço Nacional de Saúde (SNS 24).
A hepatite B é “uma infeção do fígado causada pelo vírus da hepatite B”, que “pode ser aguda (de curta duração e grave) ou crónica (de longa duração)”, explica-se no site da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Quando a hepatite B se torna crónica “pode causar graves problemas de saúde, incluindo danos no fígado, cirrose, cancro do fígado e até mesmo a morte”, sublinha-se num texto dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla inglesa).
Uma infeção pelo vírus da hepatite B pode ainda potenciar o desenvolvimento de hepatite D, uma infeção causada pelo vírus VHD, que “só consegue infetar pessoas que já estejam infetadas pelo vírus da hepatite B”, refere-se noutro texto dos CDC. O VHD tem, também, a capacidade de “causar sintomas graves e doenças graves que podem levar a lesões hepáticas e até à morte”.
A hepatite C também é uma infeção causada por um vírus. Neste caso, é comum os doentes “não apresentarem sintomas”, mas se a infeção não for tratada “pode causar danos graves no fígado”, como “cirrose” e “cancro do fígado”, lê-se num texto do Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS, na sigla inglesa).
Outra causa menos comum de cirrose hepática é a hepatite autoimune (que não é causada por um vírus, ao contrário das outras hepatites). Segundo outro texto do NIDDK, “a hepatite autoimune é uma doença crónica em que o sistema imunitário do organismo ataca o fígado, causando inflamação e danos hepáticos”.
Se a hepatite autoimune não for tratada, “pode agravar-se e levar a complicações, tais como cirrose e insuficiência hepática”.
Como se trata a cirrose causada por hepatite?
O tratamento da cirrose hepática depende “da causa” e “do grau de lesão hepática”, sublinha-se num texto da Fundação Americana do Fígado (ALF, na sigla inglesa).
“Podem ser utilizados medicamentos ou alterações no estilo de vida para o tratamento”, sendo que “os objetivos do tratamento são prevenir mais lesões hepáticas e reduzir as complicações”, explica-se no mesmo texto.
Em contexto de hepatite B crónica, “o tratamento antiviral está muitas vezes recomendado, atingindo-se o controlo do vírus na grande maioria dos casos”, refere-se noutro texto do SNS 24.
Embora o tratamento “não cure a infeção, tem o potencial de reduzir a lesão do fígado, prevenindo complicações a longo prazo”.
No caso da hepatite C, os medicamentos antivirais têm a capacidade de curar mais de 95% dos doentes com a infeção (ver aqui e aqui). Nos casos mais graves pode ser necessário fazer um transplante hepático.
A hepatite autoimune é tratada com medicamentos que suprimem ou diminuem a atividade do sistema imunitário, como corticosteroides e imunossupressores, “reduzindo o ataque do sistema imunitário ao fígado”, esclarece-se noutro texto do NIDDK.
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