A gota é mais comum nos homens?
A artrite é uma doença que provoca dor, inchaço e rigidez numa ou mais articulações. A gota é um tipo de artrite dolorosa que, normalmente, afeta uma articulação de cada vez. Como qualquer doença, existem vários fatores que aumentam o risco de desenvolver a doença. É verdade que a gota é mais comum nos homens?
Confirma-se que a gota é mais comum nos homens?
Sim, a gota é mais frequente nos homens (ver aqui, aqui e aqui). Segundo um texto do Instituto Portugues de Reumatologia (IPR), a gota afeta de dois a sete homens por cada mulher.
Tal como se explica no site da Arthritis Foundation, “a gota é causada por níveis elevados de ácido úrico (hiperuricemia)”.
Numa pessoa sem a doença, “o ácido úrico é eliminado através da urina e do suor”, mas nos doentes com gota “os níveis de ácido úrico são demasiado elevados para que o corpo os elimine totalmente”.
Assim, lê-se, “o ácido úrico acumula-se e forma fragmentos cristalizados que migram para as articulações inferiores, mais frequentemente para o dedo grande do pé”.
Estes fragmentos cristalizados “são como pequenos pedaços de vidro que rasgam o tecido e causam dor intensa” (ver também aqui).
Muitas vezes, a dor de uma crise de gota “pode deixar os doentes acamados e incapazes de andar durante vários dias”, acrescenta-se.
Os homens têm maior probabilidade de desenvolver gota, porque apresentam níveis mais elevados de ácido úrico do que as mulheres ao longo da vida, sobretudo devido a diferenças hormonais (ver aqui).
Além disso, as mulheres têm o “efeito protetor do estrogénio”. Esta hormona sexual feminina ajuda o organismo a excretar o ácido úrico de forma mais eficiente.
A proteção mantém-se até à menopausa, altura em que o risco de gota nas mulheres aumenta significativamente, embora, regra geral, continue a ser inferior ao dos homens.
Quais os outros fatores de risco?
Além de “ser homem” e da menopausa, existem outros fatores que aumentam o risco de desenvolver gota. Segundo um texto do National Institute of Arthritis and Musculoskeletal and Skin Diseases (NIAMS), “ter antecedentes familiares de gota”, “o avanço da idade”, “consumir álcool”, “consumir bebidas açucaradas (como refrigerantes)”, “ter uma alimentação pouco saudável” e “consumir alimentos ricos em purinas (geralmente de origem animal)” são fatores de risco para a gota.
Também há algumas condições de saúde que aumentam o risco de desenvolver gota, tais como: excesso de peso ou obesidade; síndrome metabólica; doença renal crónica; hipertensão arterial; “condições que levam a uma renovação celular rápida, como a psoríase ou alguns tipos de cancro”; e “condições genéticas raras” que levam ao aumento de ácido úrico.
Além disso, acrescenta-se no mesmo texto, alguns medicamentos podem contribuir para este risco. Alguns exemplos são: diuréticos, aspirina em doses baixas, niacina (quando tomada em grandes quantidades) e ciclosporina – “um imunossupressor para pessoas que receberam transplantes de órgãos” e aprovado “para o tratamento de algumas doenças autoimunes”.