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“A fruta da obesidade”: Quem quer emagrecer não pode comer manga, uvas e banana?

10 Mai 2026 - 08:15
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“A fruta da obesidade”: Quem quer emagrecer não pode comer manga, uvas e banana?

Num vídeo partilhado no TikTok defende-se que quem está a tentar emagrecer não pode comer manga, uvas e banana. O autor destas declarações vai mais longe e refere-se à manga como “a grande fruta da obesidade”. Em causa, estará o elevado teor de açúcares destas frutas. Mas é mesmo necessário retirá-las da alimentação para emagrecer?

A manga é a “fruta da obesidade”? 

Em declarações ao Viral, a nutricionista Catarina Custódio adianta que associar diretamente o consumo de manga ou de qualquer outra fruta ao desenvolvimento de obesidade “é quase criminoso”.

Em primeiro lugar, explica, as frutas contêm uma série de nutrientes, além dos açúcares que estão naturalmente presentes: “têm fibra, água, vitaminas e outros compostos bioativos”. Isto é, representam “uma matriz alimentar muito complexa e não são apenas uma fonte de açúcares isolados”.

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Assim sendo, “a resposta metabólica do nosso organismo ao consumo de fruta vai ser muito diferente, por exemplo, da resposta ao consumo de um produto ultraprocessado rico em açúcares adicionados”.

Além de não existir evidência científica que prove uma ligação direta e causal entre o consumo de determinados tipos de fruta e a obesidade, Catarina Augusto sublinha que “a fruta tem sido, na verdade, associada a um menor risco de obesidade”.

Exemplo disso é uma revisão publicada na revista Nutrients em 2016 que analisou vários estudos sobre o impacto do consumo de fruta na obesidade. Os investigadores concluíram que “os efeitos anti-obesidade da fruta são, na maioria dos casos, superiores aos efeitos pró-obesidade”.

Segundo os autores do estudo, a fruta pode influenciar negativamente o balanço energético através de dois mecanismos: “fornecendo menos energia [calorias] por porção e reduzindo a ingestão diária de alimentos ao prolongar a saciedade”. Ou seja, comer fruta poderá ajudar a consumir menos calorias ao longo do dia.

A mesma ideia é reforçada por uma revisão sistemática sobre o impacto do consumo de fruta inteira e fresca na ingestão energética e na adiposidade publicada em 2019. Os autores sugerem que “aumentar o consumo de fruta inteira e fresca provavelmente não aumenta a adiposidade, tendo antes um impacto nulo ou uma contenção modesta” do tecido adiposo (gordura).

Segundo os investigadores, a evidência sugere que, mesmo que o teor de açúcar da fruta possa favorecer um maior consumo energético, este efeito é compensado pelas restantes propriedades da fruta, como “uma menor densidade calórica, um valor moderado de palatabilidade/recompensa, um maior teor de fibra e o conteúdo em micronutrientes, pelo menos quando consumida no âmbito de padrões alimentares típicos”.

Para emagrecer é preciso deixar de comer banana, uva e manga?

Quando o objetivo é emagrecer, é fundamental que exista um balanço energético negativo, ou seja, que as calorias consumidas sejam inferiores às calorias gastas.

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Assim sendo, desde que a meta calórica diária seja respeitada, é possível incluir frutas com mais açúcar e mais calorias – como a manga, a uva e a banana – num plano alimentar que vise o emagrecimento.

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Catarina Custódio diz que, numa dieta para perder peso, é uma possibilidade “dar preferência a outras frutas com um valor calórico mais baixo – com o melão, a melancia, os frutos vermelhos e os morangos -, porque têm menos calorias por 100 gramas” do que frutas como a manga, a uva e a banana. Esta troca permite que “a pessoa possa comer um volume maior e ingerir menos calorias”.

No entanto, frisa, “isso não impede de todo que, nas quantidades ajustadas, quem quer emagrecer possa ingerir qualquer tipo de fruta, desde que faça sentido dentro dos valores calculados em termos de energia e de macronutrientes para aquela dieta específica”.

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Obesidade

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Alimentação | Banana | Manga | Uvas

10 Mai 2026 - 08:15

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