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Vacinas são a causa? 3 mentiras virais sobre o autismo

2 Abr 2026 - 08:15

Vacinas são a causa? 3 mentiras virais sobre o autismo

Estima-se que, em 2021, cerca de 1 em cada 127 pessoas tinha uma perturbação do espectro do autismo, um conjunto de condições do neurodesenvolvimento com manifestações que variam, em tipo e grau, de pessoa para pessoa. Um traço comum, porém, são as dificuldades persistentes na comunicação e interação social, assim como padrões de comportamento, interesses ou atividades restritos e repetitivos.

No Dia Mundial da Consciencialização do Autismo, que se assinala, todos os anos, a 2 de abril, recordamos três mentiras virais sobre as perturbações do espectro do autismo.

Mentira n.º 1: As vacinas causam autismo

Uma das mentiras mais virais (e duradouras) relacionadas com o autismo é a tese de que as vacinas são a causa da doença.

Esta crença sem fundamento surgiu quando, no final dos anos 90, um estudo publicado na revista Lancet – que tinha como investigador principal Andrew Wakefield – levantou a hipótese de a toma da vacina tríplice viral (contra o sarampo, a papeira e a rubéola) estar associada ao desenvolvimento de perturbações do espectro do autismo.

No entanto, além de essa hipótese ter sido contrariada (e nunca provada) em várias investigações, o estudo de Wakefield foi desacreditado e considerado fraudulento, devido a problemas metodológicos e éticos na realização da investigação.

Doze anos após a publicação do estudo em causa, o órgão que regula a prática médica no Reino Unido (o General Medical Council) declarou que Wakefield tinha conduzido a investigação de forma “desonesta e irresponsável”, tendo o médico ficado proibido de exercer naquele país.

No seguimento deste parecer, a revista Lancet decidiu retirar dos seus arquivos o estudo de Andrew Wakefield, dado ter-se tornado “claro” que “vários elementos do artigo” estavam “incorretos”.

Até hoje, não há evidência científica de que as vacinas causem autismo. Aliás, a conclusão de todas as investigações sérias e robustas realizadas antes e depois de essa hipótese ter sido levantada foi a mesma: a toma de vacinas não está associada ao desenvolvimento de perturbações do espectro do autismo.

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Exemplo disso é o relatório “Efeitos adversos das vacinas: Evidência e Causalidade” publicado, em 2012, pela Academia Nacional de Medicina dos Estados Unidos que concluiu que a vacina tríplice viral (MMR, na sigla inglesa) “não está associada ao autismo ou à diabetes infantil”.

Pode ler mais sobre o assunto neste artigo:

Mentira n.º 2: Paracetamol na gravidez é a causa do aumento dos casos de autismo

Em setembro de 2025, declarações polémicas de Donald Trump sobre a (suposta) relação entre a toma de paracetamol durante a gravidez e o aumento do número de casos de autismo geraram forte contestação por parte de investigadores e profissionais de saúde.

Numa conferência de imprensa na Sala Oval na Casa Branca, Donald Trump alegou que “o uso de paracetamol (comumente conhecido como Tylenol, nos Estados Unidos da América) durante a gravidez pode estar associado a um grande risco de autismo”. 

Segundo o presidente dos EUA, a toma deste medicamento na gravidez seria o motivo do aumento do número de casos de autismo. Por isso, recomendava que as grávidas não tomassem paracetamol, a não ser “em casos de febre extremamente alta”, que não se consiga suportar.

Na altura, o psiquiatra Carlos Filipe e o especialista em Medicina Geral e Familiar Paulo Santos adiantaram, em declarações ao Viral, que não há evidência científica robusta de que tomar paracetamol durante a gravidez aumenta o risco de autismo, ao contrário do que disse Trump.

Os médicos explicaram que o autismo tem principalmente causas genéticas e que fatores como a idade dos pais podem influenciar o risco, mas de forma limitada.

Quanto ao paracetamol, estudos observacionais sugerem alguma associação, mas quando se considera a herança genética, essa ligação desaparece. 

Por isso, os especialistas sublinharam que não há evidência para alarmismo: o paracetamol continua a ser considerado seguro durante a gravidez.

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Poucos dias depois do discurso de Trump, a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um comunicado a destacar que “não há evidências científicas conclusivas que confirmem uma possível ligação entre o autismo e o uso de acetaminofeno (também conhecido como paracetamol) durante a gravidez”.

No esclarecimento publicado pela OMS, sublinha-se que, “embora a consciencialização e o diagnóstico tenham melhorado nos últimos anos, as causas exatas do autismo ainda não foram estabelecidas, e acredita-se que vários fatores possam estar envolvidos”.

A OMS adianta que, nos últimos anos, “foram realizadas investigações extensas, incluindo estudos em grande escala, para investigar as ligações entre o uso de paracetamol durante a gravidez e o autismo”. No entanto, “até o momento, nenhuma associação consistente foi estabelecida”.

Pode ler mais sobre o assunto neste artigo:

Mentira n.º 3: Tratamento com dióxido de cloro cura o autismo

Num vídeo do Facebook com quase 4 mil gostos, alegava-se que seria possível “reverter o autismo” através de um tratamento com “dióxido de cloro”. No entanto, além de esta teoria não ter fundamento científico, a exposição a esta substância apresenta riscos conhecidos para a saúde.

Em primeiro lugar, tal como se explica neste artigo do Viral, não existe cura para as perturbações do espetro do autismo.

Várias organizações internacionais de saúde publicaram textos informativos a alertar para os potenciais perigos de supostas curas para o autismo.

Por exemplo, no site da Food and Drug Administration (FDA), uma agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, adianta-se que “os produtos ou tratamentos que afirmam curar o autismo são enganosos e ilusórios, porque não há cura para o autismo”.

A utilização de dióxido de cloro – também conhecido como Solução Mineral Milagrosa (MMS, na sigla inglesa) – neste contexto, é assinalada, pela FDA, como um tratamento que não provou ser eficaz e que põe em risco a saúde.

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No mesmo sentido, o Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS, na sigla inglesa), num texto sobre “tratamentos não recomendados para o autismo”, inclui a utilização de dióxido de cloro numa lista de tratamentos “falsos” e “prejudiciais” para a saúde.

Pode ler mais sobre o assunto neste artigo:

2 Abr 2026 - 08:15

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