A apneia do sono é um fator de risco para a diabetes?
A privação e as patologias do sono têm um impacto negativo comprovado no bem-estar e em várias doenças. Será que a síndrome de apneia obstrutiva do sono é um fator de risco para a diabetes?
É verdade que ter apneia do sono aumenta o risco de desenvolver diabetes?
Sim, a apneia do sono é um fator de risco para a diabetes (ver aqui, aqui e aqui).
Tal como se esclarece num texto publicado no site do balcão digital do Serviço Nacional de Saúde (SNS 24), a apneia do sono “é um distúrbio respiratório do sono caracterizado pelo breve mas frequente bloqueio das vias respiratórias, que provoca interrupções da respiração totais (apneias) ou parciais (hipopneias) durante o sono”.
Por outras palavras, “ocorre um relaxamento excessivo dos músculos da via aérea superior” resultando no bloqueio da respiração normal.
Uma das principais complicações desta síndrome “é o aumento do risco de ocorrência de acidentes laborais e de viação, como consequência da sonolência diurna excessiva”, refere-se no mesmo texto.
Além disso, a apneia do sono “está associada ao aparecimento ou desenvolvimento de problemas cardiovasculares”, como hipertensão arterial, diabetes tipo 2, AVC, arritmias e insuficiência cardíaca (ver também aqui).
Embora a apneia do sono não cause diretamente a diabetes, “constitui um fator de risco para a diabetes tipo 2 e demonstrou aumentar a resistência à insulina, mesmo em pessoas não diabéticas e sem excesso de peso”, explica-se num texto da Sleep Foundation.
O inverso também se verifica, ou seja, a diabetes também é um fator de risco para a apneia do sono (ver aqui). Na declaração de consenso da Federação Internacional de Diabetes (IDF, na sigla inglesa) sobre este assunto sublinha-se que a diabetes tipo 2 e a apneia do sono “são patologias comuns e com frequência coexistentes”.
A evidência mostra que a apneia do sono está associada não só à diabetes tipo 2, mas às doenças cardiovasculares, num todo. “É provável que mais de metade das pessoas com diabetes tipo 2 sofram de alguma forma de perturbação do sono” e que “até um terço” tenham apneia do sono “num grau para o qual é recomendado tratamento”, lê-se no mesmo documento.
Além disso, “as estimativas sugerem que até 40%” das pessoas com apneia do sono “terão diabetes”.
Tanto uma condição como a outra “são mais comuns em pessoas com excesso de peso e obesas”, refere-se no texto da Sleep Foundation.
Contudo, a apneia do sono “parece afetar a resistência à insulina e o controlo da glicose mesmo após o controlo da obesidade”.
Isto porque esta síndrome “não só causa fragmentação do sono” como também “interrompe periodicamente o fornecimento de oxigénio ao corpo”. Em conjunto, “estes efeitos conduzem à resistência à insulina e a um metabolismo da glicose prejudicado”, explica-se.
Assim, “a IDF recomenda que os profissionais de saúde que trabalham em ambas essas áreas adotem práticas clínicas que assegurem que um indivíduo que se apresenta com uma das patologias referidas seja investigado em relação à outra”.
Por um lado, as pessoas com apneia do sono devem fazer um rastreio de rotina “relativamente a marcadores de alterações metabólicas e risco cardiovascular”, sublinha-se na declaração de consenso.
A avaliação mínima deve incluir o perímetro abdominal, a pressão arterial e o perfil lipídico e a glicemia em jejum.
Se confirmada, deve-se tratar a diabetes tipo 2 que passa, sobretudo, pela implementação de alterações de estilo de vida (como, ter uma alimentação saudável, praticar exercício físico regular e não fuma), pela perda de peso (em caso de excesso de peso ou obesidade) e pela toma de medicamentos orais ou injetáveis (em que se inclui – ou não – a insulina).
Noutro plano, a possibilidade de existência de apneia do sono “deve ser considerada na avaliação de todos os indivíduos com diabetes tipo 2 e síndrome metabólica”, lê-se no documento da IDF.
Os doentes devem ser avaliados relativamente à sintomatologia da apneia do sono e, se o diagnóstico se confirmar, devem ser referidos a um especialista.
Segundo o texto do SNS 24, “as principais formas de tratamento desta síndrome” incluem: uma boa higiene do sono; perda de peso (em caso de excesso de peso ou obesidade); e “ventiloterapia durante o sono”, através da utilização de uma máscara nasal ou facial.
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