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A ansiedade pode desencadear crises de enxaqueca?

9 Mai 2026 - 08:15
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A ansiedade pode desencadear crises de enxaqueca?

A enxaqueca é uma doença crónica e debilitante que se distingue das dores de cabeça comuns pela sua intensidade e pelos sintomas associados. Mesmo quando a doença está a ser tratada e controlada, há vários fatores – ambientais, fisiológicos ou alimentares – que podem desencadear crises de enxaqueca. Será a ansiedade um dos possíveis gatilhos?

É verdade que a ansiedade pode desencadear crises de enxaqueca?

Sim, a ansiedade é um dos fatores que desencadeia crises de enxaqueca com mais frequência (ver aqui, aqui, aqui e aqui).

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Tal como se explica na secção de perguntas e respostas do site da Sociedade Portuguesa de Cefaleias (SPC), “existe uma série de fatores desencadeantes das crises, ou seja, situações que em pessoas sem enxaqueca não têm qualquer consequência, mas que nas pessoas com enxaqueca levam a que apareça uma crise”. 

Estes fatores “não são iguais para todas as pessoas com enxaqueca e vão variando ao longo da vida”.

Existem muitos possíveis gatilhos, mas os mais comuns são: “fatores hormonais, nas mulheres, como a menstruação, a ovulação ou a toma da pílula”; “fatores climáticos, como tempo quente, enevoado e abafado”; “estímulos olfativos, visuais ou sonoros”; “fatores alimentares como jejum prolongado”; e “fatores psicológicos”, tais como “a ansiedade”, “o stress” e “a depressão”.

A relação entre a enxaqueca e a ansiedade é bidirecional, ou seja, “a ansiedade aumenta o risco de enxaqueca e vice-versa”, adianta-se num texto da Association of Migraine Disorders.

As perturbações de ansiedade, como a perturbação de ansiedade generalizada, a perturbação de pânico e a fobia social, “são mais comuns em pessoas com enxaqueca do que na população geral”, sublinha-se num texto da National Headache Foundation.

Apesar de ser evidente que existe uma ligação entre a ansiedade e a enxaqueca, as possíveis razões para tal são menos evidentes.

Os estudos disponíveis identificaram fatores hormonais e psicológicos, a genética, a disfunção de serotonina, a desregulação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA) e um histórico de traumatismo cranioencefálico como possíveis ligações entre ambas as doenças (ver aqui).

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Em relação aos fatores hormonais, sabe-se que “a enxaqueca e a ansiedade têm maior probabilidade de ocorrer em mulheres”, refere-se no texto da Association of Migraine Disorders.

Isto porque “o estrogénio ajuda a produzir serotonina e, quando não é produzida serotonina suficiente (por exemplo, durante o ciclo menstrual), isso pode resultar em alterações de humor e/ou ansiedade”. 

Aqui entra também a disfunção serotoninérgica. “A serotonina é considerada o neurotransmissor da ‘felicidade’ e verificou-se que níveis baixos de serotonina são uma característica comum entre pessoas com enxaqueca, bem como entre pessoas com ansiedade”, lê-se no mesmo texto.

Por outro lado, o eixo HPA “regula o stress, a memória e as emoções”, por isso, “níveis anormais de hormonas do stress controladas pelo eixo HPA têm sido associados à enxaqueca”. Também se identificaram “alterações no eixo HPA entre pessoas com perturbações de ansiedade”.

No âmbito dos fatores psicológicos, o stress pós-traumático, “o abuso emocional e físico, bem como um histórico de eventos adversos na infância, são fatores de risco que podem aumentar a probabilidade de desenvolver ansiedade e enxaqueca”.

Em que situações é comum a enxaqueca e a ansiedade coexistirem?

Por norma, a ansiedade relacionada com a enxaqueca decorre da incerteza em torno das crises de enxaqueca. 

Segundo a National Headache Foundation, as preocupações mais comuns são: “a antecipação da dor”, ou seja, o “receio de quando a próxima enxaqueca irá surgir pode criar um estado constante de ansiedade”; e o receio de perder eventos importantes, trabalho ou atividades sociais devido a uma crise de enxaqueca”.

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A ansiedade “também pode ser desencadeada por preocupações com decisões de vida mais importantes, tais como oportunidades profissionais ou planeamento familiar, que podem ser afetadas pela enxaqueca”.

Além disso, “a preocupação com a forma como a enxaqueca afeta as relações, as finanças e a gestão geral da vida pode agravar a ansiedade”, acrescenta-se.

Como se trata um doente que tem enxaqueca e uma perturbação de ansiedade?

Segundo um texto da Anxiety & Depression Association of America (ADAA), o médico que trata uma pessoa com uma perturbação de ansiedade e enxaqueca “enfrenta desafios terapêuticos específicos”.

Neste contexto, pode ser receitado um medicamento que seja eficaz tanto para a perturbação de ansiedade como para a enxaqueca, “como é o caso de alguns antidepressivos tricíclicos e inibidores da monoamina-oxidase”. 

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Também é importante que o profissional de saúde acompanhe “quaisquer efeitos secundários para garantir que a medicação para a ansiedade não agrava as dores de cabeça ou vice-versa”.

Nestes casos, deve ainda ser considerada a terapia cognitivo-comportamental.

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Neurologia

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Ansiedade | Enxaqueca

9 Mai 2026 - 08:15

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