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A anemia pode evoluir para leucemia? 

21 Dez 2025 - 08:45
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A anemia pode evoluir para leucemia? 

Muitas pessoas acreditam que a anemia pode evoluir para leucemia. Mas será verdade, ou não passa de um mito? A hematologista clínica Cátia Lino Gaspar responde.  

A anemia pode dar origem à leucemia? 

Não, a anemia não origina leucemia, mas pode ser um sintoma da doença. Como explica a hematologista clínica Cátia Lino Gaspar, “a anemia é uma consequência da alteração da função medular, uma vez que esta se encontra doente”. 

“Em doentes com leucemia, existe uma infiltração medular por células leucémicas, havendo uma menor produção das células progenitoras de glóbulos vermelhos e por consequência a instalação da anemia”, acrescenta a especialista. 

Quer isto dizer que a leucemia até pode causar anemia, mas o contrário não ocorre. 

O desenvolvimento de anemia é bastante comum em pessoas com cancro. Segundo um artigo publicado na Revista Cuidarte, sabe-se que “até 70% dos pacientes oncológicos apresentam anemia em alguma fase da doença ou tratamento, principalmente durante a quimioterapia, como uma forma de toxicidade do tratamento”. 

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O artigo de revisão Iron deficiency in cancer patients, publicado na Revista Brasileira de Hematologia e Hemoter, salienta que a incidência e a gravidade da anemia dependem do tipo de tumor, da idade do doente, do estadio da doença e do tipo e intensidade do tratamento. 

Quais são os sintomas, diagnósticos e tratamentos que distinguem anemia de leucemia?

Antes de mais, é preciso perceber que existem vários tipos de leucemia, mas para simplificar, podemos separá-las em aguda e crónica, sintetiza Cátia Lino Gaspar.

A leucemia aguda é “bastante grave” e desenvolve-se rapidamente, em questão de dias ou poucas semanas. Por outro lado, a leucemia crónica tem um comportamento mais lento e “insidioso”, permitindo ao “doente viver longos anos sem necessidade de tratamento”, esclarece a hematologista clínica.

Quanto à anemia, conforme a causa que a origina, também existe mais do que um tipo. Esta condição de saúde pode ser classificada como “hereditária (causada por mutações genéticas que comprometem tanto a produção quanto a vida útil dos glóbulos vermelhos) ou adquirida ao longo da vida”, lê-se no site do Serviço Nacional de Saúde (SNS)

Os sinais e sintomas de anemia e leucemia podem ser muito semelhantes. Ambas podem causar palidez, cansaço, falta de energia, fraqueza e dores musculares.

Podendo ser “difícil diferenciar, deste modo, quem é quem” apenas com base nesses sintomas, é necessário realizar exames específicos para identificar a leucemia e/ou anemia.

Tanto a anemia como a leucemia podem ser detetadas através de análises ao sangue. Contudo, no caso da leucemia, para se confirmar o diagnóstico deve ser “efetuado um estudo medular através de um mielograma”.

Em relação ao tratamento da anemia, geralmente, requer suplementação com vitaminas, como ácido fólico ou vitamina B12, e/ou ferro.  Por outro lado, o tratamento da leucemia é mais complexo e “passa por quimioimunoterapia”.  

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Quer isto dizer que o tratamento da anemia passa por “tratar a causa da mesma”.  

Por exemplo, “se a causa da anemia for uma leucemia, deverá tratar-se a leucemia”. Mas se for uma erosão gástrica que provoca “discretas hemorragias” e, por consequência, origina a perda de ferro, que leva à anemia, “o tratamento passa pela resolução das tais erosões e a suplementação com ferro de modo a contornar a perda induzida pela hemorragia”, exemplifica Cátia Lino Gaspar. 

Contudo, é preciso ter em conta que tratar a anemia não reduz o risco de surgir leucemia, uma vez que “esse risco está associado a outros pormenores como a exposição a radiação no passado, tratamento oncológicos no passado, ou a aquisição de determinadas mutações celulares que sejam responsáveis pela instalação da leucemia”, conclui a médica.

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Este artigo foi desenvolvido no âmbito do “Vital”, um projeto editorial do Viral Check e do Polígrafo que conta com o apoio da Fundação Champalimaud.

A Fundação Champalimaud não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores da iniciativa.

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