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“A consulta não é uma ditadura”: Para os Twin Docs, “comunicar é um ato médico”

22 Mai 2026 - 08:59

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“A consulta não é uma ditadura”: Para os Twin Docs, “comunicar é um ato médico”

Pedro Barreira e João Vasco Barreira partilham mais do que o apelido: são irmãos gémeos e médicos. O João é oncologista; o Pedro, especialista em Medicina Geral e Familiar. Juntos, criaram a página de Instagram Twin Docs e o podcast Double Shift, onde falam de saúde de forma acessível e descontraída. Agora, acabam de lançar o livro “Saúde dos Pés à Cabeça”, editado pela Contraponto. É esse o ponto de partida para esta conversa com o Viral.

Pode ver a entrevista completa em vídeo aqui:

Criaram a página TwinDocs, que neste momento já tem mais de 65 mil seguidores, para esclarecerem questões relacionadas com saúde e também para ajudar a combater a desinformação que circula nas redes sociais sobre esta área. Agora, decidiram lançar o livro “Saúde dos Pés à Cabeça”. O que é que vos levou a passar esta missão para um livro? O que é que este formato físico acrescenta ao que já faziam no digital?

João Vasco Barreira (JVB): Isto prende-se não só por um desejo pessoal, mas também por um desafio que nos foi feito inicialmente pela Bertrand, pela Contraponto, e com o qual nós ficámos muito surpreendidos na altura, há dois anos, quando ainda não tínhamos este crescimento, e para nós fez sentido. E porquê? Porque olhámos para uma faixa etária dos nossos doentes, ali com 60, 70 anos, e pensámos: talvez seja o público ideal para nós conseguirmos ajudar [a navegar] nesta desinformação através de um livro, de uma prova física e não só através do scroll das redes.

Foi não só termos um formato físico que pudesse dar tempo e que a pessoa pudesse desfrutar dessa leitura, como também sair um bocadinho do imediato, do scroll e do viral, para algo mais contemplativo, que desse lugar a uma reflexão.

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Pedro Barreira (PB): É muito fácil aceder à informação online. O problema é como captá-la e como, no fundo, interpretá-la. E é isso que nós queremos fazer com este livro. Eu posso ir a uma ferramenta de inteligência artificial e pôr lá as minhas análises e o resultado dos meus exames e vai-me dizer: “provavelmente tem isto”, ou, “se calhar, tem cancro”, ou, “se calhar, tem de ir rápido fazer uma colonoscopia”. Mas depois chego ao consultório do médico e, se calhar, não é bem assim.

Sim, estas análises foram feitas, mas será que foram feitas em jejum? Será que há um problema de base, um antecedente familiar, uma medicação que eu faço habitualmente que altera o resultado? E o livro procura exatamente isso: dar compreensão para os resultados mais factuais do dia a dia, coisas básicas, porque o básico é muito difícil de compreender e de executar, muitas vezes.

Mas a ideia não é chegar apenas ao público de que o João falava, que é, de facto, uma camada que nos acompanha e de que gostamos muito, mas também perceber que as gerações mais novas – e nós já estamos quase nos 40 anos, portanto já temos quase cinco décadas de vida – possam, e cada vez mais sentem esse desejo, voltar a ler em papel físico, a ler de forma mais “real”. Obviamente, temos também a versão digital, mas trata-se sobretudo do livro em papel, para tentar chegar a uma camada mais jovem e fazer com que consigam novamente saber interpretar, ganhar tempo e não estar tão dependentes dos segundos no Instagram.

No livro sublinham que a literacia em saúde é o maior antídoto contra a desinformação. Que casos concretos vos chegaram ao consultório que ilustram os danos que a desinformação pode causar?

JVB: Se calhar, começava por uma muito simples: uma senhora na casa dos 40, 50 anos, jovem, ativa, não aplicava protetor solar, nem medidas de proteção física, ou seja, quando se expunha o sol na praia nas horas de maior intensidade de radiação UV, não tinha guarda-sol. Aliás, até colocava um óleo, porque acreditava que assim a pele ficaria mais preparada para o sol. E tudo isto foi feito com base em informação veiculada em sites e em informação do Instagram. 

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O que é certo é que a senhora veio a ser diagnosticada com melanoma no estadio 3. E o que isto significa? Que a lesão não era só localizada. Teve de se remover a lesão e teve de fazer terapêutica a seguir. Falamos de um cancro que, infelizmente, é um cancro que mata muito, porque as armas terapêuticas, apesar de ter havido aqui um desenvolvimento muito grande, ainda são escassas.

Numa situação tão simples como proteger a pele – que é o nosso maior órgão – contra os danos da radiação UVA e UVB, falamos, neste caso concreto, de uma senhora super ativa, integrada na sociedade e com trabalho em prol da comunidade, que não usava protetor solar nem outras medidas físicas, como chapéu ou guarda-sol, por causa de informação veiculada nas redes sociais. E isto teve uma tradução.

PB: Eu também tenho vários exemplos, nomeadamente, de pessoas que não fizeram a vacinação contra a Covid-19 e que tiveram sequelas, até mesmo a morte.

Eu vejo pessoas do zero ao 100. E temos cada vez mais pais que não querem vacinar os filhos para eles fazerem o Plano Nacional de Vacinação. Ora, isto para mim é um crime. Porquê? Porque há, de facto, algumas contas no Instagram, TikTok e nas outras redes sociais, em que passam a ideia de que a vacina tem um chip ou de estamos a ir em manada. Mas isto é mentira. O Plano Nacional de Vacinação português é dos melhores do mundo.

JVB: Uma das maiores vitórias do SNS é o nosso Plano Nacional de Vacinação tão robusto.

PB: E chega cada vez mais a gente à consulta – e não estou a falar de pessoas que não são instruídas; estamos a falar de pessoas que até têm um certo nível de literacia não na saúde, claramente, mas provavelmente financeira ou outra – que não sabe distinguir aquilo que é lido e dito online e depois executado na prática real.

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No livro vocês escrevem que a internet não é um inimigo, mas que não basta ter acesso à informação, é preciso saber saber o que fazer com ela. Com o crescimento da inteligência artificial, esse desafio ficou maior?

JVB: Sem dúvida que ficou maior, mas também nos ajuda, também pode ser um aliado. Porquê? Eu vejo isso nas minhas consultas de oncologia. A informação inicial que as pessoas têm na consulta, da primeira vez que nos conhecemos, é muito maior, que de outra maneira, sem o acesso a essas plataformas de inteligência artificial, não seria possível.

Agora, o chip da consulta muda. Já não é dizer a informação quase como se fosse uma novidade, mas é desconstruir a informação que a pessoa que está à minha frente tem. E sem medos, sem pudores, com calma. Porque a pessoa tentou perceber mais sobre o seu problema e eu tenho é de tentar ajudar a perceber que, de toda a informação que ela tem, alguma dela não é para o problema que ela tem.

Até porque, cada vez mais, nós falamos da personalização da Medicina. Muitas vezes, na consulta as pessoas dão o exemplo da tia, da prima ou do tio que teve o mesmo tipo de cancro. Mas esse cancro não é o dela, não é o daquela pessoa que está à minha frente. Então, aqui, onde é que a inteligência artificial me ajuda? Dá-me a base para eu depois construir nova informação e ir alicerçando, como se fosse um prédio tijolo a tijolo, para que perceba que afinal a doença que tem à frente é um bocadinho diferente daquilo que está na inteligência artificial. Mas alguma desta informação ajudou para que se desse o pontapé de partida.

PB: É uma bengala, é uma cábula boa, uma cábula que nós podemos usar, sem o professor estar ali à procura de saber se nós estamos a cabular ou não, a copiar ou não. É uma cábula que pode ser falada. E é muito importante isso. A primeira parte da consulta, muitas vezes, pode ser feita num aplicativo de inteligência artificial e nós agradecemos isso. Agora, a forma como depois a informação deve ser processada, dita, e o plano que pode ser traçado aí difere.

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JVB: Eu já tive situações em que, se não fosse a inteligência artificial, não teriam agendado a consulta. Ou seja, pode ser uma ajuda, mas é preciso calma, sensibilidade e bom senso.

PB: Basicamente, é ir ao VAR quando é necessário. Eu acho que os médicos são como um video-árbitro, servem para dizer: “não, para, não é golo”.

Falavam agora mesmo da importância da personalização da Medicina. Apesar de serem gémeos, são diferentes, e até mencionam no livro que um de vocês tem uma doença rara no esófago e o outro não. Como é que essa vossa experiência pessoal influenciou a forma como escreveram sobre a importância da personalização da medicina?

JVB: É exatamente isso que refere. Apesar de nós sermos muito idênticos, nós somos completamente diferentes e, se isso é válido para dois gémeos, imaginem o que é no dia a dia para todas as pessoas e para todas as pessoas que têm um determinado tipo de doença.

Eu tenho a acalásia, tenho uma doença rara. O Pedro não tem. E o que é facto é que a minha acalásia tem um comportamento diferente. Dentro do raro, depois, tem outra componente rara. Ou seja, se eu fizesse um tratamento standard, talvez não iria responder tão bem. E isto é muito válido – puxando aqui a brasa à minha sardinha – na oncologia. Nós não temos “one size fits all”. Um tratamento nem sempre vai funcionar num determinado tipo de cancro. E isto é uma descoberta recente. Na década de 1990 e no início dos anos 2000, nós usávamos quase o mesmo tratamento para todos os tipos de cancro. Agora, com o avançar da ciência, conseguimos ter aqui uma personalização do tratamento.

E nós queremos também espelhar isso no livro para que as pessoas percebam que não é por terem um problema que é muito comum e transversal a outras pessoas que conhecem que o tratamento vai ser idêntico.

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Então, no livro também tentamos explicar que não é por termos a mesma doença ou o mesmo problema que a solução vai ser a mesma.

PB: Nós temos todos um código genético, mas a forma como depois as doenças e os nossos genes vão se expressar vai ser diferente. E de facto, eu sou muito parecido ao João Vasco, mas somos tão diferentes que a mesma coisa se adapta na saúde.

Defendem que “comunicar é um ato médico” e que “tão importante quanto prescrever bem é explicar bem”. Este livro é também um manifesto contra aquela ideia antiga de que o médico é que dita as regras e o doente tem de acatar e cumprir sem questionar, quase passivamente?

JVB: É mesmo isso. Eu vou fazer aqui uma inconfidência. No início do Internato de Oncologia, eu até fui ensinado um bocadinho nos moldes antigos de que o que o senhor doutor diz é para acatar e não é para questionar. E na altura acabei por pensar: “Será que é mesmo assim? A minha maneira de pensar não é bem esta”.

Aliás, eu era doente naquela altura. Eu estava do lado de lá e a maneira como eu gostava que os médicos comunicassem comigo – e eu tive muita sorte nos médicos que fui tendo – era diferente. Eu tinha um papel ativo na consulta e era ouvido e era esclarecido.

E à medida que fui fazendo o internato de oncologia eu senti a necessidade de procurar ter formação nessa área porque é uma área que na nossa altura, há 15, 20 anos, não era muito falada.

Então, este livro acaba por ser, sem dúvida, um manifesto de que a consulta não é uma ditadura, é um diálogo. Claro que é um diálogo informado. Há um consentimento informado que tem que ser validado. Mas o que o médico diz não é um dogma, não é um ambiente ditatorial.

PB: Até porque pode haver uma segunda opinião.

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JVB: Sem dúvida. Claro que a pessoa que está apta para responder ao problema é o médico em questão, mas tem de haver um diálogo, e um diálogo saudável. Ou seja, transmitir a informação adaptando a linguagem à pessoa que está à nossa frente, dependendo da literacia e da vontade da mesma, mas deixá-la à vontade para questionar sobre todo o tipo de dúvidas. Eu digo sempre: “Não há dúvidas erradas. Não há vergonha aqui”. E, sem dúvida, uma segunda opinião é sempre possível.

PB: Se o doente estiver à vontade com o médico e disser: “Ó doutor, eu digo já que não vou fazer assim”. Podemos dizer: “Então, vamos traçar os dois aqui um plano para nos encontrarmos a meio da ponte”.

Mas é preciso ter confiança. E para haver confiança deste lado, do lado onde o médico está, não pode chegar lá e dizer “Ora bem, você vai fazer isto” de uma forma imperativa. Tem de ser uma conversa a dois. Obviamente, depois o júri acaba por ser o médico, porque o médico estudou para isso. Pode pontuar de 0 a 10 o seu doente. Pode levar um 0 o doente. Mas a verdade é que o doente vai continuar ali semana após semana nas suas galas e afins. Ou seja, vamos continuar a ver o doente.

Esta questão do diálogo leva tempo. Como é que se põe em prática isto em consultas, por exemplo, de 15 minutos?

JVB: É impensável. Em oncologia, eu tenho um bocadinho mais sorte porque eu tenho mais tempo: meia hora a quarenta minutos. Às vezes, estende-se mais, como é óbvio.

Mas, às vezes, por exemplo, numa situação muito prática em que a doença progrediu ou em que eu estou a dar um diagnóstico pela primeira vez, 40 minutos são como 5 segundos. É muito pouca informação. Então, tentamos ir fazendo vários takes, digamos assim, porque é muita informação para dar num só dia. Então, numa primeira consulta, agendamos várias consultas o menos espaçadas possível para termos um intervalo seguro.  Mas o tempo é essencial. Na minha especialidade acabamos por ter um bocadinho mais de tempo, mas na especialidade do Pedro é muito difícil.

PB: É impossível fazer uma consulta em 15 minutos é humanamente impossível, a não ser que seja só para uma renovação de receituário, que raramente o é. As consultas que eu faço têm um tempo de agendamento de 20 minutos, como é lógico, muitas vezes, ultrapassamos em larga escala esse tempo.

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Em 15 minutos, é impossível. Só chegar e apresentar-me, já começamos a chegar aos 5 minutos. E depois, então, pergunto “em que posso ajudar?” e a conversa flui. Rapidamente, chegamos aos 10 minutos e o doente ainda nem sequer começou a queixar-se dos sinais e sintomas.

JVB: Nós avisamos sempre os doentes: eu posso demorar tempo a atendê-la, posso demorar tempo a chamá-la, mas o tempo que estiver no meu gabinete é seu. Claro que isto depois se traduz em, às vezes, horas de atrasos, mas os nossos doentes vão sempre saber de que podem esperar pela consulta, mas o tempo que estiverem sentados à nossa frente é todo seu.

PB: É verdade, mas também digo outra coisa. Raramente chego atrasado, porque eu não gosto do clássico do médico que chega horas atrasado. Eu acho isso uma falta de educação. 

Mas, de facto, 15 minutos é impossível. A Ordem dos Médicos lavrou um documento a balizar quanto tempo é exequível para uma primeira consulta. E a primeira consulta seria de quase uma hora: 40 minutos. Não há esse tempo e sabemos que, infelizmente, em saúde, tempo é dinheiro.

Um de vocês, o João, é oncologista. No livro, dedicam várias páginas ao cancro, um tema que para muitas pessoas ainda é um tabu, por ser ainda muito associado a uma sentença de morte. Porque é tão importante falar deste tema sem medo e sem rodeios?

JVB: É precisamente para desconstruir isso, porque uma doença oncológica pode ser uma doença crónica cada vez mais. Se detetada precocemente, e mesmo não precocemente. Vamos supor que é uma doença metastática – ou seja, que infelizmente já está espalhada -, existe atualmente medicação para situações dessas. Vai depender do caso, como é óbvio, eu estou a generalizar, mas nós já conseguimos cronificar um cancro. Na década de 1980 era quase impossível.

Nós queremos falar abertamente sobre isto e mostrar aos nossos leitores que, afinal, uma doença oncológica pode ter uma solução crónica. Ou seja, a minha causa de morte, se nós quisermos pôr em cima da mesa, não vai ser o cancro, vai ser outro tipo de doença. Queremos que a pessoa sinta que pode falar abertamente sobre isso e não ter medo de falar com os amigos, com os familiares e com os outros profissionais de saúde, psicólogo ou terapeuta.

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Acho que a nossa geração está a fazer um bom trabalho relativamente a isso e é um trabalho que tem de ser mantido e ampliado. Mas acho que quanto mais falarmos sem pudor e sem medo de dizer a palavra cancro, mais fácil fica para toda a sociedade se ajudar a ela própria e tornar um período da vida da pessoa complexo em algo talvez mais leve.

No final do livro têm uma secção, a que chamam “um check-up à sua saúde”, em que apresentam uma lista de 32 perguntas para convidar o leitor a refletir sobre os seus hábitos, comportamentos, rotinas e estado de saúde. Na vossa perspectiva, em quais destes pontos é mais urgente os portugueses refletirem hoje sobre a sua saúde?

PB: Facilmente respondo: sedentarismo e alimentação. Coisas tão básicas quanto isto. 

JVB: Portugal é, sem dúvida, campeão relativamente a doenças cardiovasculares. E é um problema que pode ser evitado com aquilo que todos nós sabemos: se a pessoa se mexer, se tiver uma nutrição boa e se cuidar dela do ponto de vista físico e mental… e se olhar para esses capítulos e vir a nossa proposta relativamente àquilo que deve fazer e se se preocupar inicialmente com critérios tão simples como a saúde cardiovascular.

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Isto passa por exercício físico, nutrição e controlar o colesterol, mas isso implica um papel ativo de ir ao médico de família e falar com ele e com todos os profissionais de saúde envolvidos, com o nutricionista, com o fisiologista do exercício.

E o que é que pretendemos com esta parte do livro? Tentar capacitar as pessoas para perceberem que, ao chegarem aos 40, 50 ou 60 anos, não podem continuar a dizer: “Nunca fui ao médico”, “Nunca fiz uma colonoscopia” ou “Nunca fiz análises de controlo”. Temos de desconstruir essa ideia e começar a prevenção mais cedo. Não é entrar em excessos. O que nós queremos é tentar normalizar a ida ao médico de família, porque o que nós queremos é prevenir.

PB: De facto, a alimentação e o exercício físico são um pilar da nossa sociedade. Portugal tem peixe maravilhoso. Nós temos uma cultura e uma agricultura maravilhosa. Gabam-nos os nossos restaurantes, a nossa comida. Somos conhecidos mundialmente. 

E depois temos também o outro lado do exercício físico. Todos nós sabemos que requer disciplina, às vezes, aptidão para fazer. Mas, muitas vezes, na correria do dia, nem meia hora nós tiramos para fazer uma série de exercícios em casa. Mas, se calhar, temos meia hora para estar a ver e a ouvir uma coisa que gostamos muito.

Ora, o exercício físico, de facto, vai melhorar não só a nossa autoestima, mas melhorar a orgânica do nosso corpo. E também a nossa saúde mental. Não nos esqueçamos disso, é muito importante. Vai haver uma diferença muito grande quando nós chegarmos aos 80, 90 anos. A longevidade das pessoas é cada vez maior, mas é preciso treiná-la agora nos 30, 40, 50 anos, porque a grande diferença vai notar-se a partir dos 60, 70, 80 anos.

Tu vês um rapaz com 60 anos e pensas “ah, ele já deve ter feito uma cirurgia plástica, um lifting, uma lipoescultura”, mas não fez. Foi disciplina acumulada, porque o corpo tem memória.

Ora, nunca é tarde para começar, é verdade, e estamos sempre a aprender coisas novas, mas a verdade é que quanto mais cedo, melhor. Daí que a educação dos nossos pais é bastante importante, sejam eles biológicos ou pais de vida, e a escola tem um papel importante, mas não é só a escola que tem de ter um papel importante. Nós temos que ser responsabilizados pelas nossas escolhas.

JVB: Nós temos direitos e deveres e é isso que pretendemos nesta parte destes capítulos: capacitar e dar um bocadinho de informação para as pessoas refletirem e verem que, se calhar, está na altura, de começar a fazer alguma coisa.

PB: E talvez com a leitura do nosso livro se abra um novo capítulo.

22 Mai 2026 - 08:59

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