João Sérgio Neves: “O papel do médico como simples prescritor é algo que o futuro doente vai deixar de aceitar”
João Sérgio Neves é o presidente do Congresso Português de Endocrinologia, que decorre de 29 de janeiro a 1 de fevereiro de 2026, no Convento de São Francisco, em Coimbra. A reunião anual da especialidade junta médicos e investigadores de todo o país para discutir os avanços mais recentes numa área que vai muito além da diabetes e da obesidade.
Em entrevista ao Viral, João Sérgio Neves fala sobre os principais destaques desta edição do congresso, do papel das novas terapêuticas de tratamento da obesidade e dos desafios associados ao combate à desinformação nas redes sociais e ao crescimento do uso de inteligência artificial no contexto clínico.
No final deste mês, endocrinologistas de todo o país vão-se reunir no Congresso Português de Endocrinologia para discutir os temas mais relevantes e atuais desta área. Quais são os destaques incontornáveis desta edição?
A endocrinologia é uma área muito abrangente e nós tentamos sempre garantir que fazemos a atualização em todas as áreas da endocrinologia que são relevantes. Obviamente, temos áreas onde temos mais novidades, outras onde temos menos novidades. Temos a endocrinologia toda ela representada, portanto, desde a área da diabetes, da obesidade, tiroides, paratiroides, hipófise, a área da endocrinologia reprodutiva, da endocrinologia oncológica. A endocrinologia é realmente muito abrangente.
Temos um tópico interessante e transversal, logo na nossa conferência de abertura, que são os disruptores endócrinos, em que nós convidamos uma expert internacional que nos vai falar das consequências para a saúde e de algumas recomendações políticas práticas. Portanto, é algo que nós vemos com muita expectativa, até porque vai ter um impacto transversal em várias áreas da endocrinologia.
Outra das áreas onde existe um grande desenvolvimento é na obesidade, nomeadamente com os novos fármacos de obesidade. Vamos ter várias sessões onde se vai discutir a obesidade, a relevância da obesidade, a forma como podemos tratar a obesidade.
Na área da diabetes, uma das conferências mais interessantes vai ser sobre a relação entre a diabetes e o cérebro. Fala-se muito sobre se a diabetes pode levar a um maior risco de doenças neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer, e quais é que podem ser os mecanismos. Isto é também algo que é muito importante termos em consideração e que se pretende discutir.
Vamos também falar sobre a terapêutica da menopausa. Também é uma das áreas onde têm surgido várias novidades farmacológicas e não farmacológicas. E vamos discutir como é que em populações especiais pode ser feita esta terapêutica da menopausa.
Outro dos tópicos que também é uma novidade é o rastreio da diabetes tipo 1. A diabetes tipo 1 é uma doença autoimune. E nós, hoje, sabemos que conseguimos identificar, alguns anos antes, estas pessoas, ainda antes de a pessoa ter a glicemia elevada, com anticorpos típicos da diabetes tipo 1.
E o identificá-las mais cedo pode ajudar a prepará-las para a doença, mas também pode dar-lhes a possibilidade de fazer alguns fármacos para prevenir o desenvolvimento da doença, ou pelo menos atrasar.
E, se calhar, só para salientar mais um ponto, temos aqui a área do hipoparatiroidismo. As paratiroides, que regulam os novos níveis de cálcio, como estão muito próximas da tiroide, às vezes, em cirurgias da tiroide são danificadas e o doente fica com hipoparatiroidismo. O tratamento é desafiante, também há novas soluções terapêuticas que vão ser discutidas.
Como disse, ainda agora, nos últimos tempos, temos assistido a uma transformação muito significativa no tratamento de obesidade, muito impulsionada por estes novos fármacos, nomeadamente os análogos de GLP-1. De que forma é que esta evolução científica e clínica se vai refletir no programa deste congresso?
Uma das áreas onde nós vamos ter a obesidade muito representada é numa área do congresso que nós chamamos de “Academia da Endocrinologia”. Os colegas dos cuidados de saúde primários, essencialmente médicos de família, são o público-alvo principal da Academia da Endocrinologia.
E o programa é desenhado para partir desde a base da doença até aos principais tratamentos e, por fim, às inovações. E grande parte dela é dedicada à obesidade. Ou seja, o que é que o clínico precisa de saber e como tratar a obesidade em 2026, porque, realmente, as coisas têm mudado muito.
E o facto de nós, hoje, além de termos tudo aquilo que já tínhamos disponível de conhecimento, que sabíamos sobre intervenção nutricional, intervenção de atividade física e comportamental, e agora também as novidades farmacológicas que vêm reforçar esta abordagem multidisciplinar à obesidade, faz com que haja aqui uma necessidade não só de formar os endocrinologistas, mas também de formar as outras especialidades que vão ter de lidar com ela, porque a obesidade é, sem dúvida, uma doença muito transversal e não depende só da endocrinologia, depende muito dos médicos de família, depende muito dos cuidados primários.
Depois, temos algumas discussões um pouco mais específicas. Temos, por exemplo, uma sessão, uma conferência, onde vamos falar sobre turismo em saúde e obesidade. Porque uma das coisas que tem acontecido é que há doentes em vários países, e Portugal também, que se deslocam a países mais periféricos, como por exemplo a Turquia, para fazer cirurgias de obesidade, e depois regressam, e, às vezes, há aqueles desafios muito grandes em como é que se consegue fazer o follow-up destes doentes. Às vezes, não se sabe ao certo qual foi o tipo de cirurgia que foi feito, qual é que foi a preparação que foi feita e qual foi o contexto em que isto foi feito.
E, portanto, vamos discutir de que forma é que nós podemos preparar melhor as pessoas para não serem induzidas em estratégias que possam ser pouco seguras e que possam não ter as melhores condições para ser tratadas e como é que vamos gerir as pessoas que regressam e querem depois ingressar no seguimento médico em Portugal, depois de terem sido submetidos a uma cirurgia num contexto muito diferente.
E ainda um tópico também que vai ser discutido na área da obesidade é sobre o osso da pessoa com obesidade, porque, na obesidade, o risco de osteoporose não está aumentado, e, na verdade, até o peso ligeiramente elevado até pode fazer alguma sobrecarga sobre o osso, que vai aumentar a densidade do osso, mas a saúde óssea pode estar prejudicada, pois a estrutura do osso pode estar prejudicada.
E quando as pessoas perdem peso rapidamente, ou quando perdem muito peso, seja com intervenção de estilo de vida, seja com fármacos para a obesidade, seja com cirurgia de obesidade, há o risco de as pessoas perderem também massa óssea. E aí sim, tinham obesidade previamente, perderam peso, e apesar de terem perdido peso, da perspetiva óssea, podem ter ficado com uma maior fragilidade.
Portanto, esse também é um desafio emergente da área da obesidade, porque, à medida que tratamos melhor a obesidade, podemos começar a desmascarar algumas das complicações que até ao momento não eram tão prioritárias, porque a nossa dificuldade era mesmo que as pessoas conseguissem perder peso.
E a questão da sarcopenia, ou seja, da perda de massa muscular, é destacada na mensagem de boas-vindas publicada no site do Congresso, como um dos temas emergentes. Ela pode estar aqui também, de certa forma, relacionada com os análogos da GLP-1 e com a perda de peso rápida provocada por estes medicamentos?
Sem dúvida. Por exemplo, quando nós vamos falar do osso, no simpósio do osso da pessoa com obesidade, um dos tópicos é o papel da sarcopenia. Nós já sabemos que, quando se perde peso, perde-se massa muscular, e, quando se perde peso muito rápido ou em grande magnitude, pode haver uma perda de massa muscular superior àquela que é fisiológica.
Nós sabemos que é normal com a perda de peso, mesmo com dieta, mesmo com exercício, que haja alguma perda de massa muscular. Claro que no fundo o músculo que estava sobrecarregado pelo peso do tecido adiposo e que deixa de estar sobrecarregado, é normal que ele possa, perdendo esse estímulo, diminuir um pouco o seu volume.
No entanto, pode haver casos onde esta perda é excessiva e é prejudicial. Isso é algo que a comunidade médica também está muito atenta e de que nós também vamos falar. Em edições anteriores, já nos focamos mais na sarcopenia. Desta vez, até nos vamos focar um pouco mais no osso, porque é um dos tópicos onde também tem havido mais novidades, mas é inevitável também discutir sempre a componente muscular quando falamos de tratamento de obesidade.
Noutro plano, a desinformação online na área da endocrinologia é um problema crescente, sobretudo em temas como obesidade, diabetes, menopausa, suplementos para estimular ou regular certas hormonas. Mas que papel podem ter os médicos e estes congressos científicos específicos no combate a este fenómeno da desinformação nesta área?
Essa é uma questão muito importante e é uma questão que nós também valorizamos muito. Se reparar, a nossa conferência de encerramento é sobre literacia em saúde, influenciadores digitais e redes sociais. E, portanto, em 2026, é inevitável aceitarmos ou compreendemos que vivemos num mundo onde a comunicação através das vias digitais e das redes sociais domina a forma como as pessoas recebem informação.
E os médicos e as sociedades científicas têm de estar preparadas para viverem neste ambiente que é propício à rápida divulgação de informação e, infelizmente, por vários motivos, também à divulgação de desinformação, informação errada ou informação com objetivos até contrários à promoção da saúde.
Nesse sentido, uma das coisas que nós vamos ter no Congresso é uma conferência para ajudar os nossos médicos a perceberem toda esta envolvência que a comunicação nas redes sociais tem. Nós temos também um curso pré-congresso que, não se focando nas redes sociais ou nas fontes de informação, vai ser sobre comunicação médica, porque uma das coisas que nós temos que perceber é que, provavelmente, para combater a desinformação, nós temos de ser mais eficazes a comunicar com os doentes, até com a comunicação social, com a sociedade em geral. Ou seja, nós temos de melhorar a forma como os médicos, como as comunidades médicas e como as sociedades trabalham e eventualmente até aumentar o destaque, por exemplo, que os grupos de doentes têm.
Muitas vezes, nós temos um grupo de doentes que se organizam espontaneamente com o objetivo de melhorar o tratamento de uma determinada doença. Por exemplo em Portugal, temos redes de grupos na área da de diabetes tipo 1 muito bem organizados, e que são uma fonte de divulgação de informação segura e fidedigna, porque também procuram estar próximos das sociedades para terem o apoio na divulgação da informação correta e para ajudar os outros doentes que vêm com a doença a evitar poderem cair nestas armadilhas que, muitas vezes, a informação online tem de transmissão da desinformação.
E a Sociedade Portuguesa de Endocrinologia tem tentado também ter um papel ativo nas redes sociais, com divulgação de informação importante. Nós temos informação, no site da sociedade, onde falamos de várias doenças e daquilo que nós consideramos ser o conhecimento-chave que as pessoas podem adquirir. Isto é, temos uma fonte segura de informação que as pessoas podem consultar.
Mas esta é uma luta grande e nós temos de continuar a lutar, porque desinformação tem vindo num caminho crescente e, com a explosão das capacidades da inteligência artificial, é muito mais simples criar fontes de desinformação e até criá-las de forma mais eficaz.
É uma luta que precisamos de fazer, e em que os jornalistas têm também um papel muito importante e são uma ajuda muito preciosa, ao serem um veículo de transmissão de informação mais segura e mais trabalhada no sentido de garantir a fidelidade e a veracidade dos factos.
Além das redes sociais, a popularização de ferramentas de inteligência artificial generativa está a mudar a forma como os doentes procuram informação médica e até aconselhamento sobre tratamentos. De que maneira é que esta medicina mediada por inteligência artificial pode influenciar a relação médico-doente e que estratégias são necessárias para garantir que esta tecnologia serve como um complemento e não como uma substituição da avaliação clínica?
Essa é uma excelente questão, porque da mesma forma que eu lhe acabei de dizer que nós temos de perceber que vivemos num mundo em que as pessoas recebem informação através das redes sociais, também vivemos num mundo em que as pessoas deixaram de fazer perguntas ao Google e passaram a fazer ao Chat GPT. Isso é inevitável e, se calhar, até é bom, se souberem utilizar estas ferramentas de forma correta.
Também sabemos que, quando esta informação é procurada de forma incorreta ou compreendida de forma incorreta, pode levar a uma incompreensão daquilo que é a realidade da doença em concreto. E estas ferramentas, particularmente em doenças raras ou em situações mais particulares, podem gerar informação incorreta.
Nós sabemos que a inteligência artificial tende a ser cada vez mais correta na informação que dá, mas, se for buscar a informação a fontes incorretas, vai replicar essa informação incorreta. Assim sendo, muitas vezes, também são ferramentas que vêm propagar a desinformação que existe online e podem dificultar esta comunicação.
Por isso, nós temos de formar melhor os nossos médicos na utilização destas ferramentas, porque o sistema da medicina também vai passar pela utilização da inteligência artificial. E existem boas ferramentas online dirigidas a médicos para sintetizar a informação médica e também para ajudar os médicos a terem mais rapidamente a informação disponível e até mais personalizada para o caso em particular.
E existe uma ferramenta muito interessante chamada Open Evidence, que é dirigida exclusivamente a médicos e que vai buscar os dados a fontes médicas fidedignas e é trabalhada para dar respostas baseadas na evidência e com referências para o médico poder confirmar e confiar acima de tudo.
Portanto, existem essas ferramentas. Mas nós precisamos, e eu acho que esse é aquele ponto fulcral, que os médicos cada vez tenham mais tempo para estar com as pessoas a fazer educação médica, educação terapêutica. Porque o papel do médico como simples prescritor ou como simples decisor do próximo passo clínico é algo que o futuro doente médio em todo o mundo vai deixar de aceitar e, portanto, vai querer uma melhor explicação do porquê, vai querer ter um papel mais ativo na tomada da decisão. Por isso, estas ferramentas da inteligência artificial pode não ser só uma fonte de dar informação aos doentes, mas também ajudarem, por exemplo, a reduzir a carga burocrática que muitas vezes existe sobre os médicos e, assim, permitir-lhes terem mais tempo para criar uma relação empática com o doente, para poderem esclarecer as dúvidas de forma clara.
Eu acho que a grande forma como nós vamos combater a desinformação das redes sociais e, às vezes, a informação incompleta ou não individualizada que as ferramentas de inteligência artificial podem vir a dar aos doentes é dar mais tempo aos médicos para comunicarem com os doentes e para poderem criar uma relação empática. À medida que a inteligência artificial avança, aquilo onde realmente os humanos vão ser melhores vai ser na relação entre pares e entre humanos, porque, se tudo correr bem, a inteligência artificial vai começar a dar as respostas certas aos doentes sobre qual é o melhor tratamento, pode é não conseguir personalizar e individualizar o caso em particular, ou pode utilizar fontes que não são fidedignas e recorrer a informação errada. E o médico tem um papel fundamental de dar confiança à pessoa nos passos corretos.
Mas todas as sociedades médicas têm essa obrigação de preparar melhor os médicos para esta realidade emergente e que cada vez mais será o nosso dia a dia da prática da medicina.
Este congresso, como dizia há pouco, aposta novamente na Academia de Endocrinologia, que é dirigida sobretudo a profissionais dos cuidados de saúde primários. Porque é que é tão importante envolver os médicos de família e outros profissionais de saúde que não são endocrinologistas na atualização científica desta área? Que impacto é que isso pode ter nos doentes?
A endocrinologia tem doenças muito diversas, em que algumas se caracterizam por ser muito comuns, muito prevalentes e terem um impacto de saúde pública muito elevado, como, por exemplo, a diabetes e a obesidade.
E tendo doenças muito comuns e muito prevalentes, os cuidados para a maioria destes doentes têm necessariamente de passar pelos cuidados de saúde primários, ou seja, pelo médico de família que vai ser a primeira linha de contacto com estes doentes e que vai permitir garantir à maioria das pessoas com diabetes e obesidade um tratamento adequado. E muitos destes doentes não vão necessitar de ir a um especialista, não vão necessitar de ir a um endocrinologista, a menos que sejam casos de mais difícil tratamento.
Depois, temos um espetro oposto e que também é uma das áreas que nós temos muito interesse em divulgar na Academia da Endocrinologia: as doenças endócrinas que são menos frequentes, mas que também dependem claramente dos médicos que vão contactar na primeira linha com estes doentes.
Por exemplo, nós, este ano, na Academia de Endocrinologia temos um tópico chamado hipertensão endócrina, em que vamos falar, por exemplo, do hiperaldosteronismo e do feocromocitoma, que são duas doenças relativamente raras, mas que, se os médicos de família não estiverem atentos, podem receber um caso de hipertensão em que não identificam a doença que estava na base dessa hipertensão e que é potencialmente curável. Apesar de serem doenças mais raras, vão necessitar necessariamente que, numa primeira linha, possam ser identificadas pelos colegas de Medicina Geral e Familiar.
Depois, vamos falar também das alterações da tiroide, que também são muito frequentes, e da osteoporose e da vacinação em doenças endócrinas. Vamos também focar-nos na área do exercício nos cuidados de saúde primários. Nós sabemos que Portugal é um país onde o sedentarismo é muito, muito elevado, e nós precisamos de ajudar a nossa população a adquirir estilos de vida mais saudáveis, nomeadamente atividade física e a prática do exercício. E, para isto, os médicos de família são uma fonte fantástica de informação para a nossa população geral poder ter melhores comportamentos de estilo de vida e, aqui sim, o exercício poderá ser uma forma muito interessante de chegarmos a este ponto.
Por fim, como endocrinologista e como presidente deste Congresso, o que gostaria que ficasse como legado desta edição de 2026?
O grande objetivo é que isto seja um momento de partilha entre especialistas e entre especialidades.
Temos, por exemplo, aqui um tópico onde vamos falar de dislipidemia, da parte do consultório de risco cardiovascular, onde vamos também ter colegas da cardiologia, vamos ter a parte da menopausa, onde vamos ter colegas da ginecologia, e vamos ter um curso pré-congresso dirigido também à enfermagem. Portanto, nós queremos que isto seja muito um momento de partilha, um momento de atualização e também, muito importante, um momento de divulgação da melhor ciência e daquilo que melhor se faz de investigação a nível nacional.
Nós temos um número muito elevado de comunicações orais e de posters que vão decorrer durante o Congresso e que foram submetidos por médicos e investigadores em Portugal e também é uma oportunidade de partilharem aquilo que estão a fazer e de criarem novas redes de conhecimento e novas parcerias.
Acima de tudo, espero que haja uma partilha do conhecimento que possa levar a melhor prática médica na área da endocrinologia aos doentes, através dos seus médicos, e também que a criação de redes que possam permitir o melhor cuidado e a melhor investigação na área das doenças endócrinas para, no final, as pessoas que vivem com doenças endócrinas possam ter um melhor prognóstico, uma melhor qualidade de vida.
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