Francisco Sousa Santos: “Nunca é só uma hormona que provoca a obesidade e que dificulta a perda de peso”
Há poucos elementos essenciais para o organismo que tenham tão mau marketing como as hormonas. Seja qual for a queixa, desde o excesso de peso ao cansaço excessivo, não é difícil encontrar alguém que as aponte como o principal culpado. E se é verdade que estes “mensageiros químicos” podem influenciar vários processos do organismo, também há muitos casos em que são injustamente responsabilizados.
Este é um dos motivos que levou Francisco Sousa Santos, endocrinologista e autor da página “Hormonas em Bom Português”, a escrever o livro “A Culpa é das Hormonas”, editado pela Contraponto, e sobre o qual fala nesta entrevista ao Viral.
Nas redes sociais e no discurso popular, falar de hormonas é cada vez mais frequente. No TikTok, por exemplo, não faltam vídeos sobre dicas para “regular as hormonas”. Fala-se, por exemplo, da dieta do cortisol, do detox de dopamina, etc. Mas muita da informação que circula é falsa, pelo menos, extrapolada. Foi para combater este tipo de desinformação que decidiu escrever este livro?
Não só, mas diria que foi uma grande parte do motivo, porque é muito frustrante para mim, enquanto médico, ver muita desinformação que afasta as pessoas de arranjarem uma solução que funciona, ou seja, uma verdadeira solução para os problemas de saúde que as afligem.
Muitas vezes, até se torna um desafio para nós na consulta. Hoje em dia, uma das coisas que temos de fazer em consulta é desconstruir alguma desinformação, alguma ideia ou preconceção errada que a pessoa já traz das redes sociais ou de coisas que lê. Às vezes, temos de passar um tempo extra a desconstruir estas ideias erradas.
Portanto, eu acho que continua a ser importante, nós médicos, começarmos a fazer parte da informação ou estarmos onde as pessoas procuram informação, nomeadamente nas redes sociais. E o livro tentou ser isso mesmo também: uma forma de fazer chegar às pessoas informação de qualidade e científica, num formato interessante e fácil de aceder. E, por isso mesmo, no livro, tentei usar analogias e metáforas para a informação se tornar compreensível e, ao mesmo tempo, interessante.
As hormonas são frequentemente apontadas como culpadas por sintomas e problemas muito diversos, desde o aumento de peso à irritabilidade. Mas até que ponto é que esta culpabilização é justa?
Há muitas pessoas que veem erradamente as hormonas como vilãs, como se fossem uns pequenos demoniozinhos que nós temos dentro de nós, que andam aqui para dificultar a vida em várias coisas: em relação ao peso, em relação à irritabilidade, em relação a várias coisas.
Mas isso não podia estar mais longe da verdade. As hormonas não só têm uma utilidade, como são mesmo fundamentais para o bom funcionamento do nosso corpo. E, virtualmente, todas as funções do nosso corpo, desde o coração bater a todo o nosso metabolismo, estão intimamente dependentes das hormonas.
Essa é a mensagem número um que eu queria passar com este livro. E eu brinco um bocadinho com isso no título. É que, na verdade, as hormonas não são vilãs, são sim uma parte fundamental do nosso corpo, são uma espécie de mensageiros biológicos que nós temos.
E, nesse sentido, quais são os mitos mais comuns que lhe chegam ao consultório?
Existem mitos muito grandes, por exemplo, em relação ao excesso de peso e à obesidade, como existe ainda um bocadinho uma ideia errada de que muitos casos de obesidade são atribuíveis à tiroide, que é uma glândula que nós temos no nosso pescoço que produz hormonas. Muita gente ainda acredita que um motivo comum de problemas de excesso de peso e de obesidade é o mau funcionamento da tiroide. De facto, há casos raros em que pode ser, mas é uma questão muito, muito rara.
Por outro lado, há muitos mitos relacionados com a diabetes: em relação ao que é verdadeiramente a diabetes, se ela pode ser curada ou não, se a insulina é perigosa ou não, etc.
E há imensos mitos também, por exemplo, relacionados com a menopausa, que é um tema de que, felizmente, nós estamos a falar cada vez mais. Estamos a ser cada vez mais abertos em relação à possibilidade de fazer terapêutica hormonal de substituição em muitas mulheres – que pode fazer uma diferença muito grande na qualidade de vida destas mulheres -, mas esta terapêutica foi muito demonizada ao longo de muitos anos. Agora, estamos a tentar também quebrar os mitos e os preconceitos que desenvolvemos em relação a esse tema.
No livro, escreve a dada altura que a tiroide é muitas vezes vista como o principal “bode expiatório” para uma série de problemas, nomeadamente para as dificuldades em perder peso. Porque é que isso acontece?
Eu acho que, primeiro de tudo, é porque nós, a maior parte das pessoas, não compreendemos da forma correta o que é a obesidade. E, portanto, isso faz com que nós procuremos explicações, nomeadamente na questão da tiroide.
A obesidade é uma doença muito complexa, em que parte do mecanismo do seu desenvolvimento tem que ver com hormonas, mas, virtualmente, nunca é só uma hormona que provoca a obesidade e que dificulta a perda de peso.
No entanto, como eu dizia há pouco, há casos raros em que, por exemplo, a pessoa tem uma tiroide que funciona muito mal – isto é, que produz muito poucas hormonas (hipotiroidismo) -, e isso pode atrasar e lentificar, digamos assim, o seu metabolismo basal, ou seja, a forma como o seu corpo consome energia. Portanto, se a pessoa tiver poucas hormonas da tiroide, há menos energia a ser gasta pelo nosso organismo e a tendência pode ser maior para o aumento de peso. Mas isto é uma situação que, felizmente, é rara. É importante as pessoas perceberem que as coisas nem sempre são assim tão lineares. Há muitas pessoas com hipotiroidismo que não desenvolvem aumento de peso.
Aliás, no livro até refere que, ao contrário do que as pessoas pensam, é mais comum o excesso de peso provocar alterações hormonais do que o contrário…
Exatamente. Na verdade, isto tudo funciona nos dois sentidos: tanto as hormonas afetam o nosso peso como o nosso peso afeta as nossas hormonas.
As nossas hormonas são muito boas e o nosso sistema endócrino adapta-se às circunstâncias. Numa pessoa com excesso de peso, a nossa produção hormonal adapta-se ao excesso de peso.
Uma das hormonas ou dos eixos hormonais que parece adaptar-se ao excesso de peso é o da tiroide. Por haver mais superfície corporal e mais massa corporal, o corpo tenta aumentar a produção de hormonas.
Mas há muitos outros eixos em que acontece a mesma coisa. Por exemplo, quando uma pessoa está doente, se há uma infeção ou está nos cuidados intensivos, o ambiente hormonal muda completamente para se adaptar a uma situação crítica ou de stress biológico. A própria produção da hormona da tiroide, numa situação de infeção grave, adapta-se e, muitas vezes, baixa a sua produção.
O nosso corpo percebe a situação em que está e adapta a sua produção hormonal de uma forma bastante inteligente, na maioria dos casos. Portanto, temos de ter muito cuidado quando decidimos interferir em qualquer tipo de eixo hormonal para sabermos se não é pior e emenda do que o soneto.
Outra hormona que tem sido muito demonizada é o cortisol, muito conhecida como “a hormona do stress”. Nas redes sociais, há até quem promova “dietas de cortisol” ou planos de “detox de cortisol” e culpe esta hormona por uma série de problemas. O que é que as pessoas estão a perceber mal sobre esta hormona?
Tem-se escrito muitas coisas erradas em relação ao cortisol. O cortisol, acima de tudo, mais do que ser uma hormona do stress, é uma hormona de resposta ao stress.
Por exemplo, quando nós temos uma infeção, o corpo tem de fazer um esforço extra para vencer esta infeção e, por isso, aumenta a produção de cortisol. Ou seja, mais uma vez, o corpo adapta-se e responde às circunstâncias novas que está a enfrentar. Neste caso, o aumento do cortisol vai aumentar a resposta imunitária, e vai aumentar a disponibilidade de energia para combater a infeção.
Mais uma vez, é uma coisa contextual. Se nós queremos um tratamento para corrigir os níveis de cortisol, o importante é tratar o que está na base, o que está a provocar o cortisol alto. Por exemplo, a própria obesidade é um estado inflamatório, e isso pode aumentar o cortisol, porque esta hormona responde à tal inflamação. Mas, aqui, o objetivo não é propriamente baixarmos o cortisol, dando uma medicação que o reduza, mas sim tratar a obesidade, porque, tratando esse contexto, então o ambiente hormonal vai mudar e o cortisol vai baixar.
No livro, tem um capítulo inteiramente dedicado à diabetes, onde até escreve que há 100 anos esta doença era praticamente uma sentença de morte. O que é que mudou no tratamento desta doença e para onde é que caminha a medicina nesta área?
Nós temos vários tipos de diabetes. Os mais comuns são a diabetes tipo 1 e a diabetes tipo 2. Na diabetes tipo 1, o corpo deixa de produzir insulina, que é uma hormona indispensável para controlar os níveis de glicose de açúcar no sangue. E na diabetes tipo 2, acima de tudo, há uma resistência ao efeito da insulina, ou seja, as células parece que desenvolvem uma resistência ao efeito da insulina.
De facto, em relação à diabetes tipo 1, é verdade que há 100 anos, era raro pessoas com a doença viverem para lá dos 30, 40 anos de idade. Isto porque nós ainda não percebíamos a doença, acima de tudo, porque a insulina em si só foi descoberta há cerca de 100 anos.
Antes de descobrirmos a insulina e de começarmos a produzir insulina, as pessoas com diabetes tipo 1 morriam muito rapidamente porque não tinham a hormona que estava em falta.
Hoje em dia, nós não só já descobrimos a insulina, como conseguimos produzi-la em laboratório, como temos vários tipos de insulinas cada vez mais fisiológicas. Hoje em dia, temos, inclusivamente, bombas de insulina, que são sistemas de entrega automática de insulina, porque quem tem diabetes tipo 1 tem de fazer insulina várias vezes ao dia. Aliás, temos hoje também sistemas integrados de bomba de insulina com sensores de glicose, que permitem a bomba dar automaticamente insulina, quando os níveis de açúcar começam a subir.
É nesse sentido que estamos a caminhar de cada vez mais tecnologia para, cada vez mais, a pessoa não ter de estar sempre a pensar que tem diabetes tipo 1 e que tem de mudar a sua dose de insulina e a intervir. O sistema é cada vez mais automático, para que a pessoa possa aproveitar a sua vida sem ter de estar sempre a pensar na doença e no seu tratamento.
E no caso da diabetes tipo 2?
O caso da diabetes tipo 2 é uma situação um bocadinho diferente, é a tal resistência à insulina. Aí, é fundamental atuarmos primeiro no estilo de vida. Estamos a falar, por exemplo, em aumentar a atividade física e exercício físico, diminuir o consumo de ultraprocessados e evitar excessos alimentares.
Muitas vezes, a diabetes tipo 2 coincide também com excesso de peso e obesidade. Nestes casos, idealmente, tentamos que a pessoa diminua de peso, porque esta diminuição se associa a um maior controle dos níveis de açúcar no sangue. Esta é a base de tratamento da diabetes tipo 2.
Em alguns casos, usamos medicação, e, felizmente, hoje em dia, temos cada vez mais medicação para tratar a diabetes tipo 2. Agora não é para toda a gente e nem toda a gente que começa a medicação vai precisar dela para o resto da vida. Este é outro mito importante de clarificar.
Outra doença que tem tido desenvolvimentos marcantes é a obesidade. Recentemente assistimos ao crescimento de novos fármacos que imitam hormonas, como o GLP-1, para tratar a doença. O que é que faz destes produtos tão populares e de que modo é que mudaram o paradigma do tratamento da obesidade?
Acima de tudo, são populares porque efetivamente são eficazes. Eu acho que essa é a mensagem principal. Até muito recentemente, as opções que tínhamos para ajudar as pessoas no tratamento da obesidade, em termos de medicação, eram muito poucos. E há muitas pessoas em que as alterações do estilo de vida não são suficientes para conseguirmos controlar o peso. E estes medicamentos são uma arma terapêutica que, até há pouco tempo, nós não tínhamos.
Estes fármacos são muito eficazes porque atuam naquilo que é central para o tratamento da obesidade: o cérebro. É no cérebro que nós controlamos o nosso apetite, os nossos desejos alimentares, e, muitas vezes, temos fome e temos vontade de comer por questões emocionais. O cérebro controla também, por exemplo, os nossos gastos energéticos, a nossa vontade de nos mexermos, e, por isso, é central para o desenvolvimento da obesidade.
E estes medicamentos atuam nisso mesmo, fazem a pessoa ter menos apetite, ter menos vontade de comer, ter menos food noise e sentir-se saciada, ou seja, sentir-se “cheia” mais precocemente. Isso ajuda muito, porque há muitas pessoas em que um dos motivos pelo qual desenvolvem a obesidade é porque têm muita dificuldade em controlar o apetite.
Isso nós não conseguimos ensinar à pessoa, ninguém consegue ensinar outra pessoa a ter menos apetite, mas estes fármacos conseguem fazê-lo. Eu costumo comparar com baixar o volume: é como se eles conseguissem baixar o volume do apetite numa determinada pessoa. E isso faz toda a diferença em muitas pessoas para o tratamento da obesidade.
Há ainda muitas perguntas em aberto sobre estes fármacos, nomeadamente os efeitos a longo prazo e o que acontece quando se para de os tomar. O que é que a ciência ainda não sabe sobre estes medicamentos?
Mais importante do que tudo, é nós também nos lembrarmos daquilo que sabemos. E o que nós sabemos é que a obesidade não tratada traz problemas de saúde muito graves. Quando as pessoas me põem a questão dos riscos a longo prazo destes medicamentos, eu gosto de inverter a questão e perguntar: “Então, e sabe quais são os riscos a longo prazo de nós não tratarmos a obesidade?”.
É que, a meu ver, neste momento, isso é muito mais claro. Nós, atualmente, temos a certeza absoluta de que obesidade não tratada aumenta os enfartes, aumenta os AVC, aumenta a apneia obstrutiva do sono, aumenta doenças do fígado, aumenta o risco de diabetes, entre muitas outras. Eu podia estar aqui a falar 10 minutos sobre isso. Isto é, acima de tudo, temos de pensar no risco de não tratar a obesidade.
Em relação ao risco destes tratamentos, neste momento, ainda não temos estudos de 20 ou 30 anos, porque estes medicamentos ainda não existem há tanto tempo, mas já temos uma experiência de entre 5 e 10 anos com alguns fármacos, e eu diria que eles se mostraram muito seguros até agora, sobretudo se a pessoa tiver alguns cuidados e atenção a algumas coisas.
É preciso ter atenção, por exemplo, à questão da massa óssea e da massa muscular. Nós médicos, nós clínicos, temos de ensinar à pessoa alguns cuidados em relação à alimentação e à prática de exercício físico e também temos de ter atenção à forma como prescrevemos estes fármacos.
Devemos ter alguns cuidados para não estarmos a colocar a pessoa num risco nutricional, num risco metabólico ou muscular ou até ósseo, se a prescrição for mal feita ou se a pessoa não tiver alguns cuidados de estilo de vida associado.
Por isso é que é muito importante que as pessoas também não façam este tipo de tratamento sem acompanhamento. Até porque temos tido notícias de um mercado paralelo destes fármacos…
Sem dúvida, e é uma preocupação cada vez mais crescente. Não só porque é uma toma não supervisionada e, por isso, as pessoas podem ter efeitos adversos e não ter o devido aconselhamento em relação a estas questões, mas também porque não sabemos se a substância que está nesses frascos é a que devia, se é segura, se é uma substância que foi produzida com assepsia, ou seja, com cuidados de limpeza, sem contaminantes, por exemplo. E tudo isto são riscos que a pessoa pode estar a correr ao tomar uma substância obtida de uma forma mais clandestina.
Ao mesmo tempo, no mercado, e nas redes sociais, houve uma explosão de suplementos “naturais” que prometem “equilibrar as hormonas”. Muitas pessoas acreditam que, este tipo de produtos, por serem naturais, são mais seguros. Mas, no livro, recomenda que não se tome suplementação sem acompanhamento. Qual é o perigo real de uma pessoa decidir, por conta própria, tomar suplementos que prometem “otimizar” o sistema hormonal?
A intenção da pessoa pode ser boa, mas há, sem dúvida, riscos de vários tipos. Primeiro de tudo, a regulamentação em relação a este tipo de produtos e suplementos é diferente da regulamentação dos medicamentos, e o número de testes e de provas a que tem de se submeter um suplemento até ele ser comercializado é diferente da quantidade de testes, de provas, de ensaios clínicos, de estudos a que um medicamento está sujeito antes de ser comercializado. Portanto, a primeira questão é essa de nós termos simplesmente menos dados a comprovar a sua segurança.
Outro ponto é que, muitas vezes, estes suplementos até são substâncias simples, como nutrientes – estou a pensar, por exemplo, na vitamina D – mas há pessoas que tomam em quantidades que podem ser mesmo tóxicas. Ou seja, a substância em si até é uma substância natural, digamos assim, mas tudo em excesso, como todos nós sabemos, também faz mal, a própria água se tomada em excesso faz mal. Eu já vi, por exemplo, pessoas a tomarem vitamina D com níveis tóxicos, e isso pode ter riscos para a saúde.
Depois, há várias substâncias que vemos a ser utilizadas em suplementos e produtos de ervanária e que, hoje em dia, já encontramos frequentemente nos serviços de urgência em pessoas com quadros agudos de efeitos adversos. Por exemplo, há casos de lesões hepáticas, ou seja, problemas no fígado associados à toma destes suplementos e substâncias.
Isto tem que ver com o facto de serem produtos para os quais não existem ainda estudos de segurança tão completos como os dos medicamentos, ou com o facto de estarem a ser tomados em doses excessivamente elevadas. Em qualquer um destes casos, acaba por haver riscos para a saúde, algo que já observamos na prática clínica, incluindo situações de lesões hepáticas.
Eu costumo dizer – meio a brincar, meio verdade – que o natural não é necessariamente bom, porque, por exemplo, as cobras produzem veneno e o veneno é natural, mas, como é óbvio, tem riscos para a saúde. Portanto, o natural não é necessariamente bom.
O título do livro – “A Culpa é das Hormonas” – funciona quase como uma ironia: no fundo, o que o livro defende é precisamente o contrário, que as hormonas não são as grandes vilãs que o discurso popular faz delas. No final, de quem é a culpa, afinal?
Eu acho que é um título que se pretende divertido e bem-disposto e, efetivamente, acima de tudo tem um tom irónico, mas é verdade que as hormonas influenciam muita coisa.
Este livro não é só feito de desmistificar coisas que as hormonas não impactam, mas é também para explicar algumas coisas em que, apesar de as pessoas não terem noção, as hormonas podem ter um impacto importante. Estou a falar, por exemplo, da fertilidade, da libido e do próprio excesso de peso.
Este livro fala também de muitas situações em que é importante as pessoas perceberem de que forma é que as hormonas impactam e o que podem fazer em relação a isso.
Para responder à sua pergunta, é verdade que, em muitas situações, as hormonas têm lá o seu dedo, digamos assim, não são determinantes só por si, na maior parte das coisas, mas influenciam muitos processos, e muitos problemas, efetivamente, são influenciados pelas hormonas.
Mas acho que muitas vezes a culpa também é gerada pela própria desinformação, que nos leva a crer em coisas que não são verdade e a culpar as hormonas por situações em que não são elas as responsáveis, e o verdadeiro culpado passa despercebido ou não é abordado.
Por isso, eu acho que uma parte da culpa, em várias situações, é das hormonas. Depois, acho que, muitas vezes, a desinformação que nos acaba por atingir e nos atrai é também parte do problema. E, por fim, diria que outro grande culpado de muitas coisas é o nosso estilo de vida: o nosso dia a dia, o stress a que estamos todos a ser submetidos, a nossa alimentação que é cada vez menos “natural”, o facto de sermos cada vez menos ativos e cada vez mais sedentários. Na verdade, este estilo de vida é que se calhar é um grande culpado de muitos problemas que afetam muitas pessoas.