“O meu filho está outra vez doente”: Porque há tantas “viroses” nas creches e infantários?
Sente que, desde que entrou na creche ou no infantário, o seu filho está sempre doente? Não é o único. O início do ano letivo é uma altura de muitos desafios para as famílias com crianças pequenas, sendo um dos mais comuns as infeções respiratórias (vulgarmente apelidadas de “viroses”) que os mais novos trazem para casa e que obrigam alguns pais a faltarem ao trabalho várias vezes. Mas o que explica esta situação recorrente? E quais os cuidados preventivos a ter?
O que explica as “viroses” recorrentes nas creches e nos infantários?
Em declarações ao Viral, o pediatra Hugo Rodrigues adianta que há vários fatores que explicam o facto de as infeções, nomeadamente as do trato respiratório, serem tão comuns e recorrentes nas creches e nos infantários.
O primeiro, aponta, está relacionado com o facto de “as crianças estarem, na maior parte do tempo, em espaços fechados”.
“Todos os espaços fechados promovem a acumulação de micro-organismos, particularmente de vírus respiratórios. Portanto, neste contexto, aumenta a probabilidade de cada criança contactar com esses vírus e de poder desenvolver a doença”, explana.
Esta ideia é defendida também num texto da Direção-Geral da Saúde sobre prevenção de infeções respiratórias em que se lê que o “contacto próximo, com um distanciamento inferior a 1,5 metros, com uma pessoa com infeção respiratória” e a “permanência em espaços com aglomerados de pessoas, sobretudo sem ventilação adequada e em períodos de elevado número de casos” de vírus respiratórios em circulação, aumenta o risco de exposição a estes vírus.
Por outro lado, continua Hugo Rodrigues, quando as crianças que estão doentes “espirram e tossem, conseguem projetar as gotículas respiratórias” que se vão depositar “nas superfícies e nos brinquedos”, fazendo com que outras crianças, que mexem nesses objetos, entrem em contacto com o vírus.
Nestas idades, é também comum as crianças “levarem as mãos e os brinquedos à boca” ou “tocarem nos olhos” com frequência, facilitando a entrada de micro-organismos, como, por exemplo, os vírus.
Hugo Rodrigues esclarece ainda que, nos primeiros anos de vida, o sistema imunitário está “mais alerta” e “o contacto com os micro-organismos, muitas vezes, dá sintomas mais exuberantes”, porque o organismo está “a aprender a combater essas infeções”. Assim sendo, os mais pequenos “acabam por ter mais manifestações de doença” e um quadro “mais chamativo”.
Além de todos estes fatores, o pediatra lembra que os primeiros tempos de creche e de infantário coincidem com a altura do ano em que começam a circular “mais vírus respiratórios”.
É possível prevenir as “viroses”?
O pediatra consultado pelo Viral sublinha, antes de mais, que as “infeções víricas mais correntes”, regra geral, “não têm grande gravidade”.
Apesar de serem “incomodativas e perturbarem o bem-estar das crianças e das famílias”, quando não têm grande gravidade, estas “viroses” são “importantes para ajudar a programar o sistema imunitário”, ou seja, “para ajudar o sistema imune a reagir de uma forma mais adequada em situações futuras e a aprender a tolerar situações que não são de risco”.
“Portanto, apesar de não serem muito simpáticas, estas infecções têm este lado positivo de ajudarem a regular as defesas das nossas crianças”, completa.
Ainda assim, para tentar prevenir estas infeções recorrentes, Hugo Rodrigues aponta dois cuidados importantes.
O primeiro é “incluir hábitos de lavagem de mãos que não sejam exagerados, mas que sejam adequados”. Isto é, “que as crianças aprendam a lavar as mãos de vez em quando e saibam a importância que isso tem”.
O outro passa por permitir que as crianças passem mais tempo no exterior a brincar.
“No exterior há muito menos acumulação de micro-organismos. Logo, a probabilidade de uma criança ficar doente quando está no exterior é muito mais baixa do que quando está numa sala fechada”, conclui.