Cheirar esta pomada ajuda a lidar com um ataque de pânico? Psiquiatra responde
No TikTok, alega-se que cheirar uma pomada Vicks Vaporub ajuda a lidar com a ansiedade e até com um ataque de pânico. A teoria em torno desta técnica é que o cheiro intenso da pomada Vicks Vaporub ajuda a focar na respiração e a desviar a atenção do processo de um pico de ansiedade. Mas será mesmo assim? Cheirar uma pomada Vicks Vaporub pode ajudar com um ataque de pânico?
É verdade que cheirar a pomada Vicks Vaporub pode ser útil durante um ataque de pânico?
Em declarações ao Viral, João Palha, psiquiatra e diretor clínico da Casa de Saúde Santa Catarina (CSSC), explica que, apesar de a pomada Vicks Vaporub “não ser uma cura”, nem ter “nenhuma propriedade” específica com impacto real num ataque de pânico, cheirar este produto pode funcionar como “um estímulo forte que interrompe os pensamentos ansiosos e os sintomas” associados ao processo.
Importa salientar que este possível efeito não é exclusivo da pomada Vicks Vaporub. Cheirar uma vela, um perfume ou um sabonete, por exemplo, pode servir para o mesmo propósito. Além disso, esta técnica pode não ter o mesmo impacto em todas as pessoas.
No site eusinto.me (que pertence à Ordem dos Psicólogos Portugueses) explica-se que “um ataque de pânico é uma resposta exagerada do nosso corpo ao medo ou ao stress”.
Durante um ataque de pânico, “somos invadidos/as por um conjunto de sensações intensas como o batimento rápido do coração, sensação de desmaio, suores, náuseas, dores no peito, dificuldade em respirar ou sensação de perder o controlo”, lê-se.
Ao longo do processo, há quem possa pensar que está “a enlouquecer”, que vai “desmaiar ou ter um ataque cardíaco” e até há pessoas que ficam convencidas de que vão morrer, tornando “esta experiência ainda mais assustadora”.
Tal como já tinha esclarecido o médico Mauro Pinho, em declarações anteriores ao Viral, “os ataques de pânico ocorrem em 20% da população saudável”, o que significa que “sofrer um ataque de pânico não representa automaticamente uma doença mental”.
As crises de pânico podem representar “uma doença mental quando são frequentes e o indivíduo vive numa preocupação constante relacionada com a possibilidade de sofrer novos ataques, limitando as suas atividades habituais para evitar sofrer novos ataques”, acrescentava.
Nesses casos, aponta João Palha, é importante procurar ajuda profissional, para haver um tratamento adequado, através “de medicação e técnicas de psicoterapia”.
A terapia cognitivo-comportamental, sobretudo, ajuda a pessoa a adquirir “comportamentos de sobrevivência que podem ser utilizados antes e durante um ataque de pânico”, refere-se num texto da Escola Médica de Harvard.
Desse modo, a pessoa “aprenderá a reformular os seus pensamentos e a implementar estratégias de comportamento que diminuem a frequência e a gravidade dos ataques de pânico ao longo do tempo”.
Segundo João Palha, uma das estratégias “mais usadas na psicoterapia” para ajudar a lidar com um ataque de pânico é a pessoa “tentar direcionar o foco para outra coisa que não os sintomas” associados àquele pico de ansiedade.
Uma das formas de mudar o foco é através de “técnicas de grounding (ou ancoragem)”, em que se apela aos sentidos. A música pode estimular a audição, por exemplo, e cheirar uma pomada Vicks Vaporub pode estimular o olfato.
No fundo, “não tem propriamente a ver com o Vicks, mas com o estímulo forte que desvia a atenção daquela situação”, explica o psiquiatra.
Há um método conhecido, o “5-4-3-2-1” que, tal como se explica num texto do Centro Médico da Universidade de Rochester, consiste em reconhecer: “cinco coisas que vê à sua volta”; “quatro coisas que pode tocar”; “três coisas que ouve”; “duas coisas que consegue cheirar”; e “uma coisa que consegue saborear”.
Que outras estratégias podem ajudar a lidar com um ataque de pânico?
Em primeiro lugar, antes de se tentar redirecionar o foco, é importante “reconhecer que estamos a ter um ataque de pânico, e não outro problema (por exemplo, um ataque cardíaco ou uma quebra de tensão)”, explica-se no texto do site eusinto.me.
Depois, deve-se concentrar na respiração, “tentando respirar lentamente, lembrando que, passado algum tempo, a ansiedade começa a descer naturalmente”, lê-se no mesmo texto.
Após este passo, pode-se recorrer a técnicas como o método “5-4-3-2-1”, que estimulam os sentidos.
Para algumas pessoas, “ligar a um/a amigo/a ou a um familiar”, durante um ataque de pânico, também ajuda a lidar com o processo.