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Ventosaterapia: técnica com ventosas de fogo tem benefícios comprovados para a saúde?

27 Mai 2025 - 09:18

Ventosaterapia: técnica com ventosas de fogo tem benefícios comprovados para a saúde?

Em várias publicações partilhadas nas redes sociais, sugere-se que a terapia com ventosas de fogo, também conhecida como ventosaterapia de fogo, é uma técnica da medicina tradicional chinesa com vários benefícios para a saúde. 

Entre outras coisas, alega-se que a terapia com ventosas de fogo promove a circulação sanguínea, alivia dores musculares, reduz inflamações e estimula o sistema imunitário. Mas será mesmo assim? Existe evidência científica que valide estes supostos benefícios?

É verdade que as ventosas de fogo têm benefícios comprovados para a saúde?

Em declarações ao Viral, Paulo Santos, especialista em Medicina Geral e Familiar e professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), adianta que não há evidência científica robusta de que a terapia com ventosas de fogo promova a circulação sanguínea, alivie dores musculares, reduza inflamações e estimule o sistema imunitário.

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Tal como se explica num texto do Centro Nacional de Saúde Complementar e Integrativa (NCCIH), “a ventosa é uma prática utilizada na medicina tradicional”, que “consiste em criar sucção na pele utilizando um copo de vidro, cerâmica, bambu ou plástico”. 

Essa pressão é criada, “quer aplicando uma chama ao copo para remover o oxigénio antes de o colocar sobre a pele [ventosas de fogo], quer ligando um dispositivo de sucção ao copo depois de este ser colocado sobre a pele”, acrescenta-se no mesmo texto.

Os poucos estudos que existem sobre esta técnica relatam “um potencial benefício, em associação à terapia convencional, no tratamento da dor”, sublinha Paulo Santos.

Em relação aos outros supostos benefícios mencionados nas publicações, não há qualquer evidência que os suporte. 

Quanto ao tratamento da dor, a técnica com ventosas de fogo poderá funcionar através da “estimulação que faz ou do relaxamento muscular que produz, que será qualquer coisa parecida com uma massagem”, sugere o médico.

No entanto, além de esta terapia não ter sido estudada “como substituta” da terapia convencional (apenas como complemento), há poucos estudos e os que existem são pouco robustos (ver aqui, aqui e aqui).

Numa revisão sistemática, em que se sugere que a técnica com ventosas “poderá ter alguma eficácia, em conjunto com a terapia convencional, na abordagem da dor”, refere-se, no entanto, que “nenhum dos 135 estudos encontrados tinha uma qualidade aceitável”, esclarece o médico.

Paulo Santos defende que é preciso ter “algum cuidado” na análise da evidência disponível. Mesmo se houver “uma revisão em que os estudos apontam todos no mesmo sentido, se esses estudos são de má qualidade”, são necessárias mais investigações antes de haver qualquer recomendação.

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No texto do NCCIH também se sublinha a falta de evidência científica em torno desta técnica. “Tem havido alguma investigação sobre a ventosa, mas a maior parte é de baixa qualidade”, lê-se.

Sabe-se que “a ventosa pode ajudar a reduzir a dor, mas a evidência não é muito forte”. Além disso, “não existem estudos de alta qualidade suficientes que permitam tirar conclusões sobre se a ventosa é útil para outras condições”, conclui-se.

Existem riscos associados à ventosaterapia de fogo?

Segundo Paulo Santos, para a maioria das pessoas – e se forem tidos todos os cuidados necessários -, a técnica com ventosas de fogo não parece representar um risco.

Ainda assim, é preciso ter “algum cuidado”, em determinadas situações. Sobretudo “se houver feridas, úlceras, ou fragilidade da pele – muito comum nos idosos” -, recorrer a este tipo de técnica pode ser contraproducente, ou seja, em vez de ajudar pode prejudicar.

No texto do NCCIH alerta-se para os principais efeitos secundários desta terapia: “descoloração da pele, cicatrizes, queimaduras e infeções” e o possível agravamento de “eczema” e “psoríase” (ver também aqui).

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